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Quando uma criança aprende a ler e escrever, não são apenas letras que se juntam. As histórias ganham sentido, as ideias encontram voz e o mundo se torna maior. A alfabetização amplia a autonomia, fortalece a confiança e abre novas possibilidades para o futuro. Garantir essa aprendizagem é um direito de toda criança.

Mas essa conquista começa a ser construída muito antes do primeiro dia no ensino fundamental. Conversar, brincar, cantar, ouvir histórias e explorar livros são experiências que ampliam o vocabulário, despertam a curiosidade e aproximam a criança da linguagem escrita. A família pode oferecer muitos desses estímulos no cotidiano, enquanto a escola e as políticas públicas asseguram as condições necessárias para que ela aprenda.

Alfabetização infantil: avanços e desafios no Brasil

O Brasil tem avançado, mas o desafio ainda é grande. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) e do Inep, o percentual de estudantes da rede pública considerados alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental passou de 36% em 2021 para 56% em 2023. Em 2025, o Indicador Criança Alfabetizada chegou a 66%, superando a meta de 64% estabelecida para o ano. O objetivo nacional é alcançar 80% até 2030.

Os números mostram uma evolução importante, mas também revelam que cerca de uma em cada três crianças avaliadas ainda não atingiu o padrão esperado de alfabetização. Para que nenhuma delas fique para trás, são necessárias escolas preparadas, professores valorizados, políticas públicas contínuas e uma rede de apoio capaz de respeitar o tempo, as necessidades e a realidade de cada criança.

Uma rede de cuidado que favorece a aprendizagem

É nessa rede de cuidado que a Pastoral da Criança também está presente. Por meio do acompanhamento às famílias, seus líderes voluntários ajudam mães, pais e cuidadores a perceber o valor de experiências simples, como conversar, brincar, contar histórias e explorar livros com as crianças. São atitudes que fortalecem os vínculos e contribuem para o desenvolvimento infantil e para a aprendizagem.

Nesta entrevista, Priscila do Rocio Costa, pedagoga e coordenadora técnica da Pastoral da Criança, explica os desafios da alfabetização e mostra por que alfabetização e letramento caminham juntos: não basta reconhecer letras; é preciso compreender, atribuir sentido e usar a leitura e a escrita no cotidiano.

Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo você encontrará:

  • O que é alfabetização e por que é tão importante no desenvolvimento da criança?

  • Quando começa a alfabetização?

  • O que pode ser feito em casa para incentivar a alfabetização?

  • De que maneira a tecnologia pode contribuir ou prejudicar a alfabetização?

  • Como respeitar o tempo de cada criança, sem pressionar, e observar possíveis atrasos na alfabetização?

  • Como enfrentar as desigualdades sociais que impactam na alfabetização?

  • Nas famílias em que os pais não são alfabetizados, como eles podem ajudar os seus filhos?

Priscila do Rocio Costa, pedagoga e membro da equipe técnica
da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança

Entrevista com Priscila do Rocio Costa, Pedagoga da área de desenvolvimento infantil da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Priscila, o que é alfabetização e por que é tão importante no desenvolvimento da criança?

PRISCILA:

A alfabetização é muito mais do que aprender as letras, os números, a juntar as sílabas. Ela é um processo em que a pessoa começa a descobrir um mundo novo. Consegue ler uma história, entender uma placa na rua, escrever um bilhete ou fazer uma lista de compras.

Mas aprender a ler não é apenas reconhecer as palavras. É compreender o que está sendo lido e conseguir refletir e usar esse conhecimento no dia a dia. É isso que chamamos de letramento.

Quando a criança aprende a ler com compreensão, ela ganha autonomia, participa melhor da escola, da família, da comunidade e da sociedade. Então, a alfabetização abre portas para novos conhecimentos.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1824 - 07/09/2026 - Desafios da Alfabetização

 

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Priscila, quando começa a alfabetização?

PRISCILA:

Muita gente pensa que a alfabetização começa apenas quando a criança entra lá no primeiro ano do ensino fundamental.

Mas o preparo para esse aprendizado começa muito antes. Começa em casa, quando a família conversa, canta, conta histórias, quando ela brinca, responde às perguntas e desperta a curiosidade da criança. Depois, pode continuar na creche, um espaço de cuidado, aprendizagem e desenvolvimento. E lá na pré-escola, para as crianças com 4, 5 anos, ela amplia o vocabulário, desenvolve a atenção, a imaginação, a linguagem, o interesse pelos livros, pelas histórias e fortalece a coordenação das mãos, por meio de desenhos, rabiscos, pinturas e brincadeiras, preparando-se para aprender a escrever nas fases seguintes.

Por isso, a matrícula na pré-escola é obrigatória. É um direito da criança e uma etapa fundamental para a sua preparação.

A alfabetização é construída aos poucos, com a participação da família, da escola e de toda a sociedade.

E além da escola, o que pode ser feito em casa para incentivar a alfabetização?

PRISCILA:

A família tem um papel fundamental na alfabetização. Pequenas atitudes do dia a dia fazem toda a diferença, como conversar, contar histórias, olhar livros junto com a criança, responder às suas curiosidades e incentivar as brincadeiras, os desenhos, as pinturas e outras atividades que desenvolvem a criatividade e a coordenação dos movimentos.

Também é importante aproximar a criança dos livros, dos gibis infantis, frequentar as bibliotecas, participar de trocas de livros e contação de histórias na comunidade e criar momentos de leitura em família. Quando a criança percebe que a leitura, o diálogo e a aprendizagem são valorizados em casa, ela se sente mais motivada.

E quando já está na escola, a família deve acompanhar, orientar e incentivar, mas sempre permitindo que a criança desenvolva sua autonomia.

O carinho, a presença e o incentivo da família são grandes aliados na alfabetização.

Priscila, de que maneira a tecnologia pode contribuir ou prejudicar a alfabetização?

PRISCILA:

A tecnologia pode sim ser uma aliada da alfabetização quando usada como um recurso pedagógico, com supervisão do adulto, respeitando o tempo de telas, recomendado para cada idade e escolhendo conteúdos de qualidade. Mas ela nunca, jamais pode substituir a participação da família, porque é nas conversas, nas brincadeiras, na leitura de histórias, no desenhar, no manusear livros, lápis, a tesoura, em tantas outras experiências do dia a dia que a criança vai desenvolver a linguagem, a coordenação motora, a motora fina das mãos, do movimento de pinça com os dedos, de pegar, manusear objetos, até mesmo o lápis, o giz, isso que vai ajudar nessa coordenação para desenvolver a escrita, mas também a imaginação da criança, estimular isso para que ela desenvolva seu pensamento crítico, seu pensamento matemático. Não simplesmente para ela aprender a ler por ler, mas interpretar, entender o que ela está lendo e desenvolver o gosto pela leitura.

Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mostrou que mais da metade das famílias brasileiras que participaram do estudo raramente ou nunca leem para as crianças e que metade das crianças de 5 anos usam telas todos os dias.

Priscila, como respeitar o tempo de cada criança, sem pressionar, e observar possíveis atrasos na alfabetização?

PRISCILA:

Cada criança aprende de um jeito e no seu próprio ritmo. Comparar um filho com o outro, apressar as etapas ou pressionar para que a criança aprenda o mais rápido possível pode gerar ansiedade, traumas e dificultar esse processo.

Ao mesmo tempo, é importante que a família e a escola caminhem sempre juntas, dialoguem e observem se existem dificuldades persistentes para falar, compreender, ler, reconhecer as letras, os números ou acompanhar as atividades.

Quando essas dificuldades permanecem, vale procurar a orientação de profissionais da saúde, da educação, porque quanto mais cedo uma necessidade é identificada, maiores são as possibilidades de oferecer o apoio adequado, os encaminhamentos necessários, inclusive quando há suspeita de autismo, de dislexia, que é uma dificuldade específica na leitura e na escrita, ou outras condições do neurodesenvolvimento.

Aproveito e faço o convite para conhecerem o e-Neurodiversidade, presente no Aplicativo da Pastoral da Criança, disponível para todos. Nele, vocês terão mais informações e orientações sobre esses temas.

Como enfrentar as desigualdades sociais que impactam na alfabetização?

PRISCILA:

Toda criança tem direito de aprender. E para isso nós precisamos de escolas acolhedoras, com estruturas seguras, profissionais capacitados e valorizados, uma alimentação escolar saudável, de qualidade, materiais e recursos adequados e oportunidades para todas as crianças.

Mas sabemos que a transformação também depende da comunidade. A gente enfrenta vários desafios, como falta de vagas, de escolas, de estruturas adequadas, de profissionais, entre tantas outras situações.

E quando famílias, escolas, serviços de saúde, igrejas, organizações sociais e o poder público caminham juntos, nós conseguimos criar um ambiente mais favorável para que cada criança desenvolva todo o seu potencial e tenha esse direito atendido.

Então, cuidar das crianças e da educação é uma responsabilidade de todos.

E nas famílias em que os pais não são alfabetizados, como eles podem ajudar os seus filhos?

PRISCILA:

Podem ajudar e muito. Mesmo quem ainda não sabe ler, pode ensinar pelo exemplo, pelo carinho, pelo incentivo. Ouvir quando a criança quiser contar uma história, olhar um livro junto com ela, incentivar que desenhe, fazer perguntas e conversar sobre o que ela aprendeu já fortalece esse processo.

E fica também um convite para os adultos. Nunca é tarde para aprender. Portanto, a Educação de Jovens e Adultos, o EJA, aí do seu município, oferece essa oportunidade.

Quando a família aprende junto, todos crescem.

Priscila, você poderia resumir em uma frase a importância da alfabetização na vida de uma criança.

PRISCILA:

A alfabetização é um direito que transforma vidas em qualquer idade, porque abre as portas do conhecimento, da cidadania, da autonomia e das oportunidades, permitindo que cada pessoa leia o mundo, exerça seus direitos e escreva sua própria história.

Leia a entrevista na íntegra

1824 - 07/09/2026 - Desafios da Alfabetização

 

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Educação de qualidade”.

Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

Dra. Zilda

“Vamos educar nossas crianças com amor, pois esse amor se converte em gestos de fraternidade para o Brasil e o mundo”.

Papa Leão XIV

“Com efeito, não basta silenciar as armas: é preciso desarmar os corações, renunciando a toda forma de violência e vulgaridade. Deste modo, uma educação desarmante e desarmada cria igualdade e crescimento para todos, reconhecendo a igual dignidade de cada jovem, sem nunca os dividir entre aqueles poucos privilegiados que têm acesso a escolas caríssimas e aqueles muitos que não têm acesso à educação