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Foto: Acervo da Pastoral da Criança

É brincando que a criança se desenvolve

Brincar faz parte da infância e, embora pareça só diversão, é o momento em que a criança está se desenvolvendo. Sabemos que criança sempre procura um jeito de brincar.

 

Alguns estudiosos do assunto dizem que a criança já nasce sabendo brincar e outros dizem que a criança aprende a brincar. Na Pastoral da Criança aceitamos as duas opiniões: há um instinto que nasce com a pessoa para o brincar e também aprendemos as brincadeiras da cultura em que vivemos. Para o bebê o primeiro “brinquedo” é o próprio corpo e o da mãe.

 

Hoje em dia a longa jornada de trabalho da mãe e do pai, a violência principalmente nas grandes cidade, a falta de saneamento e limpeza das ruas e as novas tecnologias afetaram o modo de brincar das crianças. Sem poder ir para a rua, elas ficam muito tempo dentro de casa, em um espaço limitado e convivendo com poucas crianças também. As crianças de hoje, que moram em cidades grandes, têm pouco contato com a natureza. É ao ar livre que a criança tem momentos de participação livre e ativa, nos quais ela tem oportunidade de tomar a iniciativa, subir em árvores, pular obstáculos, pisar na terra e brincar com água. Brincando juntas as crianças podem vivenciar diferenças de todo tipo, cada criança pode compreender seu lugar no grupo, perceber suas habilidades, sua força, seus limites e também os das outras crianças. A inexistência desses espaços faz com que as crianças fiquem privadas de situações de vida ricas e estimulantes que promovem seu desenvolvimento.

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Através da brincadeira, a criança ultrapassa a realidade, transformando-a através da imaginação. A brincadeira é uma das formas encontradas para expressar sentimentos e desejos. Os adultos podem estimular a imaginação das crianças, despertando ideias, questionando-as e incentivando para que elas mesmas encontrem as soluções para os problemas que possam surgir.

Brincar com a criança reforça os laços afetivos e eleva o nível de interesse da criança com a brincadeira, estimulando ainda mais a sua imaginação. Por tudo isso, o desafio da Pastoral da Criança é criar momentos para que as crianças possam brincar juntas, em liberdade vigiada e ao ar livre. É preciso que as comunidades se mobilizem e juntas consigam espaços apropriados para que nossas crianças possam brincar e aprender desde cedo a importância da organização, mobilização e sociabilização comunitária.

Saiba mais: Como o bebê e a criança podem aprender e se desenvolver? 1º semana de vida, 1 mês, 2 meses, 4 meses, 6 meses, 9 meses, 1 ano, 2 anos, 3 anos e 4 e 5 anos.

 

 Entrevista com Márcia Mamede

Para conversar sobre a importância do brincar, a Márcia Mamede, educadora e assistente técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Márcia, por que brincar é um direito da criança, e qual é a sua importância?

Brincar é uma necessidade para o desenvolvimento da criança, sendo assim, é o direito que ela tem, inclusive consta no Estatuto da Criança e do Adolescente, no Artigo nº16. A maioria das pessoas pensam que a criança brinca apenas para se distrair e ter prazer, mas a brincadeira é necessidade, porque de acordo com a idade da criança, a brincadeira evolui e a própria relação da criança com o adulto se modifica. Vemos que a brincadeira do bebezinho é uma, quando a criança começa a andar é outra e quando ela começa a imaginar, pensar, entra a brincadeira de faz de conta, que é muito importante.

Marcia Mamede e a importância do brincar

Márcia Mamede - Educadora e Assistente Técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança

No brincar a criança é protagonista, ela tem liberdade para brincar, não é Márcia?

Exatamente, o que nós entendemos por brincadeira da criança, é a atividade que tem como característica fundamental, a livre escolha dela. Com “livre escolha”, estamos querendo dizer, é que é a criança que decide quando, com o que, com quem e como ela quer brincar. É por meio dessas escolhas que a criança, desde bem pequena, começa a exercitar o que chamamos de autonomia.

A criança vai se tornando capaz de decidir o que é melhor para ela em determinados momentos, vai aprendendo a julgar o que ela gosta e o que ela não gosta de fazer e isso contribui na formação dela em ser um cidadão crítico e consciente do que faz. A brincadeira é a única hora em que, quem escolhe se quer brincar ou não, é a criança.

A criança pode escolher a hora de comer? Hora de dormir? Hora de tomar banho? Não. Na hora da brincadeira então quem escolhe, quem comanda, é ela.

Qual é o papel dos pais nas brincadeiras dos filhos?

A atitude básica, seja do pai, da mãe, dos familiares ou de qualquer pessoa, e no nosso caso na Pastoral da Criança, brinquedistas e brincadores, em relação a brincadeira da criança, é estarem disponíveis para o que ela pedir. A criança, às vezes, quer brincar, quer que pegue uma coisa, ou quer ir para fora, e o adulto deve estar disponível.

Também o adulto pode propor brincadeiras, ele não pode impor. E outra coisa importante, estarem atentos, porque é o adulto que da essa proteção da criança não se machucar, não machucar outra criança. O fundamental é a questão da disponibilidade com o brincar.

Qual é o maior erro dos pais quando o assunto é brincar?

É achar que é preciso comprar brinquedo, ou é preciso dar brinquedos, e como eu já falei antes, mandar na brincadeira. Segundo achar que só comprando, que dando presente, é que a criança brinca. A criança não precisa do brinquedo, brinquedo até enriquece, mas ela brinca de muitas maneiras.

A CRIANÇA QUE BRINCA MUITO E LIVREMENTE COM OUTRAS CRIANÇAS, É UMA CRIANÇA ALEGRE E ACEITA MELHOR OS LIMITES DADOS PELOS ADULTOS

Também não relacionar as brincadeiras com o consumo, quer dizer, que tem que comprar, que tem que dar algo, tentando até suprir a ausência dos pais. Isso é um erro que os pais fazem.

E uma criança que brinca muito, que características são evidenciadas nessa criança?

Geralmente, eu vejo que a criança que brinca assim, muito e livremente com outras crianças, é uma criança alegre, aceita  melhor, por incrível que pareça, os limites dados pelos adultos. Ela convive também melhor com as outras crianças, porque nas brincadeiras elas vão aprendendo a ganhar, perder, a trocar, a dar a vez, a ajudar, e isso vai criando um sentimento de solidariedade, a brincadeira proporciona isso.

Logicamente, se ela brinca muito com outras crianças ela é mais sociável e está acostumada ao convívio, não é isso? Criança entre criança tem que lutar pelo que é seu. Quando brinca com o adulto, por exemplo, o pai e a mãe tem a tendências, as vezes, de ceder para criança fazer a parte mais importante da brincadeira. Mas entre criança não, então ela tem que ter iniciativa para se defender, ela é mais independente, e, principalmente, criança que brinca  livre, faz movimento, pode correr, saltar, ela tem saúde.

Sabemos que na Pastoral da Criança existe o “brinquedista”. O que é que se espera de um brinquedista na comunidade?

O brinquedista é o promotor e defensor de mais oportunidades para fazer com que as brincadeiras das crianças aconteçam em casa e na comunidade, e agora temos o brincador para ajudar o brinquedista nessa missão. Mas o brinquedista continua sendo o responsável pela preparação e acompanhamento dos brincadores.

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Quem é o brincador?

O brincador é a pessoa que tem o compromisso de organizar, todo mês, no dia da Celebração da Vida, um espaço para as crianças brincarem. O brincador também sugere brincadeiras para fazer com as crianças, e entra na brincadeira das crianças. O brincador não precisa ser um palhaço, ele tem que ser uma pessoa que goste de brincar, goste de criança, e entenda que quem manda na brincadeira é a criança.

Como evitar que as crianças destruam os brinquedos?

A questão da destruição é o limite, “olha o brinquedo é para brincar, esse brinquedo é de todo mundo, se você brincar assim, você vai estragar e depois seu coleguinha não vai poder brincar”. O limite tem que ser claro. Outra alternativa é distrair, convidar para uma outra brincadeira, para fazer outra coisa. Como o brinquedo não é de uma só criança, ela tem que respeitar e não pode destruir uma coisa que é de todos, esse limite tem que ser dado.

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O que é uma brincadeira de qualidade? E o que é preciso fazer para que ela aconteça?

Brincadeira de qualidade é a brincadeira escolhida pela criança, o que precisa é deixar a criança escolher como quer brincar, se puder ter brinquedo variado e outras crianças, essa brincadeira fica ainda mais enriquecida. Brincadeira de qualidade, é a brincadeira escolhida pela criança.

A Pastoral da Criança esta conseguindo que nas comunidades o brincar aconteça?

Nas comunidades, onde tem brinquedista, começamos  ver essas oportunidades aumentando. Infelizmente, nós estamos com muito poucas comunidades com brinquedistas, por isso que criamos a estratégia do brincador, porque é bem mais simples. O brincador não precisa fazer capacitação do guia, não precisa nem morar na comunidade. Podem ser jovens que morem perto e que possam ir na celebração da vida. Queremos, pelo ao menos, garantir o brincador na celebração da vida, e mostrar assim, esse ponta pé inicial, como é importante brincar, para que realmente, aumente as oportunidades das crianças brincarem nas comunidades.

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

1164 - Importância do brincar - 13/01/2014

Sul
 
Norte
 

Como a Pastoral da Criança faz

Frederico Westphalen (RS) promove tarde de brincadeiras de rua

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Crianças se divertem na Rua do Brincar

A Pastoral da Criança da Diocese de Frederico Westphalen (RS) realizou no último dia 15 de novembro, na Praça Largo Vitalino Ceruti, a “Rua do Brincar”, uma das atividades incentivadas pela Pastoral da Criança. Participaram das brincadeiras mais de 300 pessoas, entre mães, pais e crianças de todas as idades. Todos puderam brincar de roda, pular corda, amarelinha, jogar peteca, bola de gude, botões, três Maria, além de usar bambolê, cata-vento, sapatas de lata, carrinhos e outras brincadeiras.

Dra. Zilda

“A família permanece a unidade basilar da sociedade e a primeira escola onde as crianças aprendem os valores humanos, espirituais e morais que as tornam capazes de ser faróis de bondade, integridade e justiça nas nossas comunidades”.

Papa Francisco

“Os primeiros anos de vida são os principais para que a criança adquira valores culturais e se transforme em semente de paz”

Segundo Nelacir Santos, coordenadora do setor, um dos objetivos dessa ação foi mostrar aos pais a importância das brincadeiras no desenvolvimento da criança, “principalmente quando essas brincadeiras tem a participação dos pais, o que raramente acontece, porque a necessidade de buscar o alimento, a educação e que mais o filho necessita, faz com que os adultos deixem seus filhos muito tempo em frente ao televisor ou computador. Nossas crianças não sabem mais brincar”, completa Nelacir.

Os brinquedos usados neste evento foram todos confeccionados pelas líderes das comunidades, a maioria com materiais reciclável, e posteriormente doados aos participantes. Também foi servido lanche com frutas, bolos, sacolés, sucos e  água, tudo doado por pessoas da comunidade e empresas locais.

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Formação para Brinquedistas da Pastoral da Criança em Jequié (BA)

Foi realizado na cidade de Aiquara (BA), setor de Jequié, o curso de formação e aprimoramento da Ação Brinquedos e Brincadeiras, sob a orientação da multiplicadora Vanuza Lima da diocese de Jequié.  “É uma ação muito importante para o resgate da brincadeiras que antes eram feitas pelas crianças com materiais totalmente reciclados”, salienta a multiplicadora Vanuza Lima. Durante o encontro foram confeccionados bonecos de pano e novelo pelos brinquedistas, com o objetivo maior de interagir as crianças nos momentos da celebração da vida. A brinquedista Annehallen Menezes de Dário Meira  ressaltou que essa ação também contribui para a preservação do meio ambiente, “fazer reciclagem de panos, latão e garrafa pet nas elaborações dos brinquedos levam as crianças a sensibilizar-se com a preservação do meio ambiente”.

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Dia do brincar em Passo Fundo (RS)

A Pastoral da Criança, com o apoio da Prefeitura de Passo Fundo (RS), realizou no mês de maio deste ano, uma atividade para comemorar o Dia do Brincar. Durante a tarde aconteceram oficinas de confecção de brinquedos, apresentações artísticas, além de brincadeiras para toda comunidade. A ação buscou conscientizar sobre a importância do brincar, muitas vezes esquecida com as novas tecnologias, e  incentivar os pais a brincarem com seus filhos.

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E SDG Icons NoText 033º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

"Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades"

A Pastoral da Criança forma brincadores, através dos líderes, para promover brincadeiras saudáveis para o desenvolvimento das crianças. Ele não precisa ir na capacitação guia, apenas na celebração da vida e basta morar perto das comunidades que pretende atender. Existem também brinquedistas em algumas comunidades, mas esses em menor número, mas o esforço para aumentar ambos é constante na Pastoral, para assim garantir uma vida saudável e de bem estar para crianças e, consequentemente, para a comunidade.

44º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.

A Pastoral da Criança sempre procura incentivar o brincar para as crianças. Nas Celebrações da Vida, o brinquedista ensina aos pais como brincar com as crianças de acordo com a idade e os líderes que acompanham dão dicas de tarefas que as crianças podem desenvolver. Auxiliar nesse crescimento ajuda a promover o desenvolvimento da criança para que ela tenha uma vida com mais segurança e auto estima.