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Foto: Jardim das Irmãs

“O amor é mais forte que a morte. Somente o amor nos protegerá até o dia em que toda lágrima será enxugada” (Ap 21, 4).

Os adultos sempre se perguntam se devem conversar ou não com as crianças sobre o morte. A resposta é sim, porque a morte é inerente à nossa existência, não podemos privar as crianças de uma boa conversa sobre a morte, pois em algum momento elas irão perder um ente querido ou um animal de estimação.

Uma conversa franca de linguagem simples, sem eufemismo é a melhor maneira de abordarmos este tema com as crianças. Uma maneira de conversar sobre este tema é quando ocorrer uma morte, assim a criança terá uma situação concreta para conversar.

Assim como os adultos, as crianças precisam vivenciar o processo de luto para elaborar a perda. Porém, é comum a criança manifestar sua tristeza aos poucos nos intervalos de suas brincadeiras e nas próprias brincadeiras. No brincar de faz de conta a criança manifesta de forma implícita os seus sentimentos, tentando entender o que está acontecendo.

Piaget relata em seus estudos uma situação em que a criança presencia a família matando um pato para o jantar. Há noite quando vão chamá-la para jantar a criança está deitada na cama imitando o pato morto. Esse brincar de faz de conta, revivendo uma situação real ajuda a criança a compreender a realidade e a lidar melhor com ela.

Além do brincar de faz de conta, uma outra forma da criança manifestar sua perda é através do desenho. Por exemplo, uma criança de 6 anos que gostava muito de um cachorro que ficou doente e morreu, pode passar a tarde desenhando os momentos da doença do cachorro e pôr fim a sua morte.

Desde muito pequena, a criança é capaz de entender a perda, mas para ela esta ideia é reversível. Somente mais tarde a criança vai compreendendo a irreversibilidade da morte. É importante desculpabilizar a criança numa situação de perda, pois é comum a ela achar que um pensamento mau provocou um acidente, ou algo grave, por exemplo.

A perda de algum membro da família é um momento bastante delicado, que gera insegurança e muita tristeza. Apesar de ser uma situação extremamente difícil, é preciso conversar e contar para as crianças a verdade do que aconteceu.

Prof. Dra. Ida Regina

 

 

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