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 Para Deusilene, de Itumbiara (GO), o contato com as famílias é o principal motivador do voluntariado

A Pastoral da Criança é feita, basicamente, de seus voluntários. Essa é uma afirmação recorrente e que faz jus à importância dessas pessoas no trabalho pastoral: segundo dados do 2º trimestre de 2014, mais de 200 mil pessoas estão espalhadas pelo Brasil levando a missão da Pastoral da Criança – “Para que todas as crianças tenham vida em abundância” (Cf. Jo 10, 10) – às crianças e famílias que mais necessitam. Deste total, 55% são líderes e o restante faz parte do grupo chamado “apoio na comunidade”.

Muito importantes no trabalho da Pastoral da Criança, muitas vezes, é a partir do apoio que as pessoas se sentem inspiradas e iniciam a atuação como líderes. “Minha amiga me convidou para ajudar a servir o lanche na Celebração da Vida e, a partir disso, passei a ajudar todos os sábados de Celebração. Fiquei como apoio e depois de quatro meses me capacitei”, conta Deusilene Campos de Carvalho, da Paróquia São Sebastião, em Itumbiara, Goiás. Líder há 11 anos, Deusilene já foi capacitadora do Guia, comunicadora popular, comunicadora de rádio, atua no Conselho de Assistência Social da Cidade representando a Pastoral e coordena a Pastoral da Criança em sua paróquia. “Mas o que eu mais gosto é ser líder. O contato com as famílias me motiva cada dia mais a continuar nesse trabalho”, explica.

Exemplo de dedicação

A função do líder é essencial na Pastoral da Criança. É ele que vai acompanhar de perto a situação de cada criança e das gestantes, vai orientar a família para o desenvolvimento pleno da infância e também vai ser o rosto da Pastoral da Criança em cada casa que abrir as portas para esse trabalho. “Quando eu engravidei da minha primeira filha, recebi a visita de uma senhora que se apresentou como líder da Pastoral da Criança e me perguntou se eu queria participar, que ela iria me acompanhar da gestação até os seis anos da minha filha. Acabei aceitando, mas, até ali, nunca tinha ouvido falar sobre a Pastoral”, conta Elisiane Benites, do município de São Borja, no Rio Grande do Sul. “Daí em diante era sagrado pra mim: as últimas terças-feiras de cada mês, quando era o dia da Celebração da Vida, eu não faltava”, lembra. Elisiane afirma que quando a coordenadora convidou as mães para participarem da capacitação para novos líderes, foi natural: “Senti que eu queria ser uma líder e era uma forma de eu continuar, pois eu amava estar naquela comunidade pela Pastoral da Criança”.

Criança ajuda criança

Para fazer a capacitação de líder, a pessoa deve ter no mínimo 18 anos. Mas há casos de crianças que acompanham os familiares que são líderes e ajudam de alguma forma: algumas vezes auxiliando no preenchimento do Caderno do Líder, principalmente os líderes que não sabem escrever, ou apenas acompanhando o líder nas visitas. O indicado é a partir dos 12 anos, mas há crianças que logo que deixam de ser acompanhadas pela Pastoral da Criança, despertam o desejo de auxiliar seus familiares nas visitas.

Há também casos de adolescentes que foram líderes mirins e, antes mesmo de completar 18 anos, recebem o apoio para serem capacitados. Nestes casos, eles são importantes para falar com adolescentes grávidas.

Se o convite daquela líder fez Elisiane entrar na Pastoral da Criança há 12 anos, sua dedicação nos últimos seis anos também serviu de modelo. Depois de capacitada como líder, ela também virou brinquedista, capacitadora de Brinquedos e Brincadeiras, e, ao levar o exemplo para dentro de casa, inspirou outras pessoas: o marido e a filha. “Hoje ele também é um líder e meu braço direito”, diz, e a filha, que foi inicialmente acompanhada na Pastoral da Criança, agora é líder mirim. (Veja mais no box)

Histórias como a de Elisiane não são difíceis de encontrar entre os voluntários da Pastoral da Criança. Dezenas de líderes iniciaram sua caminhada na Pastoral da Criança tendo, inicialmente, sua gravidez, ou filhos, acompanhados. Eliana Trindade teve acompanhamento da Pastoral durante a gestação e crescimento de seus dois filhos no estado de São Paulo. Quando mudou para Poço Verde, em Sergipe, foi em busca da Pastoral da Criança para continuar o acompanhamento e descobriu que a comunidade estava precisando de voluntários. “Fiquei uns meses e fiz a capacitação para líder”, relata. Depois de dez meses como líder, foi convidada para ser Coordenadora Paroquial da Pastoral. “Estou aprendendo aos poucos com as líderes. Quando tenho alguma dúvida, vou até a antiga coordenadora e ela me ajuda. Quando erro em alguma coisa, falo estou aprendendo e, se Deus quiser, eu chego lá!”, explica.

Para além das religiões

Nuri de Oliveira Baptista mora na Brasilândia, zona norte da cidade de São Paulo. Frenquentadora da Igreja Universal do Reino de Deus, Nuri afirma que apesar do trabalho que fazia em sua igreja, sentia que deveria dar algo a mais e descobriu, quando, em 2003, viu uma participação da Dra. Zilda Arns na televisão. “Quando ela começou a falar eu parei para prestar a atenção. Ela contava sobre o trabalho da Pastoral da Criança e, quanto mais ela falava, mais aquelas palavras entravam no meu coração. Foi quando eu entendi o que Deus queria de mim”, relata. No mesmo dia, ela buscou mais informações com a irmã, que já era líder na Pastoral, e depois de diversos questionamentos, perguntou se poderia trabalhar na Pastoral da Criança mesmo sendo de outra religião. “Foi quando ela me disse que a Pastoral era ecumênica”, recorda.

Dra. Zilda

"É sempre a arte e a técnica de multiplicar o saber e a solidariedade com muito carinho, porque é isso que todos precisam".

Papa Francisco

“Cada cristão é missionário na medida em que testemunha o amor de Deus”.

Nuri foi então em busca da coordenadora local e logo começou a fazer visitas. Ficou seis meses como apoio e em seguida foi capacitada como líder. “Então percebi que estava no caminho certo e que eu queria avançar para águas mais profundas. E então eu fui...”, relata. No mesmo ano, ela foi convidada a ser capacitadora de líderes, em seguida passou a ser brinquedista. “Hoje eu sou capacitadora da ação, multiplicadora do Guia do Líder, coordenadora de área do setor Nova Esperança da Região Episcopal Brasilândia e multiplicadora de Brinquedos e Brincadeiras da Arquidiocese de Sâo Paulo. E, por tudo isso, eu só tenho a agradecer a Deus e a todas as pessoas que me acompanharam nesta caminhada, me ensinando, fortalecendo e compartilhando desse trabalho”.

Convide +1

Os voluntários da Pastoral da Criança são responsáveis por desenvolver ações de saúde, nutrição, educação, cidadania e espiritualidade de forma ecumênica aos mais necessitados. Desde 2012, a Pastoral da Criança desenvolve a campanha Convide +1, onde pede para que cada pessoa convide mais um voluntário. A proposta é aumentar o número de pessoas que trabalham por uma infância e gestação mais digna e justa em todos as regiões.