MutiraoO desejo de ser mãe, de ter filhos e de cuidar deles chega a quase todas as mulheres, mas a decisão depende de cada uma delas. Toda mulher tem direito a uma gravidez saudável e a um parto seguro. Por isso, logo que a mulher descobre que está grávida, ela deve procurar imediatamente a unidade básica de saúde mais próxima de sua casa, para confirmar a gravidez e iniciar o seu acompanhamento pré-natal.

Para conversar sobre o Mutirão em busca das gestantes - uma das principais ações da Pastoral da Criança para orientar sobre a importância dos cuidados desde o início da gestação (que dá início à contagem dos primeiros 1000 dias de vida) -, confira e entrevista com Dra. Thereza Kaiser Batista, assistente técnica da coordenação nacional.

Viva a VidaPrograma de rádio Viva a Vida
Programa de Rádio 1233 - 18/05/2015 - Mutirão em busca das gestantes


Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

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A busca e o acompanhamento da gestante sempre foi um desafio para a Pastoral da Criança. Como a instituição está realizando esse trabalho?

A Pastoral da Criança orienta que os líderes devem fazer um mutirão em busca das gestantes. Essa ação deve acontecer quatro vezes ao ano - em fevereiro, maio, agosto e novembro - para encontrar gestantes que estejam logo no início da sua gravidez.

Como é organizado esse mutirão em busca das gestantes?

Os líderes se reúnem e visitam as casas da comunidade, perguntando se existe gestante em cada residência. Se existir alguma gestante, conversam com ela, perguntam se quer ser cadastrada e falam da cartela dos 1000 dias.

Dra. Thereza, a senhora falou em 1000 dias. O que são esses 1000 dias?

1000 dias é o período que vai desde o início da gestação até os dois anos de idade da criança. Estudos científicos apontam que os cuidados nos primeiros 1000 dias de vida de uma pessoa podem afetar a saúde dela para sempre. Por isso, a Pastoral da Criança vem orientando que a gestante seja acompanhada desde o primeiro mês de gestação.

Depois que a Pastoral da Criança cadastra a gestante que encontrou no mutirão, o que acontece?

Todo mês, o líder volta na casa dessa gestante, levando informações sobre cada trimestre de gestação, até o bebê nascer. Quando o bebê nasce, o voluntário cadastra o bebê no seu caderno e vai acompanhá-lo até os seis anos de idade. No caso de uma gestante de risco, a líder deve procurar visitar mais vezes essa gestante, acompanhar mais de perto essa gravidez e atender as necessidades da futura mãe. Se ela não tiver uma companhia para ir ao pré-natal, muitas vezes a líder vai com ela às consultas e exames.

Quais são os diretos da gestante na unidade básica de saúde?

O primeiro é o exame de gravidez pra saber se está grávida. Depois, a realização da primeira consulta de pré-natal. Nesta consulta, são pedidos alguns exames básicos: de sangue, de urina, questão da vacinação antitetânica, da vacinação da hepatite B e da gripe. Todo mês é feita a medida da altura uterina. Em alguns momentos, é pedida uma ecografia para ver como está a gravidez. E depois que ela tem o neném, há uma consulta no puerpério, no pós-parto.

Toda unidade básica de saúde é obrigada a fazer os exames e prestar atendimento a mulher gestante, não é mesmo? E se o posto de saúde não disponibilizar certos exames, o que fazer?

Normalmente, a unidade de saúde acompanha. Quando não tem o atendimento, encaminha para uma unidade mais próxima. Se na unidade de saúde mais próxima também não tiver, compete à comunidade se organizar e exigir do governo que tenha pelo menos atendimento básico à gestante.

Quais são os maiores desafios que o líder da Patoral da Criança encontra nesse trabalho de acompanhamento desde o início da gestação?

Primeiro, muitas gestantes não sabem que estão grávidas. Segundo, que algumas sabem e por algum motivo pessoal, de ordem emocional, não querem dizer que estão grávidas. Então, é muito difícil pegar desde o primeiro, segundo mês de gestação. Normalmente se vê que a mulher está gravida quando a barriga começa aparecer, quando vai para o quarto, quinto mês de gestação ou mais tarde ainda. Varia de gestante para gestante. Então, realmente, com a visita no Mutirão em busca de gestantes, indo de casa em casa, se tornando amiga das mulheres e das famílias, é mais fácil de captar essa gestante desde o início.

A Pastoral da Criança acompanha cerca de 70 mil gestantes, mas no Brasil são mais de dois milhões. Como é que a Pastoral da Criança chega até essas outras gestantes?

O site da Pastoral da Criança tem trazido, semanalmente, um tema importante para ser olhado. Outro destaque é o programa de rádio Viva a Vida, que é feito há muitos anos na Pastoral da Criança e tem uma extensão muito grande de público. Esse programa Viva a Vida chega em muitos lugares, antes mesmo de ter Pastoral da Criança, e abre os caminhos para que a Pastoral da Criança possa se instalar no município.

 

 


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