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“Tem diferença, sim” conta a líder Maria José Souza da Silva, de Recife, Pernambuco, quando fala sobre o acompanhamento de crianças com microcefalia. A malformação passou a ter destaque na mídia a partir de novembro de 2015, quando notou-se que o número de crianças nascidas com suspeitas da doença cresceu de maneira anormal no Nordeste. Seis meses depois, o Ministério da Saúde confirmou a relação da microcefalia com o zika vírus. Desde o início, no estado de Maria José concentra o maior número de suspeitas e de casos confirmados de microcefalia no país. Atualmente, ela acompanha duas crianças - uma de sete meses e outra de seis anos - que têm a confirmação da malformação.

Informe Epidemiológico do Ministério da Saúde (nº 23) afirma que são 733 malformações em investigação, 816 casos descartados, e 334 confirmados no estado. Os casos têm aparecido aos poucos nas comunidades onde a Pastoral da Criança atua. Confirmados são pelos menos quatro casos, mas outros ainda estão sendo investigados. Maria José conta que cadastrou o bebê aos quatro meses, quando ele e a mãe se mudaram para a casa da avó, na comunidade Ilha do Joaneiro. “É diferente porque tem que acompanhar mais frequentemente estes casos, saber se a mãe cuida direito, faz tudo o que é indicado no serviço de saúde”, explica.

Confira o último Informe Epidemiológico do Ministério da Saúde (nº 25)

Doenças congênitas: outras causas da microcefalia

Quando a líder aponta “estes casos”, no plural, está falando não apenas nos casos mais recentes de microcefalia, mas de todos aqueles que as crianças apresentam algum retardo no desenvolvimento, seja físico ou mental. Até porque a microcefalia não é algo novo. Apesar da divulgação da doença ter crescido consideravelmente nos últimos meses por conta da relação com o zika vírus, a microcefalia já acontecia no Brasil motivadas por outras doenças congênitas, como rubéola, sífilis, varicela e toxoplasmose.

Dra. Zilda

“O líder da Pastoral da Criança acompanha, ora, vigia, como o Bom Samaritano que busca o bem e a saúde de quem precisa”.

Papa Francisco

“Como o Bom Samaritano, não nos envergonhemos de tocar as feridas de quem sofre, mas procuremos curá-las com gestos concretos de amor”.

Não é de hoje que Maria José conhece as necessidades das famílias que têm crianças assim dentro de casa. Há pouco mais de seis anos, por exemplo, ela acompanha uma criança com microcefalia que tem um grau maior de comprometimento. Apesar de ter completado a idade limite para ser acompanhada pela Pastoral da Criança, a líder afirma que o carinho pelo menino e a dedicação da mãe a fazem continuar com as visitas à família. “Ele continua fazendo tratamento, fisioterapia... A mãe é muito cuidadosa”, conta.

Conhecer as adversidades

No caso do bebê de sete meses que está sendo acompanhado, Maria conta que a família soube ainda na gravidez que havia uma grande possibilidade dele nascer com microcefalia. Ao conhecer o caso, a primeira providência foi uma visita à família. “Queria saber quais eram as dificuldades para poder orientar”, lembra.

Para Cleonice Soares, líder em Olinda, que acompanha uma menina de seis meses com microcefalia, o acompanhamento ainda é semelhante aos demais. “Ela ainda não demonstrou muita diferença, mama normalmente, como as outras crianças. Talvez perceba essas diferenças quando ela estiver maiorzinha”, acredita. Ela explica que também procura participar mais da dinâmica de cuidados da criança: vai à unidade de saúde para conferir as indicações dadas à mãe, e se o tratamento está sendo feito de maneira correta pela família.

Maria José dos Santos, líder em Jaboatão, acredita que, no seu caso, a dificuldade maior é com a mãe da criança que acompanha. Atualmente o bebê está com sete meses, e mesmo com toda a assistência recebida pelo serviço de saúde, com ações que auxiliam no desenvolvimento da menina, a mãe tem resistência em reconhecer a malformação da filha. “Ela soube depois do nascimento [da condição], mas ela chora e não quer admitir”, relata. Ela acredita que essa situação pode ser revertida ao longo do tempo. “Vou aconselhando. Aos poucos ela vai encarar a realidade que ela tem que aceitar a filha dela”.

Prevenção

Entre as gestantes, a principal indicação das líderes é o cuidado com a limpeza do local onde moram, evitando o acúmulo de água onde o mosquito Aedes aegypti, transmissor do zika vírus, possa se desenvolver. “Falamos pra elas evitarem lugares fechados e escuros, perto do mato e usar repelente”, indica Maria José. Como nem todas têm condições de comprar o item que afasta os insetos, a líder indica o uso de “roupas mais fechadas”, como calças e blusas de mangas compridas. Para muitas, essa pode ser a única saída para garantir uma gravidez tranquila.


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