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Juberlândia da Silva em atividade da Pastoral da Criança na comunidade São José, Taguatinga (DF)

A vacinação contra a gripe H1N1 se concentra em alguns públicos específicos: idosos, crianças com idade entre seis meses e cinco anos, gestantes e mulheres até 45 dias após o parto. Apesar de ter um bebê de seis meses, Juberlândia da Silva, 35 anos, voluntária da Pastoral da Criança na comunidade São José, em Vicente Pires/Taguatinga (DF), não entraria nessa lista. A campanha de vacinação contra o H1N1, que aconteceu de 30 de abril até o dia 20 de maio, iniciou depois do falecimento de Juberlândia, no dia 31 de março. 

O que começou com uma dor costumeira, em pouco tempo piorou e levou a voluntária ao médico. Sempre tímida, ela demorou quase uma semana para procurar ajuda médica, o que, para Adriana Lima de Almeida, coordenadora da Pastoral da Criança na Paróquia onde Juberlândia atuava, pode ter sido um erro. “Ninguém no hospital alertou a possibilidade de ser uma gripe A, mas sim de uma pneumonia muito forte. Nos dois dias antes da morte, os familiares receberam luvas e máscaras”, lembra a coordenadora.

Dra. Zilda

“A luta deve continuar para haver políticas públicas que gerem oportunidades iguais para todos”.

Papa Francisco

“Aprendamos a viver a solidariedade. Sem a solidariedade, a nossa fé está morta”.

Confusão de doenças

A gripe é causada pelo vírus da Influeza e tem algumas variações. Uma delas é a H1N1, também conhecida como gripe A, ou gripe suína, já que se manifestou primeiramente nos porcos. Essas variações do vírus da gripe facilmente tendem a ser confundidas com resfriados – que têm sintomas semelhantes, mas são causados por outros vírus – ou outras doenças, como foi o caso de Juberlândia. Ela acreditava que a dor abdominal que sentia era devido a cirurgias anteriores. Os sintomas de uma gripe apareceram poucos dias depois, mas só quando o quadro ficou insuportável a voluntária procurou ajuda médica. Para Adriana, ainda há “dificuldade em reconhecer a doença”

A voluntária foi internada, após passar por dois médicos, com um quadro de pneumonia grave. Ficou de quinta à terça-feira, dia de sua morte, internada. Até o último dia, recebeu visitas de familiares, amigos e companheiros da Pastoral da Criança. Segundo Adriana, até o último momento ela estava consciente e conversando com as visitas. Após o falecimento, toda a família foi procurada para receber a vacina - além do bebê, ela tinha ainda outros dois filhos - e os voluntários da Pastoral da Criança que participaram da campanha de vacinação no Distrito Federal também receberam a dose. “Deixei claro para a equipe do serviço da saúde que realizava a campanha que era uma possibilidade [do contato com o vírus] e pedi para todos serem vacinados”, explica a coordenadora.

A doença só foi confirmada meses após o falecimento, causando espanto em Adriana. “Essa família é muito caseira. Fiquei muito surpresa por ela ter a doença”. Até que a família se reestabeleça do choque, eles têm sido acompanhados pelos colegas da Pastoral da Criança e pela comunidade, que promoveu um mutirão de leite e fralda para o bebê.

Com a experiência, além da vacinação, os líderes têm intensificado as indicações de cuidado para evitar o vírus, que incluem lavar as mãos várias vezes ao dia e arejar os ambientes, provando novamente que a prevenção continua sendo o melhor remédio.

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