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Alfabetização infantil: desafios e o papel da família

Detalhes
Última Atualização: 20/08/2026
Crédito: pexels/arteempodrez

Quando uma criança aprende a ler e escrever, não são apenas letras que se juntam. As histórias ganham sentido, as ideias encontram voz e o mundo se torna maior. A alfabetização amplia a autonomia, fortalece a confiança e abre novas possibilidades para o futuro. Garantir essa aprendizagem é um direito de toda criança.

Mas essa conquista começa a ser construída muito antes do primeiro dia no ensino fundamental. Conversar, brincar, cantar, ouvir histórias e explorar livros são experiências que ampliam o vocabulário, despertam a curiosidade e aproximam a criança da linguagem escrita. A família pode oferecer muitos desses estímulos no cotidiano, enquanto a escola e as políticas públicas asseguram as condições necessárias para que ela aprenda.

Alfabetização infantil: avanços e desafios no Brasil

O Brasil tem avançado, mas o desafio ainda é grande. Segundo dados do Ministério da Educação (MEC) e do Inep, o percentual de estudantes da rede pública considerados alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental passou de 36% em 2021 para 56% em 2023. Em 2025, o Indicador Criança Alfabetizada chegou a 66%, superando a meta de 64% estabelecida para o ano. O objetivo nacional é alcançar 80% até 2030.

Os números mostram uma evolução importante, mas também revelam que cerca de uma em cada três crianças avaliadas ainda não atingiu o padrão esperado de alfabetização. Para que nenhuma delas fique para trás, são necessárias escolas preparadas, professores valorizados, políticas públicas contínuas e uma rede de apoio capaz de respeitar o tempo, as necessidades e a realidade de cada criança.

Uma rede de cuidado que favorece a aprendizagem

É nessa rede de cuidado que a Pastoral da Criança também está presente. Por meio do acompanhamento às famílias, seus líderes voluntários ajudam mães, pais e cuidadores a perceber o valor de experiências simples, como conversar, brincar, contar histórias e explorar livros com as crianças. São atitudes que fortalecem os vínculos e contribuem para o desenvolvimento infantil e para a aprendizagem.

Nesta entrevista, Priscila do Rocio Costa, pedagoga e coordenadora técnica da Pastoral da Criança, explica os desafios da alfabetização e mostra por que alfabetização e letramento caminham juntos: não basta reconhecer letras; é preciso compreender, atribuir sentido e usar a leitura e a escrita no cotidiano.

Você pode ler o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

Neste conteúdo você encontrará:

  • O que é alfabetização e por que é tão importante no desenvolvimento da criança?

  • Quando começa a alfabetização?

  • O que pode ser feito em casa para incentivar a alfabetização?

  • De que maneira a tecnologia pode contribuir ou prejudicar a alfabetização?

  • Como respeitar o tempo de cada criança, sem pressionar, e observar possíveis atrasos na alfabetização?

  • Como enfrentar as desigualdades sociais que impactam na alfabetização?

  • Nas famílias em que os pais não são alfabetizados, como eles podem ajudar os seus filhos?

Priscila do Rocio Costa, pedagoga e membro da equipe técnica
da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança

Entrevista com Priscila do Rocio Costa, Pedagoga da área de desenvolvimento infantil da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

Priscila, o que é alfabetização e por que é tão importante no desenvolvimento da criança?

PRISCILA:

A alfabetização é muito mais do que aprender as letras, os números, a juntar as sílabas. Ela é um processo em que a pessoa começa a descobrir um mundo novo. Consegue ler uma história, entender uma placa na rua, escrever um bilhete ou fazer uma lista de compras.

Mas aprender a ler não é apenas reconhecer as palavras. É compreender o que está sendo lido e conseguir refletir e usar esse conhecimento no dia a dia. É isso que chamamos de letramento.

Quando a criança aprende a ler com compreensão, ela ganha autonomia, participa melhor da escola, da família, da comunidade e da sociedade. Então, a alfabetização abre portas para novos conhecimentos.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1824 - 07/09/2026 - Desafios da Alfabetização

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Priscila, quando começa a alfabetização?

PRISCILA:

Muita gente pensa que a alfabetização começa apenas quando a criança entra lá no primeiro ano do ensino fundamental.

Mas o preparo para esse aprendizado começa muito antes. Começa em casa, quando a família conversa, canta, conta histórias, quando ela brinca, responde às perguntas e desperta a curiosidade da criança. Depois, pode continuar na creche, um espaço de cuidado, aprendizagem e desenvolvimento. E lá na pré-escola, para as crianças com 4, 5 anos, ela amplia o vocabulário, desenvolve a atenção, a imaginação, a linguagem, o interesse pelos livros, pelas histórias e fortalece a coordenação das mãos, por meio de desenhos, rabiscos, pinturas e brincadeiras, preparando-se para aprender a escrever nas fases seguintes.

Por isso, a matrícula na pré-escola é obrigatória. É um direito da criança e uma etapa fundamental para a sua preparação.

A alfabetização é construída aos poucos, com a participação da família, da escola e de toda a sociedade.

E além da escola, o que pode ser feito em casa para incentivar a alfabetização?

PRISCILA:

A família tem um papel fundamental na alfabetização. Pequenas atitudes do dia a dia fazem toda a diferença, como conversar, contar histórias, olhar livros junto com a criança, responder às suas curiosidades e incentivar as brincadeiras, os desenhos, as pinturas e outras atividades que desenvolvem a criatividade e a coordenação dos movimentos.

Também é importante aproximar a criança dos livros, dos gibis infantis, frequentar as bibliotecas, participar de trocas de livros e contação de histórias na comunidade e criar momentos de leitura em família. Quando a criança percebe que a leitura, o diálogo e a aprendizagem são valorizados em casa, ela se sente mais motivada.

E quando já está na escola, a família deve acompanhar, orientar e incentivar, mas sempre permitindo que a criança desenvolva sua autonomia.

O carinho, a presença e o incentivo da família são grandes aliados na alfabetização.

Priscila, de que maneira a tecnologia pode contribuir ou prejudicar a alfabetização?

PRISCILA:

A tecnologia pode sim ser uma aliada da alfabetização quando usada como um recurso pedagógico, com supervisão do adulto, respeitando o tempo de telas, recomendado para cada idade e escolhendo conteúdos de qualidade. Mas ela nunca, jamais pode substituir a participação da família, porque é nas conversas, nas brincadeiras, na leitura de histórias, no desenhar, no manusear livros, lápis, a tesoura, em tantas outras experiências do dia a dia que a criança vai desenvolver a linguagem, a coordenação motora, a motora fina das mãos, do movimento de pinça com os dedos, de pegar, manusear objetos, até mesmo o lápis, o giz, isso que vai ajudar nessa coordenação para desenvolver a escrita, mas também a imaginação da criança, estimular isso para que ela desenvolva seu pensamento crítico, seu pensamento matemático. Não simplesmente para ela aprender a ler por ler, mas interpretar, entender o que ela está lendo e desenvolver o gosto pela leitura.

Um estudo recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, mostrou que mais da metade das famílias brasileiras que participaram do estudo raramente ou nunca leem para as crianças e que metade das crianças de 5 anos usam telas todos os dias.

Priscila, como respeitar o tempo de cada criança, sem pressionar, e observar possíveis atrasos na alfabetização?

PRISCILA:

Cada criança aprende de um jeito e no seu próprio ritmo. Comparar um filho com o outro, apressar as etapas ou pressionar para que a criança aprenda o mais rápido possível pode gerar ansiedade, traumas e dificultar esse processo.

Ao mesmo tempo, é importante que a família e a escola caminhem sempre juntas, dialoguem e observem se existem dificuldades persistentes para falar, compreender, ler, reconhecer as letras, os números ou acompanhar as atividades.

Quando essas dificuldades permanecem, vale procurar a orientação de profissionais da saúde, da educação, porque quanto mais cedo uma necessidade é identificada, maiores são as possibilidades de oferecer o apoio adequado, os encaminhamentos necessários, inclusive quando há suspeita de autismo, de dislexia, que é uma dificuldade específica na leitura e na escrita, ou outras condições do neurodesenvolvimento.

Aproveito e faço o convite para conhecerem o e-Neurodiversidade, presente no Aplicativo da Pastoral da Criança, disponível para todos. Nele, vocês terão mais informações e orientações sobre esses temas.

Como enfrentar as desigualdades sociais que impactam na alfabetização?

PRISCILA:

Toda criança tem direito de aprender. E para isso nós precisamos de escolas acolhedoras, com estruturas seguras, profissionais capacitados e valorizados, uma alimentação escolar saudável, de qualidade, materiais e recursos adequados e oportunidades para todas as crianças.

Mas sabemos que a transformação também depende da comunidade. A gente enfrenta vários desafios, como falta de vagas, de escolas, de estruturas adequadas, de profissionais, entre tantas outras situações.

E quando famílias, escolas, serviços de saúde, igrejas, organizações sociais e o poder público caminham juntos, nós conseguimos criar um ambiente mais favorável para que cada criança desenvolva todo o seu potencial e tenha esse direito atendido.

Então, cuidar das crianças e da educação é uma responsabilidade de todos.

E nas famílias em que os pais não são alfabetizados, como eles podem ajudar os seus filhos?

PRISCILA:

Podem ajudar e muito. Mesmo quem ainda não sabe ler, pode ensinar pelo exemplo, pelo carinho, pelo incentivo. Ouvir quando a criança quiser contar uma história, olhar um livro junto com ela, incentivar que desenhe, fazer perguntas e conversar sobre o que ela aprendeu já fortalece esse processo.

E fica também um convite para os adultos. Nunca é tarde para aprender. Portanto, a Educação de Jovens e Adultos, o EJA, aí do seu município, oferece essa oportunidade.

Quando a família aprende junto, todos crescem.

Priscila, você poderia resumir em uma frase a importância da alfabetização na vida de uma criança.

PRISCILA:

A alfabetização é um direito que transforma vidas em qualquer idade, porque abre as portas do conhecimento, da cidadania, da autonomia e das oportunidades, permitindo que cada pessoa leia o mundo, exerça seus direitos e escreva sua própria história.

Leia a entrevista na íntegra

1824 - 07/09/2026 - Desafios da Alfabetização

 

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Educação de qualidade”.

Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos

Dra. Zilda

“Vamos educar nossas crianças com amor, pois esse amor se converte em gestos de fraternidade para o Brasil e o mundo”.

Papa Leão XIV

“Com efeito, não basta silenciar as armas: é preciso desarmar os corações, renunciando a toda forma de violência e vulgaridade. Deste modo, uma educação desarmante e desarmada cria igualdade e crescimento para todos, reconhecendo a igual dignidade de cada jovem, sem nunca os dividir entre aqueles poucos privilegiados que têm acesso a escolas caríssimas e aqueles muitos que não têm acesso à educação

Criança Alfabetização

Tráfico de crianças: entenda e saiba como denunciar

Detalhes
Última Atualização: 27/07/2026
Crédito: Magnific

O tráfico de crianças é uma grave violação dos direitos humanos e está mais presente na sociedade do que muitas pessoas imaginam. Apesar de ser frequentemente associado ao deslocamento entre países, muitos casos ocorrem dentro do próprio território nacional, quando crianças e adolescentes são levados de uma cidade ou estado para outro para serem explorados.

Redes criminosas se aproveitam principalmente de situações de vulnerabilidade social, econômica e familiar para aliciar as vítimas. Com falsas promessas de trabalho, melhores condições de vida ou ajuda financeira, elas afastam crianças e adolescentes de suas famílias e comunidades, expondo-os a diferentes formas de violência e exploração.

Perfil das vítimas

Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, 38% das vítimas de tráfico de pessoas identificadas no mundo são crianças, e o número de vítimas infantis aumentou 31% entre 2019 e 2022. As meninas são as principais vítimas de exploração sexual, enquanto meninos são mais explorados em trabalhos forçados e atividades criminosas.

No Brasil, o Ministério da Justiça e Segurança Pública reúne dados oficiais que mostram que o tráfico de pessoas ocorre tanto em rotas internas quanto internacionais, reforçando a necessidade de prevenção, denúncia e proteção das crianças e adolescentes.

Combate ao tráfico de crianças

O enfrentamento ao tráfico de crianças é responsabilidade de toda a sociedade, incluindo as famílias, as comunidades e a Igreja. É importante estar atento a situações suspeitas, conversar com as famílias, participar de ações de prevenção e fortalecer uma cultura de cuidado e proteção.

Diante de sinais de violência, exploração ou possível aliciamento, a denúncia pode ser feita gratuitamente pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia e permite o anonimato. Qualquer pessoa pode denunciar, e as informações são encaminhadas aos órgãos responsáveis.

O Conselho Tutelar do município também pode ser procurado e, em situações de emergência, flagrante ou risco imediato, deve-se acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.

Quando uma comunidade protege suas crianças, defende a vida e ajuda a interromper ciclos de violência e exploração.

Rede Um Grito Pela Vida

Fundada em 2006, a Rede Um Grito pela Vida é uma iniciativa intercongregacional composta por religiosas e religiosos de diversas congregações, além de leigas e leigos comprometidos com a erradicação do tráfico de pessoas. Clique aqui para conhecer.

Saiba mais sobre o tráfico de crianças

Para entender mais sobre os desafios do combate ao tráfico de crianças, confira a entrevista com Irmã Isabel do Rocio Kuss, coordenadora nacional da Rede Um Grito pela Vida.

Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é o tráfico de crianças?

  • Qual é a finalidade do tráfico de crianças? E que perfil de crianças os aliciadores mais procuram?

  • Que consequências podem sofrer as crianças traficadas, desaparecidas?

  • O que fazer se uma criança desaparece da família?

  • Que orientações devem ser dadas às crianças sobre como elas podem se proteger dos aliciadores?

  • Quais são as dicas de prevenção que os pais devem tomar para evitar ou dificultar o sequestro de crianças?

  • Como deve ser o acolhimento das crianças vítimas de tráfico?

  • O que a comunidade pode fazer para ajudar a combater o tráfico de crianças?

Irmã Isabel do Rocio Kuss

Entrevista com Irmã Isabel do Rocio Kuss, coordenadora nacional da Rede Um Grito pela Vida, rede que enfrenta o tráfico de pessoas.

Irmã Isabel, o que é o tráfico de crianças?

IRMÃ ISABEL:

O tráfico de crianças é uma grave e profunda violação da dignidade humana. Isso acontece quando crianças são recrutadas, transportadas, acolhidas ou mantidas para fim de exploração. Muitas vezes, ocorre por meio de falsas promessas, pelo engano, pela manipulação ou aproveitando situações de vulnerabilidade das famílias. E é importante lembrar que criança não é mercadoria, criança é sujeito de direitos e precisa ser protegida.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1818 - 27/07/2026 - Combate ao tráfico de crianças

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Qual é a finalidade do tráfico de crianças? E que perfil de crianças os aliciadores mais procuram?

IRMÃ ISABEL:

O tráfico de crianças pode ter várias finalidades: a exploração sexual, o trabalho infantil, adoções ilegais, exploração em atividades criminosas, mendicância e tantas outras formas de exploração. Os aliciadores procuram crianças em situação de maior vulnerabilidade, como a pobreza, a fragilidade familiar, a ausência de proteção, a pouca supervisão, violência ou situação de abandono, mas é importante dizer sempre que qualquer criança pode ser vítima. Por isso, a proteção precisa ser de todos, precisa ser de todas.

Irmã Isabel, que consequências podem sofrer as crianças traficadas, desaparecidas?

IRMÃ ISABEL:

As consequências podem ser muito graves. Além dos riscos físicos, podem existir traumas emocionais profundos: medo, ansiedade, depressão e marcas que acompanham a pessoa por toda a vida. Muitas crianças desaparecidas podem acabar sendo vítimas do tráfico de pessoas. Vítimas da exploração. Vítimas da violência e outras formas de violações de direitos.

O que fazer se uma criança desaparece da família?

IRMÃ ISABEL:

É importante destacar que não é necessário esperar 24 ou 48 horas. Pela Lei da Busca Imediata a família deve procurar imediatamente a polícia e registrar o desaparecimento. Também é importante fornecer foto recente, características físicas da criança, roupas que ela usava quando desapareceu, ou qualquer informação que ajude na sua localização. Quanto mais rápido acontecer a mobilização, maiores são as chances de encontrar a criança e encontrá-la com vida.

Irmã Isabel, que orientações devem ser dadas às crianças sobre como elas podem se proteger dos aliciadores?

IRMÃ ISABEL:

Precisamos ensinar as crianças a não aceitar presentes, convites ou ajuda de pessoas desconhecidas, sem a autorização da família. Também é importante orientá-las a não compartilharem informações pessoais e a terem cuidado nas redes sociais e jogos online. É algo muito importante, a criança precisa sentir que pode conversar com os pais ou responsáveis sobre qualquer situação que lhe cause medo ou desconforto.

Quais são as dicas de prevenção que os pais devem tomar para evitar ou dificultar o sequestro de crianças?

IRMÃ ISABEL:

 Então, os pais precisam acompanhar mais de perto a rotina dos seus filhos e filhas. Saber onde estão. Com quem estão e também acompanhar a vida digital dos seus filhos, das suas filhas. É importante conhecer seus amigos, as pessoas próximas e manter diálogo constante. Fotografias atualizadas e documentos organizados também ajudam em situações de emergência, mas a principal prevenção é fortalecer vínculos com as crianças. Criança que se sente escutada e protegida tende a comunicar situações de risco imediatamente aos seus pais.

Como deve ser o acolhimento das crianças vítimas de tráfico?

IRMÃ ISABEL:

O acolhimento precisa acontecer com muito respeito. Acontecer com muito cuidado e proteção. A criança não pode ser julgada e muito menos culpabilizada. Ela precisa ser escutada, acolhida com carinho e acompanhada por uma Rede de Proteção. A Rede de Proteção, que é a sua família, que é a Assistência Social do município, pelo pessoal da saúde, pela escola, pelo apoio psicológico. A recuperação não é apenas física, mas também emocional, afetiva e é humana.

O que a comunidade pode fazer para ajudar a combater o tráfico de crianças?

IRMÃ ISABEL:

O enfrentamento ao tráfico de crianças é responsabilidade de toda uma sociedade. É responsabilidade da Igreja. É responsabilidade da família. A comunidade pode estar atenta a situações suspeitas. Participar de ações de prevenção. Orientar famílias e denunciar casos de violência ou exploração. Também precisamos fortalecer a cultura do cuidado. Quando uma comunidade protege suas crianças, ela protege o seu futuro e defende a vida. E proteger as crianças é a missão de todos nós. Leia a entrevista na íntegra.

Que mensagem a senhora gostaria de enviar para os nossos ouvintes?

IRMÃ ISABEL:

Convidamos você a conhecer a Rede Um Grito pela Vida. Rede que enfrenta o tráfico de pessoas principalmente de crianças, adolescentes, jovens e mulheres. Faça parte dessa rede de proteção e cuidado, visite as nossas Redes Sociais e conheça um pouco mais a nossa vida e nossa missão.

1818 - 27/07/2026 - Combate ao tráfico de crianças

 

1

1º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

"Erradicação da pobreza"

Erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares

E SDG Icons NoText 03

10º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Redução de desigualdades”

Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países

16

16º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

"Paz, justiça e instituições eficazes"

Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis

Dra. Zilda

“Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los.”

Papa Leão XIV

"A instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes explorarem os mais vulneráveis, especialmente as pessoas deslocadas, os migrantes e os refugiados. Dentro deste paradigma falido, as mulheres e as crianças são as mais afetadas por este comércio hediondo. Além disso, o crescente abismo entre ricos e pobres força muitos a viver em circunstâncias precárias, deixando-os suscetíveis às promessas enganosas dos recrutadores.”

Combate Direitos

Dia dos Pais: cuidar dos filhos também é responsabilidade do pai

Detalhes
Última Atualização: 18/07/2026

Durante muito tempo, o papel do pai foi reduzido ao de provedor e autoridade responsável pela disciplina. Esse modelo afastou muitos homens do cuidado com os filhos e deixou sobre as mulheres a maior parte da responsabilidade.

Ser pai nunca deveria ter significado apenas sustentar a casa. A paternidade também exige cuidado, afeto, escuta, presença e compromisso com o desenvolvimento da criança.

A participação do pai não deve ser entendida como uma ajuda oferecida à mãe, mas como uma responsabilidade que precisa ser compartilhada.

O que a ciência diz sobre paternidade

A ciência associa o envolvimento paterno a melhores resultados no desenvolvimento social, emocional e cognitivo das crianças.

Uma pesquisa recente, que reuniu 65 estudos e dados de mais de 154 mil crianças, encontrou associação entre o envolvimento paterno e melhores competências socioemocionais, especialmente quando a relação é caracterizada por acolhimento, atenção e respostas sensíveis às necessidades da criança.

Isso não significa que a simples presença física de um pai garanta o desenvolvimento saudável, nem que exista apenas um modelo válido de família. O que faz diferença é a qualidade do cuidado oferecido.

Um pai ausente emocionalmente, violento ou que transfere todas as responsabilidades para a mãe não exerce uma paternidade verdadeiramente presente.
Pesquisas sobre regulação emocional mostram justamente que os resultados dependem da qualidade do envolvimento e das características das relações familiares, e não apenas da quantidade de tempo compartilhado.

Orientações do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde orienta que essa participação comece ainda na gestação, com o acompanhamento do pré-natal, a preparação para o nascimento e a divisão das responsabilidades.

Depois que a criança nasce, o compromisso continua nos cuidados diários: dar banho, trocar fraldas, alimentar, acompanhar consultas e vacinas, participar da vida escolar, brincar, conversar e dividir as tarefas domésticas.

A orientação oficial também defende modelos de paternidade baseados na cooperação, no diálogo, no respeito, no cuidado e na não violência

Ser pai, portanto, não é apenas pagar as despesas, morar na mesma casa ou aparecer em momentos especiais. É assumir responsabilidades todos os dias, inclusive quando há cansaço, dificuldades ou outras prioridades. Presença paterna não é favor, gentileza ou motivo para elogio excepcional: é um dever com a criança e com a família.

Saiba mais 

Neste conteúdo, diferentes pais compartilham suas experiências, desafios e aprendizados sobre a paternidade. As entrevistas propõem uma reflexão sobre o que significa ser pai em tempo integral, não apenas no discurso, mas nas escolhas, nas responsabilidades e nos cuidados de cada dia.


Neste conteúdo, você vai encontrar:

  • O que é a paternidade em tempo integral?

  • Qual é a importância do pai saber lidar com as emoções?

  • Quais são as principais características de um pai participativo?

  • Como a presença do pai pode fazer a diferença na família e na vida de uma criança?

  • Como o pai contribui para o bem-estar da criança?

  • Quais são as principais dúvidas e desafios para os pais hoje?

  • Como os pais influenciam na vida dos filhos?

  • O que os pais têm para comemorar nesse Dia dos Pais?

  • Mensagem para o Dia dos Pais.

José Carlos Martins da Silva

Entrevista com José Carlos Martins da Silva, da equipe de coordenação diocesana, da pastoral da criança da diocese de Caicó, Rio Grande do Norte.

José, Carlos, o que é a paternidade em tempo integral?

JOSÉ CARLOS:

 A paternidade em tempo integral é muito mais do que garantir o sustento da família. É estar presente na vida dos filhos e das filhas, participando do cuidado, da educação, do afeto e do acompanhamento do seu crescimento. Ser pai em tempo integral não significa estar ao lado do filho 24 horas por dia, mas assumir todos os dias as responsabilidades de amar, orientar, proteger e educar. A presença do pai contribui para o desenvolvimento emocional, social e afetivo da criança, fortalecendo sua autoestima, segurança e confiança. Pequenos gestos como conversar, brincar, ouvir, ajudar nas tarefas e demonstrar carinho faz uma grande diferença.

Qual é a importância do pai saber lidar com as emoções

JOSÉ CARLOS:

Saber lidar com as próprias emoções é uma das maiores demonstrações de cuidado que um pai pode oferecer aos seus filhos e filhas. Quando o pai reconhece seus sentimentos, dialoga com respeito, controla a raiva e expressa afeto, ele ensina seus filhos que sentir emoções é natural e que elas podem ser vividas de forma saudável. Um pai emocionalmente equilibrado contribui para que as crianças se sintam seguras, acolhidas e confiantes para falar sobre seus medos, tristezas e alegrias.

Hécio Mudesto Ferreira

Entrevista com Hécio Mudesto Ferreira, Coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na diocese de Uberlândia, Minas Gerais.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1818 - 27/07/2026 - Combate ao tráfico de crianças

 

Assistir no YouTube

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Hécio, quais são as principais características de um pai participativo?

HÉCIO:

Um pai participativo se define em três pilares: presença, escuta e exemplo. A presença tem que ser atenta, não é apenas estar no mesmo ambiente. É estar presente de verdade. É ouvir com interesse, olhar nos olhos, criar um espaço seguro onde os filhos se sintam amados e validados, independente de sua idade. Um pai participativo ensina muito mais pelo que faz do que pelo que diz. Ele transmite valores através de suas atitudes, sendo uma referência de ética, cuidado e fé transformando cada momento do dia em uma oportunidade de educar e acolher.

 

Celso dos Santos Coelho

Entrevista com Celso dos Santos Coelho, líder da Pastoral da Criança, Setor Lapa e Sé, cidade de São Paulo, São Paulo.

Celso, como a presença do pai pode fazer a diferença na família e na vida de uma criança?

CELSO DOS SANTOS:

A presença paterna fará sim muita diferença principalmente se for acompanhada de um forte senso de responsabilidade no cuidado tanto com a mãe quanto com a criança na gestação e no desenvolvimento dessa criança. Essa criança precisará de um ambiente tranquilo e pacífico para atingir seu pleno desenvolvimento. O pai não supre apenas com alimento e nas necessidades básicas. O envolvimento vai muito além da provisão material. A conexão é construída nos detalhes da rotina em conversas e no tempo dedicado aos filhos. O pai costuma representar uma referência estrutural ensinando princípios e valores, que serão úteis no decorrer de toda a vida desses filhos.

 

Entrevista com Mário Leandro da Silva, coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na diocese de Itapeva, estado de São Paulo.

Mário Leandro, como o pai contribui para o bem-estar da criança?

MÁRIO LEANDRO:

Quando o pai participa ele faz toda a diferença na família e na vida daquela criança. Então, não basta ser um pai presente, é preciso que ele esteja participando desde a gestação da mãe e de todo o desenvolvimento daquela criança, principalmente nos 2 primeiros anos de vida, onde a criança vai receber toda aquela informação, aquela segurança, aquele apoio. E, depois, a criança vai vendo o exemplo, vai seguindo o exemplo do pai, como se fosse um porto seguro no seu dia a dia durante a caminhada em toda a sua vida.

Gleiberson Dias Martins Pereira

Entrevista com Gleiberson Dias Martins Pereira, coordenador diocesano da Pastoral da Criança, de Governador Valadares, Minas Gerais.

Gleiberson, quais são as principais dúvidas e desafios para os pais hoje?

GLEIBERSON:

Como pai, acredito que um dos maiores desafios, hoje, é encontrar tempo de qualidade para estar presente na vida dos filhos. Também a preocupação em orientar as crianças diante de tantas informações e influências das redes sociais. Queremos oferecer amor, proteção, educação e valores, mas nem sempre é fácil. Por isso, o apoio da família e da comunidade e de iniciativas como a Pastoral da Criança fazem toda a diferença.

José Eduardo de Souza Palheta

Entrevista com José Eduardo de Souza Palheta, diácono e coordenador diocesano da Pastoral da Criança, da diocese de Castanhal, estado do Pará.

José Eduardo, como os pais influenciam na vida dos filhos?

JOSÉ EDUARDO:

Os pais são a principal influência na vida dos filhos. Eles moldam o desenvolvimento físico, emocional e social servindo como modelo de comportamento. O relacionamento entre pais e filhos deve ser único, marcante e que influencia a vida de toda uma geração, direcionando e dando identidade a eles. A presença ativa dos pais contribui para o crescimento saudável e equilibrado dos filhos proporcionando benefícios que perduram por toda uma vida.

Domingos Fausto Alves da Silva

Entrevista com Domingos Fausto Alves da Silva, líder e Coordenador diocesano da Pastoral da Criança, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Governador Mangabeira, diocese de Cruz das Almas, Bahia.

Domingos, na sua opinião, o que os pais têm para comemorar nesse Dia dos Pais?

DOMINGOS:

 Os pais têm para comemorar os bons exemplos na vida dos filhos, dando testemunhos, transmitido valores que farão dos filhos pessoas melhores. Assim, vale muito à pena comemorar o Dia dos Pais, pois é gratificante para um pai ver seus filhos crescerem seguindo o caminho que Deus sonhou para todos os Seus filhos

Entrevista com Alexandre Pereira, coordenador diocesano da Pastoral da Criança do Vicariato de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Alexandre, qual é a sua mensagem para o Dia dos Pais?

ALEXANDRE:

Quero parabenizar a todos os pais, líderes da Pastoral da Criança, que decidiram doar um pouquinho do seu tempo ao próximo construindo já o Reino de Deus aqui na terra. Um feliz Dia dos Pais a todos.

1819 - 03/08/2026 - Dia dos Pais

 

5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Igualdade de gênero”.

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas

Dra. Zilda

“O pai também exerce papel importante para que a criança seja criada num ambiente de amor e fraternidade; precisamos escutá-lo e motivá-lo a abraçar essa sua missão”.

Papa Leão XIV

“Encorajo-vos a ser exemplos de coerência para os vossos filhos, comportando-vos como quereis que eles se comportem, educando-os para a liberdade através da obediência, procurando sempre os meios para aumentar o bem que existe neles.”

Dia dos Pais Responsabilidade

“Minuto Paulinho”: novos vídeos ajudam líderes nas dúvidas do dia a dia

Detalhes
Última Atualização: 14/07/2026

A Pastoral da Criança criou uma nova playlist de vídeos orientativos para apoiar os líderes em sua missão. O “Minuto Paulinho” reúne conteúdos produzidos recentemente pela equipe de Comunicação, com informações atualizadas e explicações práticas sobre as principais dúvidas recebidas pelo Correio do Aplicativo.

 

Assista ao primeiro vídeo da playlist "Minuto Paulinho".

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Pastoral da Criança

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