Os primeiros 1000 dias de vida representam um período de grande impacto na saúde física, emocional e cognitiva da criança. O cuidado com a vida nessa fase é uma campanha permanente da Pastoral da Criança e um dos seus principais eixos de atuação.
O tema foi destaque em uma reportagem publicada no Portal Paulinas, que abordou a atuação da Pastoral da Criança nessa etapa fundamental do desenvolvimento infantil e entrevistou Deise Ramos, enfermeira da coordenação nacional.
A matéria reforça a importância do acompanhamento desde a gestação até os dois primeiros anos de vida, período essencial para garantir mais saúde, proteção, afeto e oportunidades para o desenvolvimento integral das crianças.
O programa Pastoral da Criança em Ação, exibido pela TV Evangelizar, está em novo horário. A partir de agora, os episódios inéditos vão ao ar todos os sábados, às 14h30, levando ao público conteúdos sobre infância, família, saúde, cidadania e evangelização.
No dia a dia, por conta da correria, é comum recorrer a um medicamento para aliviar dores da rotina, como dores musculares, de cabeça ou até desconfortos no estômago. Muitas vezes, aquela “mini farmácia” em casa parece suficiente para resolver o problema rapidamente. Em outras situações, a busca por indicações de familiares ou amigos também acaba influenciando na escolha do remédio.
Mas o uso de medicamentos sem orientação médica, inclusive aquele remédio que sobrou de um tratamento anterior pode ser mais perigoso do que muita gente imagina. E o alerta não vale apenas para crianças, mas também para a saúde dos adultos.
Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontam que mais de 77% da população brasileira admite tomar medicamentos sem orientação médica. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a automedicação só é aceitável quando ligada ao autocuidado responsável, ou seja, ao cuidado que a pessoa tem com a própria saúde de maneira consciente e segura, adotando hábitos saudáveis e seguindo orientações adequadas e, não à autoprescrição, que ocorre quando a própria pessoa decide qual medicamento usar sem orientação de um profissional de saúde.
No conteúdo desta semana, a médica pediatra e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná, Ana Lea Clementino, explica o que é a automedicação, os principais riscos do uso sem orientação e como esse hábito pode afetar adultos e crianças.
Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
DRA. ANA LEA
Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra. Ela atua também como líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.
Por que a automedicação é ainda mais grave e perigosa com crianças?
DRA. ANA LEA:
Nas crianças, o risco é maior, porque o organismo ainda está em desenvolvimento. O fígado e os rins não funcionam como os dos adultos. Então, isso aumenta o risco de intoxicação. Além disso, a dose precisa ser calculada com base no peso dessa criança e os erros são muito mais comuns quando os pais medicam por conta própria as crianças do que nos adultos. Então, a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que até medicamentos comuns, como antitérmicos, podem causar danos se forem usados de forma inadequada. Criança não é um adulto pequeno, a gente tem que deixar isso bem claro, qualquer medicação deve ser orientada por um profissional.
Programa de rádio Viva a Vida – 1812 - 15/06/2026 - Os riscos da automedicação
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Quais são os riscos da automedicação na gravidez e durante a amamentação?
DRA. ANA LEA:
Durante a gravidez e a amamentação, a automedicação pode afetar diretamente o bebê. Então, alguns medicamentos podem causar malformações, prejudicar o desenvolvimento do bebê ou passar para o leite materno. O bebê ingere essa medicação com o leite materno e, dependendo da medicação, sofre os efeitos colaterais. Muitas vezes, a mãe acha que um remédio comum é seguro, mas nem sempre é. A gente tem que estar alerta que nem toda medicação nessa fase pode ser ingerida pela mãe e ela deve ser sempre avaliada por um profissional antes de tomar qualquer medicamento. Então, cuidar da mãe é cuidar do bebê e isso inclui o uso seguro de medicamentos.
Dra. Ana Lea, que cuidados devemos ter ao guardar remédios em casa?
DRA. ANA LEA:
Os medicamentos devem ser sempre guardados fora do alcance das crianças, de preferência em locais altos e trancados, fora da visão delas. A gente tem que evitar deixar remédios em bolsas, mesas ou gavetas acessíveis. Também é importante manter a embalagem original com identificação e nunca dizer à criança que remédio é balinha, porque isso aumenta o risco de ingestão acidental, porque você desperta a curiosidade e a vontade dessa criança. É preciso lembrar que as intoxicações por medicamentos estão entre os principais acidentes domésticos na infância.
O que é mais importante numa criança com febre? É necessário levá-la imediatamente ao pronto-socorro? Como a família deve agir?
DRA. ANA LEA:
Nem sempre. A febre é um mecanismo de defesa do corpo. O mais importante não é o número que está marcando no termômetro, mas como essa criança está se apresentando, se ela está ativa, se ela está hidratada, mamando ou brincando. Geralmente, essas crianças podem ser acompanhadas em casa nos primeiros dias de febre. Desde que elas estejam em bom estado geral. Você deve procurar atendimento se houver sinais de alerta, como, por exemplo: prostração (estado de cansaço excessivo e falta de disposição), dificuldade para respirar, vômitos que persistem ou febre em bebês menores de dois meses. Mas, tirando esses casos, na maioria das vezes é possível observar um pouco essa criança em casa, mesmo que ela esteja febril. A febre assusta, mas, na verdade, o comportamento da criança é que deve ser o principal guia.
(TESTEMUNHO) Marinalda Ferreira Augusto, Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral da Criança de João Pessoa, estado da Paraíba.
Irmã Marinalda, que orientações vocês dão para as famílias sobre os perigos da automedicação, especialmente com as crianças?
IR. MARINALDA:
A Pastoral da Criança, que busca sempre cuidar da vida, nos orienta que, dar remédio por conta própria para uma criança é um risco sério. Medicamentos sem prescrição médica podem causar intoxicações, reações alérgicas e até mesmo mascarar doenças. Lembre-se sempre, o remédio que você toma ou aquele que o filho da vizinha usa pode ser prejudicial para o seu filho. A regra é clara, remédio só com orientação médica. E atenção, mantenha sempre os medicamentos fora do alcance das crianças. Em caso de dúvidas, procure o serviço de saúde mais próximo e se informe. Pastoral da Criança, cuidando da vida com amor, responsabilidade e esperança.
“Somente juntos podemos construir comunidades solidárias e capazes de cuidar de cada pessoa, nas quais o bem-estar e a paz se desenvolvam, para o benefício de todos. Cuidar da humanidade dos outros ajuda a viver a nossa própria”
O combate ao trabalho infantil ainda é um tema muito presente na sociedade devido às situações irregulares que vemos no dia a dia e nas notícias sobre crianças e adolescentes vivendo em condições precárias. Muitas vezes, o trabalho acaba sendo visto como uma forma de ajudar no sustento da família diante da falta de apoio e das dificuldades financeiras.
No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019, cerca de 1,8 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil. Desses, 78% tinham entre 14 e 17 anos.
No conteúdo desta semana do Programa Viva a Vida, Milena Alves, do Centro Marista de Defesa da Infância, fala sobre os principais pontos do trabalho infantil, destacando a diferença entre ajudar nas tarefas domésticas e o trabalho irregular. Ela também aborda discursos antigos, como “trabalho não mata”, ou “eu trabalhei desde cedo e o trabalho nunca me fez mal", reforçando que a infância precisa ser preservada e protegida pelas leis.
Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Milena Alves
Entrevista com Milena Alves, Analista de Comunicação do Centro Marista de Defesa da Infância, em Curitiba, Paraná.
Milena, o que é trabalho infantil e como ele se diferencia das tarefas domésticas realizadas por crianças e adolescentes?
MILENA:
A legislação brasileira, pela Constituição Federal, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, pela Lei do Aprendiz e leis correlacionadas, estabelece que o trabalho infantil é aquele trabalho realizado por crianças e adolescentes abaixo da idade permitida ou que, mesmo dentro da idade permitida, traga prejuízo ao desenvolvimento físico, psicológico, moral, social e ao direito à educação desse adolescente. De 0 a 13 anos, é proibida qualquer forma de trabalho. A partir dos 14 anos, entre os 14 e 16, o trabalho continua sendo proibido, mas o adolescente ou a adolescente que quiser entrar no mercado de trabalho pode fazer isso na condição de jovem aprendiz. E entre 16 e 18 anos, tem uma permissão, mas ela é restrita. Os trabalhos exercidos não podem ser noturnos, entre 10 da noite e 5 da manhã, ou atividades consideradas perigosas, insalubres ou que estão dentro da lista de piores formas de trabalho infantil. Para além das idades, a Organização Internacional do Trabalho tem uma definição de trabalho infantil que é complementar. O trabalho infantil é aquele que é perigoso para a saúde ou para o desenvolvimento da criança e do adolescente, que exige muitas horas do dia ou que é realizado por crianças muito pequenas. E isso nos ajuda a diferenciar o trabalho infantil da colaboração familiar, que é aquela participação ocasional da criança e do adolescente em atividades domésticas.
Programa de rádio Viva a Vida – 1811 - 08/06/2026 - Combate ao trabalho Infantil
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Por que o trabalho infantil é prejudicial ao desenvolvimento físico, psicológico e educacional das crianças?
MILENA:
Quando a gente fala de desenvolvimento físico, tem um prejuízo porque o organismo, o corpo da criança, do adolescente, está em fase de desenvolvimento e não está preparado para as mesmas situações que são enfrentadas por adultos no trabalho. Além disso, tem risco à integridade física, porque, em muitos casos, a gente está falando de trabalhos em condições insalubres, com ambientes perigosos, com substâncias perigosas e com riscos de acidentes. A gente também considera prejuízo à saúde mental, porque a criança ou o adolescente pode estar exposto a abuso físico, a abuso psicológico que pode resultar em problemas como ansiedade, como depressão. E, além disso, está privando a criança do seu direito ao lazer, ao seu direito ao descanso, ao seu direito ao brincar, que são aspectos importantes de um desenvolvimento pleno dessa criança. E pode, inclusive, afastar a criança da escola e levar ao abandono escolar.
Milena, como identificar situações de trabalho infantil no dia a dia ou na comunidade? E o que fazer diante disso?
MILENA:
Bom, quando a gente olha para os dados, a gente tem um cenário, um panorama da situação do trabalho infantil no Brasil, que aponta 1.6 milhão de crianças e adolescentes em situações de trabalho infantil, 586 mil crianças e adolescentes exercendo atividades que estão na lista de piores formas de trabalho infantil, e a gente consegue ir visualizando um perfil. 63%, quase 64% são meninos e 36% são meninas. E quando a gente se depara com uma situação de trabalho infantil no nosso dia a dia, o ideal é que a gente denuncie. Tem alguns canais possíveis para isso. Um deles é o Disque 100. Pode ser por telefone, por WhatsApp, por e-mail, pelo site. O Unicef também tem um aplicativo, o Proteja Brasil. Tem também um canal chamado Sistema Ipê Trabalho Infantil, que é específico de combate ao trabalho infantil. Também é possível procurar o Ministério Público do Trabalho ou procurar também o Conselho Tutelar da sua cidade, da sua região, ou delegacias específicas de proteção à criança e adolescente. E para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o tema, eu convido a conhecer o informe temático, produzido pelo Centro de Marista de Defesa da Infância, e que está disponível no site cadeparana.org.br.
(TESTEMUNHO) Piri Santana, Líder e Coordenador da Pastoral da Criança da Diocese de Bragança, estado do Pará.
Piri, como a Pastoral da Criança, através dos seus líderes, orienta sobre o combate ao trabalho infantil nas comunidades?
PIRI SANTANA:
Nossas lideranças atuam no combate ao trabalho infantil através das ações que desenvolvem na comunidade e nas famílias no dia a dia. Quando realizam as visitas e falam sobre a importância do cuidado, do carinho e do amor. Quando falamos sobre os indicadores de oportunidade e conquista, que fala da importância da criança brincar por necessidade e não por obrigação. Também quando as nossas lideranças realizam as celebrações da vida, os líderes fazem palestras sobre o tema. E também os nossos líderes colaboram com campanhas, como a campanha do 18 de maio, que é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Então, nossos líderes, no dia a dia, através das simples ações que fazem com muito amor e muita alegria, conseguem ajudar e conscientizar muitas famílias sobre isso.
“O século que gera inteligência artificial e planeia existências multiplanetárias ainda não ultrapassou a chaga da infância humilhada, explorada e mortalmente ferida”