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 Dr. Nelson Arns Neumann, coordenador nacional adjunto e coordenador internacional da Pastoral da Criança

Entrevista com o Dr. Nelson Arns Neumann

O que é Acompanhamento nutricional?

Já há muito tempo, no mundo e no Brasil, se faz o que a gente chama de vigilância nutricional. Tem diversas maneiras de fazer, a mais comum é pesar a criança e comparar, qual o peso de uma população saudável, quanto a criança deveria ter de peso para saber se ela está bem ou não. Isso é legal para controlar desnutrição. Nessa nova fase do Brasil, que a gente acaba tendo sobrepeso e obesidade, é preciso introduzir um novo componente, que é a altura. O índice de massa corporal (IMC) que é a relação entre o peso e a altura dessa criança, vai variando ao longo do tempo. A Pastoral da Criança já está introduzindo no Brasil, gradualmente essa ação e esperamos até o final do ano alcançar 71 dioceses, com essa nova experiência de medir a altura da criança, o peso e usar um programa de computador, que dá o alerta de como é que está este desenvolvimento.

 

Saiba mais sobre gestantes obesas 

O acompanhamento nutricional é necessário para prevenir a desnutrição e combater a obesidade. Quais são as causas da obesidade?

Há diversas causas, por exemplo a desnutrição. A criança que é desnutrida até o segundo ano de vida tende a ser obesa no futuro. Uma outra causa de obesidade plenamente comprovada é a mãe que fuma durante a gestação. Já se percebeu que cada vez que a mãe fuma é como se os vasos sanguíneos, o cordão umbilical, fechasse para não passar veneno para a criança. Não passa veneno mas também não passa o alimento necessário, com isso a criança passa fome dentro da barriga da mãe e nasce com peso menor do que podia, então mãe que fuma tem uma tendencia maior de ter criança obesa. Mãe com pressão alta também. Há outras questões, fora esses cuidados, como os primeiros mil dias, que é essa questão da gestação e o aleitamento materno. O aleitamento materno evita muito o sobrepeso e a obesidade, estes cuidados são os mais importantes.

Como é possível combater a obesidade infantil?

Tem que ter um bom cuidado na gestação, aleitamento materno e outras coisas. Criança precisa ter um espaço seguro para brincar. Se ela não tem onde correr, se não tem como gastar a sua energia, fica presa dentro de casa, é óbvio que o que ela come não gasta e acaba acumulando e vem a obesidade. O que a gente tem que fazer? Jamais condenar a mãe. A mãe sabe que isso não é legal, o que a gente precisa é se mobilizar como sociedade para que toda comunidade tenha um espaço seguro pra brincar. O outro aspecto é a própria alimentação. São estes os diversos cuidados: aleitamento materno, espaço seguro para correr e brincar e uma alimentação saudável

Saiba mais sobre obesidade infantil aqui

Para prevenir a desnutrição e combater a obesidade a Pastoral da Criança sempre pesou a criança. Agora os líderes, além de pesar, vão medir as crianças. Como isso será feito?

A proposta da Pastoral da Criança é a seguinte: ter uma equipe ou várias equipes, em cada paróquia, paróquias com diversas comunidades precisam ter mais de uma equipe. Essa equipe passa a cada 3 meses nas comunidades, mede a altura da criança e também o peso. Porque esses aparelhos são um pouquinho mais caros e a medida da altura é uma medida um pouquinho complicada de fazer, então é melhor que uma equipe mais especializada faça. E o principal: tendo o diagnóstico dado por esse acompanhamento nutricional, o líder tenha o tempo para orientar a mãe do que precisa ser feito. Não adianta nada a mãe ter o diagnóstico e não ter o apoio, o acompanhamento de uma pessoa para que ela consiga mudar esses hábitos alimentares e os hábitos inclusive de vida, de ficar parado, ou não de ter uma oportunidade de correr, brincar e gastar toda energia que a criança tem.

Saiba mais sobre a ação de Acompanhamento Nutricional

Toda essa questão do acompanhamento nutricional está ligada a nutrição da criança e da família. Quer dizer que a família também precisa mudar seus hábitos alimentares?

As mudanças, em geral, devem ocorrer na família como um todo. É difícil a mãe dizer para a criança: “coma verdura”, se ela não come e o esposo não come também. Percebemos que a medida que uma criança vai vendo outra que come, que aprecia, ela também se estimula a comer. Se a gente começa esse processo dentro da comunidade consegue que algumas crianças comam bem frutas e verduras e as outras veem que isso é bom. Você acaba criando um ambiente favorável, não só na família mas em toda comunidade.

Que resultados a Pastoral da Criança pretende alcançar com o acompanhamento nutricional das crianças acompanhadas?

O que queremos é que as nossas líderes, as nossas mães, percebam que o cuidado com a nutrição de uma criança começa até antes da gestação. Então o que a gente faz? Primeiro acompanha a gestante, pede para o serviço de saúde ver como esta o crescimento da criança dentro da barriga da mãe através da altura uterina, se a mãe tem pressão alta e está controlando no pré natal, que a mãe não fume para a criança não sofrer depois de todo esse cuidado. Com tudo isso, você começa a perceber a mãe estando atenda ao desenvolvimento da criança, tanto na altura como no peso, e fica mais fácil de perceber ou criar uma motivação para fazer a dieta mais adequada. A gente precisa tomar esse cuidado para que o nosso jeito de cuidar da criança hoje não leve a ser um adulto doente amanhã.

Mensagem da Ir. Vera Lúcia Altoé, coordenadora nacional da Pastoral da Criança, sobre o acompanhamento nutricional.

Gostaria de dizer que a prevenção de obesidade infantil é uma das metas da Pastoral da Criança. Por isso estamos somando esforços em várias comunidades para conscientizar as famílias, sobre a importância de uma alimentação saudável. Da atividade física e do amor para com as crianças, cada um de nós pode fazer muito para prevenir a obesidade infantil. Mas não basta querer mudar os hábitos alimentares da criança se a família não muda os seus.

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