mao com teste de gravidez de farmaciaQuem já não ouviu alguém dizer: "Minha mãe e minha avó tiveram tantos filhos e nunca fizeram essas consultas"? Os tempos mudaram e uma nova mentalidade ganha sempre mais força: as gestantes não só têm o direito de fazer o pré-natal nas unidades de saúde, mas têm também o dever de fazê-lo, pelo bem da sua saúde e da saúde do bebê que espera.

A regra de ouro para todas as enfermidades, "quanto antes começar o tratamento, mais rápida é a cura", vale também para a gestação. Quanto antes a gestante tiver confirmada a gravidez e começar as consultas e exames do pré-natal, mais tranquila e segura será a gestação, pois no início é possível detectar e tratar mais facilmente qualquer problema de saúde que a gestante tenha, seja ele prévio ou não à gravidez.

Como a Pastoral da Criança faz

Pré-natal: acompanhamento que salva vidas

Apesar do Brasil ter avançado muito na cobertura e captação de gestantes, ainda é preciso conscientizar muitas mulheres da importância de começar o pré-natal logo em caso de gravidez, especialmente as gestantes adolescentes que muitas vezes não percebem ou não comunicam a gravidez em seu estágio inicial.

O sistema de saúde oferece, além da disponibilidade das consultas em toda a rede pública, um auxílio transporte para aquelas gestantes que precisam se deslocar de lugares mais distantes para realizar as consultas. As gestantes que trabalham com carteira assinada também têm o direito de se ausentar do trabalho para realizar as consultas e exames.

O Mutirão em Busca das Gestantes, realizado tanto por agentes comunitários de saúde como pela Pastoral da Criança, é uma iniciativa que busca não só encontrar e captar a gestante precocemente, mas sobretudo, acompanhá-la durante a gestação, orientando-a sobre os diversos aspectos que envolvem uma gravidez, tais como: nutrição, desenvolvimento infantil, prevenção de doenças, atenção aos sinais de risco e preparação para o aleitamento materno, entre outros.

regina reinaldin enfermeira da pastoral da crianca

 Regina Reinaldin - Enfermeira da Pastoral da Criança

“O pré-natal é uma assistência na área da saúde, prestada para a gestante durante os nove meses de gravidez”, explica Regina.

Sobre este assunto, convidamos para uma entrevista a Regina Reinaldin, enfermeira da Pastoral da Criança.

Quantas consultas de pré-natal a gestante deve realizar ao longo gravidez?

O Ministério da Saúde recomenda que sejam realizadas no mínimo seis consultas. Uma no primeiro trimestre da gravidez, duas no segundo e três no terceiro. O ideal é que a primeira consulta aconteça no primeiro trimestre e até a trigésima quarta semana sejam realizadas consultas mensais. Entre a trigésima quarta e a trigésima oitava semanas, o indicado seria uma consulta a cada duas semanas. E a partir da trigésima oitava semana, consultas em todas as semanas até o parto.

O que a gestante deve observar ainda no primeiro trimestre de gestação?

Nesse primeiro trimestre, que vai da primeira até a décima terceira semana de gestação, o corpo passa por diversas modificações para receber o futuro embrião em desenvolvimento. A circunferência da cintura aumenta, os seios ficam mais volumosos e acontecem enjoos, náuseas e prisão de ventre devido às alterações hormonais. E são sintomas habituais para uma gestante. A orientação nutricional é muito importante pra manter uma gestação saudável e equilibrada. As mamães devem ficar atentas ao consumo do acido fólico, que ajuda a prevenir a malformação do cérebro e da medula espinhal do bebê.

Quais as principais características do segundo trimestre de gestação?

gestanteDurante o segundo trimestre, que vai da décima quarta até a vigésima sexta semana de gestação, o ritmo de crescimento do bebê acelera. Durante as próximas semanas, a mãe vai começar a sentir o bebê mexer, primeiro de forma muito delicada e no final do terceiro trimestre, de forma mais vigorosa. O bebê movimenta-se, leva as mãos à boca, os reflexos estão completamente operacionais e ele treina a deglutição, engolindo e expelindo o líquido amniótico. Os intestinos podem começar a produzir mecônio, que é o cocô verde que o bebê libera nos primeiros dias de vida e, algumas vezes, na barriga da mãe. E os órgãos genitais externos estão formados.

Veja a entrevista na íntegra: 1195 - Entrevista com Regina Reinaldin - Importância do pré-natal (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Programa de Rádio 1195 - 25/08/2014 - Importância do pré-natal
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Quando iniciar o pré-natal?

''Todas as pessoas têm direito a viver com dignidade. Esse direito se inicia na concepção de uma nova vida. Por isso, a Pastoral da Criança começa suas atividades com as gestantes, que precisam ser acompanhadas desde o início da gravidez''. Essa mensagem já é bem conhecida por aqueles que realizam o serviço voluntário de acompanhamento das futuras mães e suas crianças, bem como das famílias que recebem as visitas domiciliares.

A gestação é um período marcado por transformações físicas e emocionais, por isso, tanto a gestante quanto o seu companheiro têm muitas dúvidas durante este período que antecede o nascimento. Muitas vezes, são as orientações dos líderes da Pastoral da Criança que ajudam a esclarecer as incertezas e transmitir a tranquilidade necessária para a realização do pré-natal da maneira mais completa possível, como é de direito da gestante e da criança.

Primeiro trimestre

Por que é tão importante começar o pré-natal já no primeiro trimestre?

No primeiro trimestre são realizados exames de controle para a gravidez seguir bem e para o melhor desenvolvimento do bebê. Vamos ver para que servem alguns exames.

Glicemia: para avaliar se há presença de diabetes;

Grupo sanguíneo e fator Rh: esse exame é muito importante, pois detecta a incompatibilidade sanguínea entre mãe e bebê, que pode levar à morte do feto;

Anti-HIV: para identificar se há a presença do vírus da AIDS no sangue da mãe. Se a mãe for soropositiva, o médico prescreverá alguns medicamentos que reduzirão as chances de que a doença seja transmitida para o bebê;

Exame para detectar a sífilis: doença que pode causar malformações no bebê;

Exame para detectar a toxoplasmose: essa doença pode ser transmitida ao feto, causando malformações;

Exame para detectar a rubéola: doença que pode levar ao aborto, além de causar malformações no bebê;

Exame para detectar a presença do vírus da hepatite B: caso a mãe tenha o vírus da doença, algumas medidas podem reduzir as chances de transmissão do vírus para o bebê;

Exame de urina e urocultura: para identificar se a mãe possui infecção urinária, que pode levar a um parto prematuro, além de poder evoluir para uma infecção mais grave;

Ultrassonografias: utilizadas para a identificação da idade gestacional e malformações no bebê.

Saiba: Exames da gestante

Outras necessidades para a mãe e para o bebê desde o início da gestação

O ácido fólico na gravidez é essencial para reduzir o risco de o bebê ter malformações ao nascer, como a espinha bífida (grave anormalidade congênita do sistema nervoso, que se desenvolve nos dois primeiros meses de gestação e representa um defeito na formação do tubo neural). A suplementação de ácido fólico deve ser feita diariamente, nas quantidades recomendadas pelo médico, especialmente durante os três primeiros meses de gravidez, porque é nessa altura que se desenvolve o sistema nervoso do bebê. Onde encontrar ácido fólico: a vitamina está presente nas folhas de tom verde escuro (espinafre, escarola, couve, brócolis), nas leguminosas, nas castanhas e nas frutas cítricas.

O ferro é um nutriente importante para uma gestação sadia e para o bom desenvolvimento do bebê na barriga da mãe. A falta de ferro causa anemia, doença muito comum na infância, gestação e adolescência, períodos em que as necessidades deste nutriente são altas, pois as mudanças no corpo são mais intensas. Por isso, a gestante precisa comer alimentos ricos em ferro.

Ao fim da 12ª semana (terceiro mês), a frequência cardíaca e o volume do sangue aumentam. Então, para preservar sua saúde, a mulher tem que beber mais líquido, ingerir ferro e ácido fólico. A necessidade de proteína também aumenta, por causa do crescimento dos seios e do útero. Há ainda um maior risco de aborto, por isso tem que cuidar com os sinais de dor ou sangramento (nem que sejam pequenos, é preciso ir ao médico).

Saiba mais: A gestante

Segundo trimestre

O segundo trimestre

O segundo trimestre é mais estável. A mulher vai urinar mais, pela compressão da bexiga, e vai ter mais azia, pois em geral o intestino fica mais lento. Estes sintomas geralmente são mais moderados e podem ser controlados com alimentação saudável.

Nesta fase, temos que ter cuidados. Embora possa acontecer já no primeiro, é no segundo trimestre que são mais comuns os casos de descolamento da placenta. Se tiver qualquer sangramento, procure seu médico. Também se recomenda não fazer esforços neste período, para prevenir complicações.

Saiba mais: O quarto, quinto e sexto mês de gravidez

Terceiro trimestre

O terceiro trimestre

No terceiro trimestre, a modificação do corpo é mais progressiva. Podem aparecer as estrias, por exemplo. Neste trimestre, as consultas médicas devem ser mais frequentes, porque existe o risco de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia.

Pré-eclâmpsia: retenção de líquido e inchaço, eliminação de proteína pela urina (proteinúria) e aumento da pressão arterial. Se a gestante não receber o tratamento adequado, isso pode piorar, causando convulsões. Nessa fase, chamamos a doença de eclâmpsia, problema grave que traz risco de vida para a gestante e para o bebê.

Durante todos os trimestres, as gestantes recebem orientações sobre a importância de se manter uma alimentação saudável, da prática de atividades físicas e de se evitar álcool, fumo e outros tipos de drogas. É importante ainda que se faça o monitoramento do peso da mãe, para que ela não ganhe peso além do necessário, o que pode trazer alguns problemas.

Além dos exames, também os profissionais de saúde devem, a partir da 13° semana, realizar a medida da altura uterina, para acompanhar o crescimento do bebê, pois muitas vezes a criança não recebe todos os nutrientes que precisa dentro da barriga da mãe e pode estar com desnutrição dentro do útero. Para evitar desta desnutrição, é importante comer de maneira saudável. E a gestante precisa controlar certas doenças, como a pressão alta (que prejudica a criança, inclusive sua nutrição, porque a pressão da mãe influencia a quantidade de sangue que essa criança recebe dentro da barriga). A questão do uso de drogas é mais um ponto relevante. O fumo causa desnutrição da criança dentro da barriga da mãe.

A gestação tardia, quando se espera muito para ter uma gravidez, também pode causar dificuldades, pois o organismo da mãe não está em pleno vigor pra sustentar a criança.

Muito importante é a presença do companheiro, das pessoas da família ou os amigos que moram perto. Eles precisam conhecer os sinais de trabalho de parto e saber aonde levar a gestante. Assim, se sentirão mais seguros para procurar o hospital na hora certa.

Saiba mais: o sétimo, oitavo e nono mês de gravidez

Direitos

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Direitos da gestante

Toda gestante tem direito a ter o pré-natal e o parto atendidos por profissionais atenciosos e bem preparados. É bom lembrar que cada gravidez é diferente, e a gestante deve fazer o pré-natal em todas as gestações, com pelo menos seis consultas, conforme o indicado pela Organização Mundial de Saúde e o Ministério da Saúde.

No pré-natal é possível descobrir e tratar algumas doenças que prejudicam a mãe e o bebê. Sabendo como é um pré-natal de qualidade, a gestante pode lutar por seus direitos e também fazer a sua parte, se cuidando conforme as orientações recebidas.

Toda gestante tem o direito de:

  • Receber a Caderneta da Gestante no início do pré-natal, no qual serão anotados os dados referentes à gestação;
  • Saber com quantos meses de gravidez está e a data provável do nascimento do bebê;
  • Receber informações de como se alimentar melhor;
  • Receber orientações sobre a amamentação;
  • Receber orientações sobre os cuidados com seu corpo;
  • Ser orientada sobre a vacina contra o tétano e coqueluche (dTpa);
  • Saber como estão sua pressão e seu peso;
  • Ser informada sobre os sinais de perigo na gestação;
  • Fazer exame ginecológico: exame das mamas, toque vaginal (exame por baixo) e, se não tiver sido feito no último ano (rotina), preventivo de câncer de colo do útero;
  • Ter sua barriga medida para acompanhar o crescimento do bebê;
  • Saber a posição do bebê em sua barriga e como bate seu coraçãozinho;
  • Fazer exame de sangue para ver se tem anemia, diabetes, sífilis, hepatite, Aids e conhecer seu tipo de sangue;
  • Fazer exame de urina para ver se tem infecção ou outros problemas;
  • Receber suplementação de ferro e ácido fólico.

A saúde da mãe e a saúde do bebê dependem de um bom pré-natal.

Estas orientações foram retiradas do Guia do Líder (.PDF)

Foto teste de gravidez: Ivan Kmit | Foto Regina: Marcello Caldin


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