gravidezado Chris Greene12A gravidez em si já é um período de atenção e cuidados extras. Porém, quando ela acontece no período da adolescência os cuidados devem ser redobrados. O que é possível fazer para que a gravidez na adolescência ocorra de um modo mais tranquilo? O primeiro passo é a gestante adolescente iniciar o pré-natal o mais cedo possível. Infelizmente, no caso de gestantes adolescentes, muitas “escondem” inicialmente a gravidez, iniciando tarde o pré-natal. 

Através do pré-natal é possível orientar a gestante adolescente para uma gravidez saudável, tirar suas dúvidas e apoiá-la nesse momento tão importante da sua vida. Aqui, no site, você vai ficar sabendo como a Pastoral da Criança acompanha as gestantes adolescentes e como os líderes colaboram para que elas tenham uma gestação segura e todo o apoio que necessitam, tanto da família quanto da comunidade.

Saiba mais SBP: Gravidez na adolescência

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Gravidez na adolescência

É muito comum a adolescente grávida abandonar a escola. Nessa situação, é importante incentivá-la a continuar estudando.

Estas orientações foram retiradas do Guia do Líder (.PDF)


 

A gravidez na adolescência requer certos cuidados e é um assunto que deixa os pais das adolescentes e até a própria adolescente preocupados. A entrevista desta semana é com o médico Fernando Cesar de Oliveira Junior, professor do departamento de ginecologia da Universidade Federal do Paraná.

Dr. Fernando, antes de falarmos sobre o tema da gravidez, na sua opinião como os adolescentes podem viver uma adolescência saudável e feliz?

Os adolescentes devem procurar se entrosar com a comunidade, estarem inseridos na escola, procurar se afastar das drogas, que não trazem nada positivo para eles. Devem seguir os preceitos da sua família, as orientações por eles repassadas, para que possa seguir uma rotina saudável.

Os adolescentes hoje em dia são muito espertos, sabem muito sobre diversos assuntos e estão nas redes sociais. Mas parece que muitos não sabem identificar por exemplo quando é o período fértil da adolescente.

A adolescente deve conhecer o seu organismo, ela deve observar a menstruação, marcar durante uns três meses o dia em que veio a menstruação e ver qual é o ciclo, que pode ser de 28 em 28 dias ou de 30 em 30 dias. É mais ou menos na metade deste ciclo, no caso do ciclo dos 28 dias, no 14º dia, que ela pode perceber uma secreção, que a deixa mais úmida, é o período mais provável que ela esteja ovulando. É importante começar a contar do primeiro dia da menstruação, conta-se 14 dias e no 14º dia em média é que vai ocorrer a ovulação

Como é que a adolescente pode saber se ela realmente está grávida ou não?

O primeiro sinal é a falta da menstruação. Se a menstruação vinha regularmente e está atrasada é o primeiro sinal de alerta. muitas vezes ela sente alguns sintomas como: dor no seio, enjoo. Esses podem ser os primeiros sinais da gravidez.

O que fazer quando uma adolescente desconfia ou descobre que está grávida?

Geralmente a adolescente fica confusa pois a notícia causa um certo desconforto tanto para ela quanto para família. Mas ela deve conversar, procurar um apoio primeiro do seu companheiro ou namorado, eles devem estar juntos nessa questão pois o menino também é o pai da criança. Depois  a adolescente deve procurar alguém da família com quem tenha mais facilidade de conversar, podendo ser sua mãe, tia, pai, irmã ou irmão e contar inicialmente para essa pessoa e depois deve contar para sua família. Em seguida fazer uma consulta na unidade de saúde. É muito importante a gestante contar, por que não adianta ficar escondendo, muitas adolescentes escondem e contam aos demais somente quando a barriga já está aparecendo e isso vai dificultar o acompanhamento, pois irá deixar de fazer o atendimento de pré natal e é muito importante fazer os exames.

Existem riscos em uma gravidez na adolescência? Se existem quais são?

Os riscos físicos da gravidez não são grandes se ela fizer o pré natal adequadamente. Ela deve começar cedo o pré natal para evitar que aumente a chance do bebê nascer prematuro, com peso abaixo do adequado. Ela pode desenvolver pré-eclampsia, que seria o aumento da pressão arterial. Outros riscos seriam os riscos sociais e emocionais. 

Qual deve ser o papel da família em relação a adolescente grávida?

O papel da família é fundamental e precisa dar apoio a adolescente. Geralmente a família, no primeiro momento, leva um choque, briga, mas é muito importante dar apoio para ela continuar estudando e continuar com um projeto de vida, continuar trabalhando caso ela esteja empregada. O apoio da família é fundamental. 

Viva a VidaPrograma de rádio Viva a Vida
1152 - Gravidez na adolescência


Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

 

 

E qual deve ser o papel dos pais na prevenção da gravidez na adolescência?

Acredito que o diálogo com os filhos e falar de sexo com certa naturalidade é fundamental. Sabemos que não é fácil, muitos pais não conseguem falar sobre isso com seus filhos, mas procurar uma certa abertura, por exemplo ao assistir uma novela que aparece cena de sexo, e aproveitar para comentar isso na família. Se o adolescente tem dificuldade de obter orientação na família ele pode procurar a escola também. Na escola muitas vezes os professores estão um pouco mais preparados para dar orientação para essa adolescente.

Muita gente quando fala em adolescência, sexualidade, se preocupa somente com a questão da gravidez, mas as doenças sexualmente transmissíveis não deveriam preocupar mais ainda?

Realmente, por que as doenças sexualmente transmissíveis estão ai, principalmente a aids. A aids também se transmite através do contato sexual e são muitas doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis e a gonorreia. Há uma doença que antigamente era conhecida como crista de galo, que é o condiloma, ele é o vírus HPV que está ligado ao problema no colo do útero. É muito importante se prevenir das doenças sexualmente transmissíveis.

Mais alguma orientação?

Acredito que é muito importante valorizarmos nossos jovens. Os pais, a família, precisam valorizar os filhos pois são um tesouro que Deus nos deu. Temos que valorizá-los sempre promovendo a autoestima, pois assim ele terá forças para estudar, para realizar seus sonhos e batalhar na vida. É isso que todos nós queremos e é o mais importante.

Adolescência: descobertas e desafios

A adolescência é uma fase de profundas e rápidas mudanças, tanto biológicas, comportamentais, de aprendizado e de descobertas. É também uma oportunidade para a família e o adolescente reforçarem os laços de confiança, cumplicidade e independência.

A psicóloga Rosely Sayão, em recente artigo da Folha de São Paulo, questiona a duração cronológica da adolescência. Do ponto de vista jurídico, a adolescência consiste de 12 a 18 anos incompletos, do ponto de vista psicológico, essa delimitação é mais complicada. “ As crianças passaram a perder a infância cada vez mais cedo e seus interesses, seu comportamento, suas vestimentas, sua vida social e a linguagem usada ficaram cada vez mais parecidas com as dos adolescentes”, lembra Rosely.

Na infância os pais protegem e organizam a rotina das crianças. Na adolescência esse exercício muda, os filhos passam a exigir mais participação nas decisões, começam a fazer suas escolhas e determinar o rumo que pretendem seguir. A escolha das companhias, das atividades em momentos de lazer, da profissão que desejam seguir começam a fazer parte do dia a dia do adolescente.

O relatório “Situação da Adolescência Brasileira 2011– O Direito de Ser Adolescente: Oportunidade para reduzir vulnerabilidades e superar desigualdades” apresenta um convite para que a sociedade brasileira construa e lance um novo olhar à adolescência, compreendendo essa etapa como uma fase única na vida, rica e cheia de potencialidades. Trata também do importante papel dos adultos, que devem orientar, incentivar e proteger os adolescentes, ajudando a criar relações de diálogo, respeito e confiança entre gerações. E aponta a urgência de se investir nessa fase da vida, consolidando os avanços obtidos nos últimos anos em áreas como educação, saúde, inclusão, proteção e participação.

Segundo o relatório, no ano de 2011, do total da população brasileira, 11% eram adolescentes, isso representa um universo de de 21.083.635 de meninos e meninas, um momento inédito de possibilidades reais para se fortalecer os importantes avanços das últimas duas décadas nas áreas da saúde, da educação, da inclusão, já realizadas para as crianças. Anthony Lake, diretor executivo do Unicef, alerta que entre os anos de 1998 e 2008, o Brasil reduziu a taxa de mortalidade infantil, preservando a vida de mais de 26 mil crianças. No entanto, no mesmo período, 81 mil adolescentes brasileiros, entre 15 e 19 anos de idade, foram assassinados, “com certeza, não queremos salvar crianças em sua primeira década de vida para perdê-las na década seguinte”.

A gravidez na adolescência é também uma situação de vulnerabilidade que as nossas jovens enfrentam e trazem impactos profundos na vida, no desempenho escolar e nas oportunidades de formação para o trabalho. Campanhas de orientação tem ajudado na queda do número de adolescentes grávidas. Na última década ouve uma redução de 22,4% no número de partos realizados entre jovens de 10 a 19 anos, comparado à década anterior, segundo o Ministério da Saúde.

O Relatório do Unicef ainda aponta que a gravidez na adolescência é um dos mais importantes fatores para a perpetuação da pobreza e da exclusão.  A pesquisa mostra que entre as meninas com idade entre 10 e 17 anos sem filhos, 6,1% não estudavam, no ano de 2008. Na mesma faixa etária, entre as adolescentes que tinham filhos, essa proporção chegava a 75,7%.  Em relação ao pré-natal, no grupo de meninas com idade até 15 anos, apenas 38% tiveram pelo menos sete consultas pré-natais.

A sociedade, a família e o poder público deve zelar e garantir que nossas meninas tenham oportunidade de crescimento, de estudo e de trabalho, criar redes de proteção e apoio a essas meninas-mães, estímulos para que continuem estudando e sejam capazes de garantir uma vida melhor para si e seus filhos.

Saiba mais: Nota da Pastoral da Criança sobre o relatório do Unicef situação da infância.

Perguntas frequentes

Ocorre preconceito na escola com adolescentes grávidas?

Uma das mais graves consequências da gravidez na adolescência é o abandono da escola, além da jovem sofrer com a discriminação de colegas, familiares, o medo e a vergonha.

Tem alguma lei que garanta a permanência da adolescente grávida na escola?

Sim. A permanência da estudante na escola é assegurada pela legislação brasileira. A licença maternidade escolar está prevista na Lei nº 6.202, de 17 de abril de 1975. De acordo com a lei “a partir do oitavo mês de gestação e durante três meses, a estudante em estado de gravidez ficará assistida pelo regime de exercícios domiciliares instituído pelo Decreto-lei nº 1.044, de 21 de outubro de 1969”.
E em casos especiais,  comprovados mediante atestado médico, poderá ser aumentado o período de repouso, antes e depois do parto. Em qualquer caso, é assegurado às estudantes em estado de gravidez o direito à prestação das provas finais.

Qual é a idade considerada “gravidez na adolescência”?

Geralmente vai dos 10 aos 20 anos. É nela que acontecem as grandes mudanças físicas e emocionais nas pessoas.

O peso e a altura a adolescente pode influenciar?

O peso da adolescente também pode significar um risco, quando a adolescente  pesa menos de 45 quilos sem estar grávida, apresenta maiores chances de gerar um bebê pequeno para a idade gestacional. A obesidade também representa um risco pois aumenta o risco de diabetes e de hipertensão arterial durante a gravidez.

Se a altura da adolescente for menor que  1,60 cm, a chance do quadril ser pequeno é maior, e isso aumenta as chances de parto prematuro e de dar à luz a um bebê muito pequeno.

Como prevenir a gravidez na adolescência?

Temos que  resgatar o diálogo e a importância dos pais e família na educação e orientação de seus filhos.

O aborto tem  consequências para uma adolescente?

O aborto é considerado  crime no Brasil e em muitos países. No  ponto de vista psicológico, as consequências do aborto são mais graves em adolescentes, já que elas não têm a estrutura psicológica e é mais frágil. A culpa, o medo e o sofrimento são intensos e podem ter consequências graves, pois em geral, ela só procura o hospital quando já fez o aborto e não é raro estar há dias com hemorragia, perfurações do útero (com cureta, sondas, velas), anemia aguda ( decorrente de hemorragias provocadas), traumatismos da vagina, do útero e das trompas; infecções, inclusive tétano, abscessos, septicemias, lesões intestinais, complicações hepáticas e renais pelo uso de substâncias tóxicas. Quando não leva a mulher  à esterilidade e até à morte

Cerca de 30% das mortes por complicações de aborto na cidade de São Paulo são de garotas entre 15 e 19 anos.

Fonte

Como a Pastoral da Criança pode ajudar?

Mobilizando a comunidade através da realização de RODAS DE CONVERSA (dicas 37) estaremos dando mais um passo para que as famílias possam discutir seus problemas e buscar as melhores soluções, com a participação e colaboração de todos.

Como organizar esta roda de conversa para discutir sobre o tema da gravidez na adolescência?

Os próprios coordenadores comunitários e líderes podem organizar a roda de conversa sobre gravidez na adolescência. A reunião pode acontecer na escola, na paróquia ou nos locais onde já acontecem outras reuniões da comunidade.
Convidar as famílias da comunidade para participarem da roda de conversa e convidar também pessoas que trabalham na área de saúde, na área social e de educação, conselheiros municipais, líderes religiosos católicos e não católicos, catequistas, representantes de associações locais e de outras pastorais e movimentos.

Material para trabalhar este tema:

Artigo na sessão APRENDENDO MAIS do jornal no 115 de Maio 2006 

 

Papa Francisco

"Não somente diria que a família é importante para a evangelização do novo mundo. A família é importante, é necessária para a sobrevivência da humanidade. Se não existe a família, a sobrevivência cultural da humanidade corre perigo. É a base, nos apeteça ou não: a família". (Rio de Janeiro, 27 de Julho de 2013) 

Dra. Zilda Arns Neumann

“Muitas gestantes, especialmente as adolescentes, escondem a barriga, sentem medo de ser desprezadas. É aí que a Pastoral da Criança coloca em prática sua mais sublime missão de buscá-las, onde e como estiverem, promover sua dignidade, sua saúde e o seu bem-estar. Nunca devemos julgar, pois isso cabe somente a Deus. A nós cabe acolher e apoiar, para que mãe e criança tenham vida e a tenham plenamente. Grande será a nossa recompensa e alegria por termos ajudado aos que mais precisam.”

Escute outra mensagem da Dra. Zilda:

Nossas histórias: 

Gestante adolescente vive história de superação e transformação

Imagem cortesia de Maya FreeDigitalPhotos.netAcompanhar as gestantes, ver o nascimento e celebrar o desenvolvimento das crianças são momentos gratificantes para a líder Elisa Maria Assi, 62 anos, que assumiu em abril de 2013 a coordenação do Setor 362, Três Lagoas (MS). Em suas lembranças, há um espaço especial para uma adolescente grávida que ela acompanhou na comunidade São José, no Jardim Alvorada, há mais ou menos quatro anos.

A gestante adolescente tinha pouca saúde, estava desnutrida, enfrentou problemas mas conseguiu levar a gravidez até o final. O bebê nasceu com peso normal. Mas a mãe não tinha leite e o bebê também não conseguia sugar. A líder que desde o parto, no hospital, continuava acompanhando diariamente a família, teve um pressentimento na tarde do terceiro dia de vida do bebê. Voltou à casa da adolescente e constatou que a criança estava completamente amarela. Levou-a imediatamente para o hospital.

Sem apresentar melhora, a criança seguiu do hospital de Três Lagoas para a UTI neonatal de Campo Grande e durante sete meses ali permaneceu em luta pela vida. Todos os esforços foram em vão. Nesse período de sete meses a adolescente permaneceu ao lado do seu filho, enfrentando todas as dificuldades e muito sofrimento com a morte de seu bebê.

Com experiência tão difícil para sua idade, a adolescente teve um crescimento pessoal. Adotou um comportamento mais adulto, aprendeu a alimentar-se adequadamente, retomou os estudos e passou a trabalhar. Engravidou de novo. Sempre acompanhada pelas líderes da Pastoral da Criança, assumiu a gravidez com muita responsabilidade e cuidado com alimentação, com a preparação para o aleitamento e pré-natal. O bebê nasceu saudável.

Fazer parte da comunidade da Pastoral da Criança foi muito importante para essa adolescente enfrentar as adversidades da vida. Com 18 meses, a criança já tinha perdido o pai que morreu em um acidente. Hoje, a adolescente já é uma mulher adulta, responsável, mãe cuidadosa de uma criança de três anos. Um exemplo de superação e transformação pessoal.

Imagem cortesia de Maya / FreeDigitalPhotos.net

Mutirão em Busca das Gestantes  município de Antônio Cardoso (BA)

A Paróquia Nossa Senhora do Resgate das Umburanas, no município de Antônio Cardoso (BA), escolheu o Mutirão em busca da gestante como atividade para marcar a retomada das ações da Pastoral da Criança, que até então estava desativada na paróquia. 

O Mutirão contou com a presença de várias gestantes e treze líderes que  reiniciaram os trabalhos. Neste dia, esteve visitando a paróquia o Coordenador 

Estadual da Pastoral da Criança, Cosme Oliveira dos Santos, que enfatizou a importância do trabalho da Pastoral da Criança na cidade e também a preocupação em procurar e acompanhar as gestantes adolescentes. A ação contou com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde, que ministrou palestra sobre a importância do aleitamento materno. 

Comunicadores Populares da Pastoral da Criança de Jequié (BA) apresentam teatro sobre a gravidez na adolescência

ajequi1A Pastoral da Criança da Diocese de Jequié (BA) através da ação de seus comunicadores populares, produziu e apresentou uma peça teatral que abordou o tema “gravidez na adolescência e morte súbita infantil”. 

A peça, apresentada para líderes e famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança, foi idealizada durante o encontro de capacitação de multiplicadores da ação Comunicação Popular. Para a comunicadora Geisa Carine Viana da paróquia Nossa Senhora das Dores em Planaltino-BA, o encontro agregou novas práticas de comunicação popular que possibilitará o crescimento da Pastoral em sua paróquia, “essa peça irá nos ajudar a mostrar que devemos ter uma atenção especial com as adolescentes grávidas”.