Acompanhamento da gestante - a importância do pré-natal

Foto: Eli Pio

Durante a gestação ocorrem mudanças físicas e emocionais. Essas mudanças podem gerar medos, angústia, dúvidas ou curiosidade do que acontece com o desenvolvimento do bebê dentro do ventre materno. Por isso, é muito importante acompanhar a gestante desde o início da gestação, incentivando-a a fazer o pré-natal. É no pré-natal que a gestante tem o acompanhamento do seu ganho de peso, do crescimento do bebê, da pressão do sangue e onde ela faz todos os exames necessários para prevenir ou tratar algumas doenças que podem surgir ou se agravar nesse período. Aqui você vai saber como ter uma gestação saudável, como perceber e agir em caso de sinais de risco e como garantir uma gestação de qualidade e com mais saúde para você e para o bebê.

Conheça os sinais de perigo nos três primeiros meses de gestação e Sinais de perigo no 4º, 5º e 6º mês

Toda mulher ao longo do período da gestação sente vários sintomas e dores, algumas gestantes tem até problemas sérios. Por tudo isso é importante que a gestante e a família saibam identificar os sinais de risco na gestação, sinais que podem indicar que alguma coisa não vai bem e que a gestante deve ser encaminhada o quanto antes ao serviço de saúde. E para entendermos mais sobre os sinais de risco na gestação, a entrevista desta semana é com Regina Reinaldin – enfermeira da coordenação nacional da Pastoral da Criança.

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 Regina Reinaldin - Enfermeira da Pastoral da Criança

Às vezes, as coisas não vão bem e temos o que se denomina “gestação de risco”. O que caracteriza uma gestação de risco?

É a gestação que apresenta qualquer tipo de doença ou condição que prejudique a boa evolução desta gestação. Isso pode acontecer quando a idade da gestante for menor que 17 anos ou maior que 35 anos. Doenças prévias na gestação, doenças que apareça na gestação, uso de drogas, fumo, álcool ou intercorrências espontâneas como: deslocamento da placenta, hipertensão, infecções urinarias, sangramentos, inchaços, diabetes contrações precoces ou outras intercorrências.

Como a idade da mulher que está grávida interfere na gestação?

Antes dos 17 anos de idade, o aparelho reprodutor feminino não está totalmente  desenvolvido. No caso das mulheres acima de 35 anos é mais difícil engravidar pois a mulher tem menos óvulos e é menos fértil e quando engravida-se mais velha a possibilidade de ter filhos com alguma síndrome aumenta e durante a evolução da gravidez é maior o risco de desenvolver hipertensão e diabetes. A idade ideal para engravidar, segundos os médicos, é entre 17 e 28 anos.

Que doenças a mulher pode ter antes de ficar grávida e que durante a gravidez podem trazer sérios problemas?

Se a mulher tiver diabetes, cardiopatias, algumas doenças sexualmente transmissíveis, hipertensão ou se ela for obesa.

Qual é a importância do pré-natal numa gestação de risco?

É fundamental que a mulher faça o quanto antes o pré natal. A mulher deve fazer todos os exames e ser bem orientada sobre as dietas, aleitamento materno, ter uma boa avaliação e identificar todos os riscos que ela possa vir a ter.

Saiba mais: Sinais de perigo na gestação exigem ações imediatas

Leia a entrevista na íntegra: 1331 - Entrevista com Regina Reinaldin - Riscos na gestação (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Programa de Rádio 1153 - 04/11/2013 - Riscos na gestação

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Foto: Eli Pio

Brasil reduz em 51% a mortalidade materna, mas ainda não atinge meta do Objetivo de Desenvolvimento do Milênio

O Brasil tem se destacado nas últimas décadas pela redução da mortalidade infantil. Em 1990 eram registradas 62 mortes a cada mil nascimentos e em 2012 foram registradas 14 mortes para cada mil nascimentos, um índice 77% menor do que em 1990. Já o objetivo de reduzir a mortalidade materna não será alcançado até 2015, data prevista para o alcance das metas.  

A saúde da gestante e assistência que ela recebe durante o pré-natal, parto e pós-parto tem relação direta com o aumento dos índices de mortalidade materna, indicador sensível à qualidade de vida de uma população.
A mortalidade materna se refere a mortes precoces, evitáveis que, em sua quase totalidade, atingem mulheres com menor acesso aos serviços públicos de saúde, o que representa uma grave violação dos direitos das mulheres.

Morte materna é a morte de uma mulher ocorrida durante a gravidez, aborto, parto ou até 42 dias após o parto ou aborto, independente da duração ou da localização da gravidez, atribuídas a causas relacionadas ou agravadas pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.

No Brasil, desde o final da década de 1980, iniciativas vêm sendo desenvolvidas com o propósito de melhorar a cobertura e a qualidade das informações sobre mortes maternas.

Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) são metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, com o apoio de 191 nações, e trazem a preocupação e o compromisso dos países participantes em melhorar oito indicadores de desenvolvimento e saúde.

O Brasil melhorou o acompanhamento das gestantes e reduziu em 51% a mortalidade materna em duas décadas. O relatório “Tendências da Mortalidade Materna: 1990 a 2010”, divulgado pela ONU, mostra que de 1990 a 2010, o número de mortes maternas caiu de 120 para 56 a cada 100 mil nascimentos. Apesar do esforço, ainda é preciso diminuir muito ainda essas mortes.

O trabalho da Pastoral da Criança, por meio de seus milhares de voluntários, contribuiu significativamente para estes resultados, assim como as ações de atenção básica do Sistema Único de Saúde, o SUS. A cada três meses as comunidades com Pastoral da Criança promovem o “Mutirão em busca das gestantes”, identificando as gestantes no início da sua gestação, orientando-a e incentivando para que ela faça o pré-natal. .

Clóvis Boufleur, gestor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança, ressalta o impacto do acompanhamento que o líder da Pastoral da Criança realiza com a gestante, “quando acompanha a gestante desde os primeiros meses de gravidez, o líder tem possibilidades de ajudar a mãe e o bebê a terem melhores condições de saúde. Orientá-la sobre as consultas de pré-natal, os sinais de perigo e os cuidados para ter uma gravidez tranquila. Estudos científicos mostram que os cuidados nos primeiros mil dias têm influência na condição de saúde da pessoa na vida adulta.”

Saiba mais: Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna

Como a Pastoral da Criança Faz

Dra. Zilda

“A gestação é um período importantíssimo para a vida da mãe e para o bebê. Na Pastoral da Criança além do “Guia do Líder” nós temos o “Laços de Amor”, que além de ser laços de amor também ensina os sinais de risco da gestação. A mãe deve ler estas cartinhas do bebê com muita atenção, por que elas ajudam não só a ter a gestação saudável mas inclusive diminui a mortalidade das mães e das crianças. Que Deus vos acompanhe e os abençoe."

Papa Francisco

“Peçamos ao Senhor de ter a ternura que nos permite olhar aos pobres com compreensão e amor, sem cálculos e medos.”

Por sugestão de Dra. Zilda Arns Neumann, Tabatinga (AM) cria “Casa da Gestante”

Nas inúmeras visitas que realizou ao estado do Amazonas, Dra. Zilda pode conhecer a realidade do povo e comunidades do estado. Em suas visitas aproveitava para conhecer os hospitais e câmaras de vereadores de diversos municípios. Em uma das visitas de realizou na diocese de Tabatinga, uma triste história lhe chamou atenção, uma gestante havia morrido por não ter conseguido chegar até o hospital a tempo.

“Certa vez uma gestante, na véspera de minha visita, morreu com grande sofrimento em um barco, porque a criança estava atravessada e não conseguia nascer”, relata Dra. Zilda. Essa triste realidade a impressionou e ela imediatamente começou a buscar alternativas para mudar essa situação. “Sugeri ao Bispo de Tabatinga, Dom Alcimar Caldas Magalhães, que nos acompanhava na visita, que deveria haver uma casa para as gestantes ficarem no final da gestação”.

O Bispo Dom Alcimar, procurou outras autoridades locais para construir e fazer funcionar a Casa da Gestante. “Foi uma conquista muito importante, pois previne muitas mortes maternas e de crianças recém-nascidas e ainda ajuda a diminuir o grande problema social das crianças órfãs. A dificuldade de acesso ao pré-natal e ao parto de qualidade, faz com que naquela região aconteçam mais que o dobro da média nacional de mortes maternas”, lembrou dra. Zilda.

Laços de Amor ajudam gestante com pré-eclampsia

Pastoral da Criança do Setor de Bom Jesus da Lapa (BA) celebra o cuidado com a gestante

dia-do-nascituro-bom-jesus-da-lapaA Pastoral da Criança da Diocese de Bom Jesus da Lapa, na semana da vida, realizou encontros com gestantes, visitas domiciliares, rodas de conversas sobre alimentação saudável e aleitamento materno exclusivo.
O ponto alto foi a celebração da missa do Nascituro na Catedral de Nossa Senhora do Carmo com a presença das gestantes que receberam uma bênção especial.

Na pregação, o Bispo Dom José Valmor César Teixeira destacou: “cuidar da vida desde a sua concepção é missão da igreja que confia esta missão de modo especial à Pastoral da Criança que todo mês vai em busca das gestantes e encaminha para o pré-natal, orienta sobre a alimentação saudável e está perto das mães gestantes transmitindo o amor de Deus. Amor este incondicional que pensa com carinho em cada criança antes do seu nascimento”.

A cada três meses a Pastoral da Criança realiza o Mutirão em busca das gestantes e dedica uma atenção especial para as futuras mamães. Os líderes  comunitários acompanham, orientam e ficam atentos aos sinais de risco durante a gestação.

Ir.Maria Regina Wojakevicz (Coordenadora do Setor 91 - Bom Jesus da Lapa - BA)

Líderes de Belém (PA) têm cuidado especial com as gestantes

Izabel de Souza Batista é líder da Pastoral da Criança há 13 anos na paróquia Nossa Senhora do Bom Remédio, comunidade Beato José de Anchieta. Durante todos esses anos, sempre dedicou uma atenção especial para as gestantes de sua comunidade. “Orientamos a gestante a cuidar os sinais de risco, como por exemplo se ela vomitar, é um sinal que ela não esta bem e o bebê também pode não estar”, conta Izabel. Outra preocupação da líder é com o acompanhamento do pré-natal, “aconselhamos a fazer o pré-natal logo cedo, pois se a mãe ou o bebê não estiver bem, com alguma deficiência, os  médicos podem verificar e já encaminham para algum tratamento”.