1455 mortalidade materna entrevista

Foto: Acervo da Pastoral da Criança

A gravidez é um momento de muita alegria e milagres para as gestantes, mas deve ser também hora de refletir sobre os cuidados que ela deve ter, pois irão influenciar a saúde dela e também do bebê. Fazer o pré-natal corretamente, seguir as dicas dos líderes da Pastoral da Criança e manter hábitos saudáveis são coisas fundamentais para uma gestação de qualidade e tranquila. Para conversar sobre isso, convidamos a Regina Reinaldin, Enfermeira da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança:

O que é a morte materna?

É a morte de uma mulher durante a gestação ou em até 42 dias após o parto devido a qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez.

Viva a VidaPrograma de rádio Viva a Vida
1455 - 12/08/2019 - Mortalidade Materna


Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

O que explica o aumento nos índices de mortalidade materna?

Falta de cuidados necessários, a não assistência e a falta de um pré-natal de qualidade, dificuldade de chegar ao hospital ou de encontrar uma equipe preparada para agir rápido no atendimento. Em 2000, eram 73 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. Em 2015, eram 62 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. Em 2016, o número foi para 64,4 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. Só na região Norte do Brasil, em 2016, foram 84,5 mortes de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. Ou seja, a morte materna está aumentando no Brasil e isto é alarmante.

Quais são as principais causas e motivos que levam à morte materna?

São hipertensão arterial, hemorragia, complicações de aborto em condições inseguras, infecções pós-parto, doenças pré-existentes, tais como diabetes, HIV, malária e obesidade etc. Outras dificuldades são a falta de acesso ao posto de saúde ou à maternidade, cesáreas desnecessárias, partos domiciliares sem assistência, gestantes adolescentes ou idosas.

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 Regina Reinaldin - Enfermeira da Pastoral da Criança

Com esse aumento da mortalidade materna, o que deve ser prioridade?

A taxa de mortalidade materna considerável aceitável pela Organização Mundial de Saúde é de 20 mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. Na verdade, não deveria morrer nenhuma gestante, pois é responsabilidade de todos incentivar o pré-natal, implementar políticas públicas adequadas, valorizar a saúde da mulher, aumentar o número de leitos em maternidades, organizar a ação e a otimização da central de vagas, garantir o transporte seguro de gestantes e bebês, assim como a ampliação do parto humanizado e seguro, além de identificar as gestantes o mais rápido possível. Realizar o mutirão em busca das gestantes, como os líderes da Pastoral da Criança fazem a cada 3 meses, em todas as comunidades, é um ótimo começo.

Leia a entrevista na íntegra: 1455 - 12/08/2019 - Mortalidade Materna (.PDF)