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A gravidez na adolescência pode trazer riscos à saúde da gestante e do bebê, além de desafios para a gestante continuar estudando e planejando seu futuro. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde apontam maiores riscos de algumas complicações na gestação entre adolescentes, inclusive maior probabilidades de prematuridade e baixo peso ao nascer. 

Além do acesso ao serviço de saúde e ao pré-natal adequado, a adolescente também precisa de acolhimento. É importante ouvir sem julgar e apoiar a continuidade dos estudos. Uma rede de apoio fortalecida e sem preconceitos pode ajudar toda a família.  

Para evitar a gestação precoce, é importante conversar sobre sexualidade de maneira adequada à idade e ensinar a reconhecer situações de violência. A prevenção e o cuidado precisam envolver a família, a escola, os serviços de saúde e a comunidade.

Leia a entrevista completa abaixo ou ouça o áudio no player desta página com a Dra. Denise Leite Maia Monteiro, médica ginecologista e obstetra.

Neste conteúdo você encontrará:

• Por que a gravidez na adolescência é considerada de alto risco?

• Como a gravidez precoce pode impactar a saúde, a educação e o futuro da adolescente?

• Quais são os riscos de uma gravidez na adolescência?

• Quais são os principais direitos das meninas e das adolescentes garantidos por lei?

• Como conversar sobre sexualidade de forma saudável com crianças e adolescentes?

• Como a comunidade pode contribuir para proteger crianças e adolescentes de abusos e violências?

• Como incentivar as adolescentes grávidas a buscar os serviços de saúde e iniciar o pré-natal o mais cedo possível?

• De que formas a família e a comunidade podem acolher uma adolescente grávida?

Dra. Denise Leite Maia Monteiro

Entrevista com Dra. Denise Leite Maia Monteiro, médica ginecologista e obstetra, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e membro da Comissão Nacional Especializada em Ginecologia na Infância e Adolescência da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Por que a gravidez na adolescência é considerada de alto risco?

DRA. DENISE:

É importante começar esclarecendo que nem toda gravidez na adolescência deve ser automaticamente considerada de alto risco. A adolescência compreende uma faixa etária muito ampla, de 10 a 19 anos, de acordo com a definição da Organização Mundial da Saúde. Não podemos avaliar da mesma forma uma menina de 13 anos e uma adolescente de 18 ou 19 anos.

Nas adolescentes muito jovens, especialmente abaixo dos 15 anos, existem maiores riscos biológicos e maior vulnerabilidade social. O Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde considera a idade abaixo de 15 anos um fator de maior risco gestacional.

Já entre 15 e 19 anos, o risco precisa ser avaliado individualmente. Devemos considerar a saúde da adolescente, a presença de doenças, o estado nutricional, as condições sociais, o apoio familiar e a qualidade da assistência pré-natal. Portanto, a adolescência, isoladamente, não deve ser usada como um rótulo de gravidez de alto risco.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1826 - 21/09/2026 - Riscos da gravidez na adolescência

 

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Como a gravidez precoce pode impactar a saúde, a educação e o futuro da adolescente?

DRA. DENISE:

A gravidez pode ter repercussões que vão muito além da saúde física. Pode interferir na vida escolar, nos projetos profissionais, na autonomia e nas relações familiares e sociais da adolescente. Mas é importante dizer que esses impactos não são inevitáveis.

Muitas vezes, a gravidez ocorre em um contexto de vulnerabilidade que já existia, como pobreza, violência ou dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Por isso, não devemos responsabilizar a adolescente nem considerar que a gravidez determina o seu futuro. Com o apoio da família, da escola, dos serviços de saúde e da rede social, ela pode continuar estudando, desenvolver seus projetos e construir sua autonomia.uar estudando, desenvolver seus projetos e construir sua autonomia.

Quais são os riscos de uma gravidez na adolescência?

DRA. DENISE:

Os riscos variam muito conforme a idade e as condições de saúde e de vida da adolescente. Nas mais jovens, principalmente abaixo dos 15 anos, eles são mais importantes.

Estudos mostram maior ocorrência de algumas complicações maternas, como pré-eclâmpsia e infecções. Para o bebê, há maior risco de prematuridade, baixo peso ao nascer e algumas complicações neonatais.

Esses riscos, porém, não devem ser apresentados de maneira alarmista. Um pré-natal iniciado precocemente, adequado e acolhedor permite identificar fatores de risco e tratar possíveis complicações de forma precoce, favorecendo melhores desfechos para a mãe e o bebê.

Quais são os principais direitos das meninas e das adolescentes garantidos por lei?

DRA. DENISE:

Crianças e adolescentes são sujeitos de direitos e devem ter garantidos saúde, educação, dignidade, respeito, proteção e convivência familiar e comunitária, sem discriminação. A gravidez não retira nenhum desses direitos.

A adolescente grávida tem direito à assistência à saúde, ao pré-natal, ao parto e ao acompanhamento após o nascimento do bebê. Também tem o direito de permanecer na escola. A legislação brasileira assegura condições para que a estudante gestante continue seus estudos e prevê, quando necessário e mediante indicação médica, atividades escolares em regime domiciliar.

A mensagem para essa adolescente deve ser: a maternidade não precisa significar o fim dos estudos. Família, escola e poder público precisam criar condições para que ela permaneça vinculada à educação e possa desenvolver seu projeto de vida.

Como conversar sobre sexualidade de forma saudável com crianças e adolescentes?

DRA. DENISE:

A conversa sobre sexualidade deve começar muito antes do início da vida sexual, sempre de maneira adequada à idade e ao desenvolvimento da criança ou do adolescente.

Com as crianças, podemos ensinar os nomes das partes do corpo e noções de privacidade, respeito e limites. Explicar que existem partes íntimas e que elas devem contar a um adulto de confiança se alguém fizer ou pedir algo que as deixe desconfortáveis, com medo ou em dúvida.

À medida que crescem, podemos conversar sobre puberdade, relacionamentos, consentimento, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e contracepção. A informação não estimula o início da atividade sexual. Ao contrário, informação de qualidade ajuda crianças e adolescentes a reconhecer situações de abuso, tomar decisões mais conscientes e procurar ajuda quando necessário. A conversa deve ser contínua, com escuta, confiança e sem julgamento.

Como a comunidade pode contribuir para proteger crianças e adolescentes de abusos e violências?

DRA. DENISE:

A primeira atitude é criar um ambiente em que crianças e adolescentes se sintam seguros para falar e sejam levados a sério. Mudanças importantes de comportamento, medo de determinada pessoa, isolamento ou sofrimento emocional podem ser sinais de que algo não vai bem.

Quando uma criança ou um adolescente relata uma violência, devemos acolher, acreditar, não culpabilizar e procurar a rede de proteção. Não cabe à família ou à comunidade fazer uma investigação ou submeter a criança a repetidos interrogatórios.

A proteção é responsabilidade de todos. Situações suspeitas podem ser encaminhadas ao Conselho Tutelar e aos serviços de saúde e de proteção, além de denunciadas pelo Disque 100.

É muito importante lembrar que, diante da gravidez de uma menina menor de 14 anos, a rede de proteção deve ser acionada imediatamente. A legislação brasileira considera a prática sexual com pessoa menor de 14 anos estupro de vulnerável, independentemente de alegação de consentimento.

Como incentivar as adolescentes grávidas a buscarem os serviços de saúde e iniciar o pré-natal o mais cedo possível? 

DRA. DENISE:

A adolescente precisa saber que pode procurar a unidade de saúde assim que suspeitar da gravidez, que será recebida com respeito e que aquele é um espaço de cuidado, não de julgamento.

O Ministério da Saúde recomenda que o pré-natal seja iniciado assim que a gravidez for identificada, preferencialmente até a 12ª semana de gestação.

De que formas a família e a comunidade podem acolher uma adolescente grávida?

DRA. DENISE:

O primeiro passo é acolher sem julgamento. Uma gravidez nesse momento pode trazer medo, insegurança e muitas dúvidas. A adolescente precisa sentir que não está sozinha.

A família pode ajudar acompanhando o pré-natal, favorecendo a continuidade dos estudos, dividindo responsabilidades e oferecendo apoio emocional e prático. O parceiro, a comunidade e a escola também têm um papel fundamental para evitar discriminação, isolamento e abandono escolar.

A adolescente precisa participar das decisões sobre sua saúde e seu futuro. Apoiar não significa decidir por ela, mas ajudá-la a ter informação, proteção e condições para exercer seus direitos e construir seu projeto de vida.

Leia a entrevista na íntegra

1826 - 21/09/2026 - Riscos da gravidez na adolescência

 

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“Saúde e Bem-Estar”

Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

45º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Igualdade de gênero”.

Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Dra. Zilda

“No acompanhamento da gestante mês a mês, através da visita domiciliar, você está melhorando o mundo, pelo benefício que leva à gestante e à criança, na partilha do saber e do amor fraterno”.

Papa Leão XIV

“O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro”