plano-de-partoPlano de parto: o planejamento que faz a diferença

Recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o plano de parto ainda não faz parte da realidade de todas as gestantes e hospitais – públicos e privados -  brasileiros. A Pastoral da Criança, no Guia do Líder, traz um modelo de plano de parto, priorizando a organização da rotina familiar, com a indicação, por exemplo, de quem poderá ficar com os outros filhos da gestante quando ela entrar em trabalho de parto.

O plano de parto, conduta incentivada pela OMS desde 1986 e que aos poucos começa a ser adotado e implantado em algumas maternidades, como o Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte (MG), é uma lista com itens relacionados ao parto. “O plano de parto serve para conscientizar a mulher de que ela pode se orientar a respeito das opções exigentes e definir o que ela deseja. No fundo, é um incentivo para o aumento do número de partos normais”, afirma a presidente da Associação de Ginecologia e Obstetras de Minas Gerais, Maria Inês de Miranda Lima.

No plano de parto constam informações como: quem a gestante deseja que lhe acompanhe durante o trabalho de parto, quais os procedimentos médicos que a mulher aceita e quais ela quer evitar para ela e o bebê, a posição em que deseja ter o filho e se ela deseja se alimentar durante o trabalho de parto.

Adelaide de Augusta Belga, enfermeira obstétrica do Centro de Parto Normal (CPN) David Capistrano da Costa Filho, pertencente ao Hospital Sofia Feldman (MG), trabalha no Centro há mais de uma década ajudando as gestantes a ganharem seus filhos de modo natural, e considera o plano de parto um momento importante durante a gestação, pois convida a gestante a fazer uma reflexão sobre o momento do parto, e isso a deixa mais tranquila.

SAIBA MAIS

“Eu acho bacana quando a mulher chega com o plano de parto elaborado por ela mesma, porque ela tem consciência da importância desse momento. Tentamos respeitar isso, porque quando a gente respeita a opção da gestante, tudo dá certo. Não consideramos o plano de parto como uma ordem, uma determinação. Ele é um trabalho de discussão sobre o parto”, ressalta Adelaide. O CPN do Hospital Sofia Feldman realiza em média, 80 partos normais por mês, enquanto a maternidade do hospital realizou, durante o primeiro semestre de 2013, cerca de 5.627 partos, sendo 24% partos cesáreos.

No Centro de Parto Natural, as gestantes podem escolher a posição em que desejam ter seus filhos, “a mulher escolhe a posição que deseja, na água ou na cama, a escolha é dela. Oferecemos todas as opções e notamos que existe uma procura maior pelo parto de cócoras e na banheira”, relata Adelaide.

Nos últimos quarenta anos, muitos procedimentos artificiais foram introduzidos, de modo a transformar o nascimento de evento fisiológico natural em um complicado procedimento médico no qual todo tipo de droga é usada e todo tipo de procedimento é aplicado, muitas vezes desnecessariamente e alguns dos quais potencialmente prejudiciais ao bebê e até à mãe.

PLANO DE PARTO

As gestantes/parturientes estão cada vez mais conscientes do seu papel de escolha e têm o direito de participar das decisões que envolvem seu bem estar e do bebê que ela está gestando. Lidiane Garcia, de Belo Horizonte (MG), tem 29 anos e ganhou seu segundo filho no CPN. “Aqui foi excelente, no início fiquei um pouco apreensiva pela demora, pois no primeiro parto não tive uma boa experiência. Fiz o parto na água e foi muito bom. Fiquei com medo no início, pois não estava recebendo anestesia, mas depois vi que é superconfortável. A água estava numa temperatura gostosa, o quarto com uma luz ambiente e temperatura boa, eu até esqueci da dor”, lembra Lidiane.

Lidiane conta que o primeiro parto foi realizado em outra maternidade e foi induzido. Seu primeiro filho nasceu com falta de oxigenação no cérebro, precisou ficar 11 dias na CTI e ela não conseguiu amamenta-lo. “Desta vez foi diferente, meu marido ficou o tempo todo comigo. Meu bebê nasceu às 22:49 do dia 22 de novembro, e hoje, dia 23 de novembro, já está aqui comigo, mamando e tranquilo”.

Lucas nasceu com 3.874 quilos e 57 centímetros, “logo que ele nasceu eu peguei no colo, foi uma sensação muito gostosa, com o cordão umbilical ainda. Ele mamou e logo foi limpo. Antes da primeira hora de vida ele já estava mamando normalmente”, lembra Lidiane.

Direito à presença de acompanhante no parto

Desde abril de 2005, o Brasil tem a Lei nº 11.108, que garante a presença de um acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto. Mas a lei não é cumprida em muitos hospitais.

Pediatra, epidemiologista e coordenadora da Comissão Perinatal da secretaria municipal de saúde de Belo Horizonte (MG), Sônia Lansky afirma que a lei brasileira, de 2005, contempla também o setor privado. “O acompanhante traz conforto, segurança, tranquilidade, tudo que ajuda a mulher a se sentir bem para liberar a ocitocina, hormônio que é responsável pela evolução natural do parto. Garante que a mulher vai ter acesso a tudo o que ela precisa, que ninguém vai fazer com ela o que não deve ser feito”, diz.

LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005
Altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS

Art.19-J. Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

§ 1º O acompanhante de que trara o "caput" deste artigo será indicado pela parturiente.
§ 2º As ações destinadas a viabilizar o pleno exercício dos direitos de que trata este artigo constarão do regulamento da lei, a ser elaborado pelo órgão competente do Poder Executivo.

 

 Leia a entrevista na íntegra: 1159 - Entrevista com Clóvis Boufleus - Plano de parto (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

1159 - 16/12/2013 - Plano de parto

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Modelo de plano de parto

É muito importante a gestante e sua família saber como vai ser antes, durante e após o parto, e também quais são os seus direitos e deveres. Além do modelo apresentado no Guia do Líder da Pastoral da Criança, apresentamos abaixo algumas perguntas que a gestante pode fazer durante a gravidez.

Cartela plano de parto (.PDF)

Perguntas antes do parto:

  1. Meu marido pode estar junto?   
  2. Tenho que fazer tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) e enema (lavagem intestinal)?
  3. Vou precisar de soro com ocitocina ( hormônio que e tem a função de promover as contrações musculares uterinas durante o parto)?
  4. Tomar água e sucos durante o trabalho de parto?
  5. E caminhar e ficar na posições que quero?
  6. O monitoramento fetal: é  essencial  e  contínuo?
  7. Tenho o direito a analgesia se não for oferecido?
  8. Tenho o direito de recusar o rompimento artificial de bolsa?

Casal fazendo plano de partoPerguntas durante parto:

  1. Posso escolher fazer força só durante as contrações ou quando eu sentir vontade?
  2. Tenho o direito a um ambiente calmo nesta hora?
  3. É necessário que minha barriga seja empurrada para baixo?
  4. A episiotomia (um corte feito para ajudar a passagem do bebê) posso escolher só se for realmente necessário?
  5. Gostaria de ter meu bebê colocado imediatamente no meu colo após o parto para amamentar?

Perguntas para o após o parto:

  1. Vou ter  auxílio durante a amamentação?
  2. Meu bebê vai junto comigo para o quarto, pois quero estar ao seu lado nas primeiras horas de vida?
  3. Quanto tempo vai demorar a alta hospitalar se tudo correr bem?

Cuidados com o bebê:

  1. Posso dar de mamar sob livre demanda?
  2. Tenho direito ao alojamento conjunto o tempo todo?
  3. Eu vou poder dar o banho no meu bebê e fazer as trocas?

IMPORTANTE:

* A presença do pai durante todo o parto ajuda a eliminar o estresse e ajuda a formação dos laços familiares com o bebê. É direito garantido por lei federal.

* A lavagem intestinal é desconfortável e desnecessária se você teve funcionamento normal do intestino nas últimas 24h. No entanto, se você estiver constipada, poderá a qualquer momento solicitar a lavagem intestinal.

* Caminhar estimula o útero a funcionar eficientemente. Os trabalhos de parto que incluem livre caminhar são mais curtos. A posição é muito importante, como: sentar, deitar de lado, ajoelhar e acocorar. Cada posição pode funcionar melhor ou ser mais confortável em diferentes momentos do trabalho de parto.

* Líquidos previnem a desidratação, e ajuda a não ficar com a sensação de boca seca por causa da respiração

* A raspagem dos pelos não diminui o risco de   infecções.

* O líquido amniótico contido na bolsa tem um efeito de proteção, que resulta em menos pressão na cabeça. O rompimento artificial das membranas aumenta as chances de infecção e cria um limite de tempo para o parto, além de resultar em contrações geralmente mais dolorosas.

* As contrações induzidas por ocitocina são mais difíceis de serem suportadas do que as contrações naturais, tanto para você como para o bebê. Os riscos do parto induzido incluem restrição do suprimento de oxigênio do bebê e parto prematuro. As complicações decorrentes do uso de ocitocina podem aumentar as chances de uma cesárea ser necessária.

* O seu leite é o alimento perfeito para o seu bebê. A amamentação é uma experiência emocional  tanto para o bebê como para a mãe e é barata. Ajuda o útero a contrair e voltar mais rapidamente ao tamanho normal.

Saiba mais:

PDF de um modelo de plano de parto
PDF do plano de parto no Guia do líder

Lembrando do risco da cesária desnecessária:

Cesarianas agendadas com uma semana de antecedência e suas possíveis  consequências:

* Crianças nascidas 2 semanas antes da hora tem 120 mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos.
* As cesarianas acarretam 4 vezes mais infecção no pós parto  e 3 vezes mais doenças e mortes maternas

Como a Pastoral da Criança faz

Papa Francisco

“Levar Jesus naquela casa queria dizer levar a alegria, a alegria plena. Isabel e Zacarias estavam felizes pela gravidez que parecia impossível naquela idade, mas é a jovem Maria que lhes leva a alegria plena, aquela que vem de Jesus e do Espírito Santo e exprime-se na caridade gratuita, na partilha, na ajuda, na compreensão”.

Comunicadores populares da Pastoral da Criança encenam teatro sobre o parto

Para dinamizar o debate sobre a problemática da mortalidade neonatal e fetal, que estava acontecendo no setor de Caicó (RN), o grupo de comunicadores populares do setor encenou a peça teatral “O nascimento do filho do Seu Severino e Dona Sebastiana”.

Através da peça teatral, os líderes e famílias foram orientados sobre a importância de um bom pré-natal, da realização dos exames e da preparação para o parto. A multiplicadora do guia, Francisca Fabiana da Silva, destacou a importância desse tipo de ação, “quero destacar o empenho dos líderes e dos comunicadores populares – PastArt – que fizeram uma ótima apresentação".

"Estamos animados com nosso comunicadores e esperamos contar sempre com a participação deles, para levar as famílias assuntos tão importantes”. A peça teatral também foi encenada no encontrão que reuniu mais de 250 líderes e contou com a presença da coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Irmã Vera Lúcia Altoé.

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