a crianca e a pobreza 2

Foto: Ariene Rodrigues

Na semana da criança no Brasil, vamos dedicar nosso tempo para promover o desenvolvimento integral e o bem estar da criança. Além de celebrar o dia 12 de outubro, uma forma concreta de demonstrar nosso compromisso com a criança é mobilizar recursos baseados na Fé para acabar com a pobreza infantil, aproveitando também a proximidade do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de outubro).

Muito mais que um assunto para fazer parte de debates, a pobreza é uma dura realidade para a criança que sofre com a miséria todos os dias. Segundo as Nações Unidas, a pobreza é causa da morte de pelo menos 17 mil crianças e jovens todos os dias. 61 milhões de crianças estão fora da escola, em dezenas de países. Cerca de 1 bilhão de crianças vivem na pobreza no mundo. O primeiro passo dos adultos é ajudar a criança em situação de vulnerabilidade e pobreza que está mais próxima.

Algo que se destaca no Brasil, quando o assunto é combate à pobreza infantil, é a ampliação de acesso das famílias à renda. Ouvimos com frequência que milhões de pessoas deixaram a linha de pobreza por causa dos programas sociais de transferência de recursos para as famílias. Esta é parte da solução. Na verdade, enquanto estas mesmas crianças não tiverem acesso à educação de qualidade, saneamento básico e moradia digna, elas continuaram pobres.

Causas estruturais e causas de comportamento

As religiões precisam colaborar para combater os efeitos da pobreza. Elas têm a missão de promover mudanças nas pessoas para chegar às causas da pobreza. É preciso acabar com a pobreza e enriquecer as crianças. INSPIRAR. AGIR. MUDAR. Estas são as primeiras palavras da declaração do IV Fórum da Rede Global de Religiões pelas Crianças (GNRC), que aconteceu na Tanzânia, África, em junho de 2012. Segundo esta declaração, “a pobreza é a mais grave injustiça global, uma forma de violência contra a criança”.

É preciso tratar não apenas as causas estruturais da pobreza, mas também as suas raízes no coração humano - ódio, ignorância, ganância, medo - para encontrar soluções duradouras. As iniciativas de combate à pobreza começam nas estruturas internas das tradições religiosas, e incluem cooperar em projetos inter-religiosos, e parcerias com organizações da sociedade civil, agências das Nações Unidas, educadores, governos, bancos de desenvolvimento, negócios, mídia e pessoas de boa vontade. Envolvem o enfrentamento das causas profundas da pobreza e a distribuição desigual de recursos, guerra e violência, má governança e corrupção. Precisam utilizar processos inter-religiosos de comunicação, de diálogo e ações de base comunitária para superar a pobreza.

As instituições financeiras, como o Banco Mundial, e organizações internacionais, como as Nações Unidas, precisam se aproximar das religiões e suas organizações para melhor alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, recentemente lançados como metas para o mundo. O primeiro destes objetivos é erradicar a pobreza extrema até 2030. As religiões podem contribuir para tocar o coração e a vida das pessoas e das sociedades, e erradicar a pobreza extrema, que é viver com menos de R$ 3,75 por dia (1,25 dólares).

A Pastoral da Criança partilha da visão de um mundo onde nenhuma criança vai viver na pobreza. Age para promover o cuidado e a proteção no ambiente familiar, construir e apoiar políticas de combate às injustiças contra as crianças. As religiões não podem agir com a mesma responsabilidade das empresas, como os bancos, os governos ou organizações não governamentais. A força das religiões é espiritual, é como uma bússola moral, que ajuda capacitar as pessoas e sociedades a reconhecerem e respeitarem a dignidade que existe em cada pessoa.

Sugestão de iniciativas de combate à pobreza para as tradições religiosas:

  • Organizar eventos comunicação e mobilização de lideranças religiosas para dar visibilidade aos casos de extrema pobreza nos municípios.
  • Convocar as tradições religiosas e a sociedade para definir as ações de combate à pobreza extrema que atinge especialmente as crianças.
  • Incluir as causas das pobreza relacionadas com o comportamento humano nas homilias e pronunciamentos religiosos.
  • Divulgar iniciativas que sirvam de inspiração positiva para a sociedade. 

Clóvis Boufleur - gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança

Saiba mais: Iniciativas para acabar com a pobreza infantil (em inglês)

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