Neste mês, em que comemoramos o Dia da Criança, venho propor que, ao lado de preparar momentos alegres, com muitas brincadeiras para comemorar com as crianças, pensemos em como realmente todos nós: mães, pais, familiares e pessoas nas comunidades, estamos participando da vida de nossas crianças.

No final de julho deste ano, notícias nos jornais mostraram fatos chocantes: um garoto de 11 anos perdeu um braço por ter se aproximado demais da jaula de um tigre para lhe dar ossos de galinha, durante um passeio ao zoológico com o pai. Em outro dia, foi o caso de uma mãe que jogou o filho de dois anos contra a parede, por ficar irritada por ele mexer em seu celular sem permissão e o menino morreu. Onde estava  o pai do garoto? O que se passava com a mãe para ter uma atitude extrema dessa? Outras notícias sobre descuidos ou maus tratos contra as crianças também têm aparecido nos jornais e na TV. Logo pensamos que esses pais foram descuidados, violentos.

Sabemos que os pais são os mais importantes e primeiros responsáveis pela educação de seus filhos e filhas. Mas será mesmo que esses pais são os únicos responsáveis pelo que aconteceu, seja por descaso com o filho ou problemas com drogas ou mentais da mãe? Ninguém mais estava por perto para ter uma atitude que protegesse realmente as crianças?

Uma família pode criar sozinha uma criança?  Pensamos então que temos as creches, pré-escolas e escolas e colocamos nelas o resto da responsabilidade pelas crianças. Mas pergunto de novo: e nós, outras pessoas que vivem na mesma comunidade que as crianças, como nos colocamos em relação a elas?

Leis são criadas para proteger as crianças: temos lei contra palmada, contra a publicidade infantil, temos que colocar cadeirinhas especiais nos carros. Mas será que é  isso que a sociedade pode fazer para proteger as crianças? Quando vemos alguma omissão ou violência que possa causar  dano grave a uma criança, o que fazemos?

Sabemos que nós, seres humanos, somos profundamente dependentes uns dos outros e mais ainda as crianças. Elas são menores, frágeis, inexperientes, indefesas. Creio que todos nós devemos, respeitando a responsabilidade dos pais, procurar também defender  as crianças.

Se queremos viver e que os outros vivam uma vida saudável, digna e feliz temos que cultivar o amor, a atenção o cuidados para com as pessoas e, principalmente, para com as crianças que nos cercam. Temos que ser defensores de tudo que torne possível unir as pessoas para “viverem em comum”, que é o sentido de comunidade. Todos somos responsáveis em alguma medida, uns pelos outros.

Márcia Mamede
Assistente Técnica da Pastoral da Criança

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