1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistaCréditos: shutterstock

A infância é uma fase que exige atenção constante com a saúde. Desde o nascimento até os primeiros passos, os cuidados são fundamentais, principalmente quando o assunto é imunidade e doenças respiratórias, como asma e bronquite.

Muitas dúvidas surgem entre os responsáveis: qual delas é uma doença alérgica? Qual afeta mais as crianças? O ambiente interfere? E qual é o tratamento mais indicado?

Apesar dos sintomas parecidos, asma e bronquite são doenças diferentes. Por isso, o diagnóstico correto é essencial para garantir o tratamento adequado.

A asma infantil é uma doença respiratória crônica causada pela inflamação das vias aéreas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 339 milhões de pessoas convivem com a condição no mundo. No Brasil, a doença é considerada uma das mais comuns na infância.

No conteúdo desta semana, a Ana Lea Clementino, médica pediatra e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná, explica as diferenças entre as doenças, os principais sintomas, causas e tratamentos, além da importância da informação e do acompanhamento médico adequado.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistadoDRA. ANA LEA

Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra. Ela atua também como líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

Dra. Ana Lea, o que é uma doença respiratória alérgica? E quais são as principais?

DRA. ANA LEA:

Bom, uma doença respiratória alérgica é uma doença inflamatória das vias aéreas, em geral, mediada por respostas imunológicas exageradas do indivíduo. Então, ao contrário do que muita gente pensa, não é falta de imunidade, às vezes é um sistema imunológico que trabalha em excesso para responder alguns agentes do ambiente, como vírus, poeira, fumaça. As principais, as mais conhecidas, são a rinite alérgica, que se manifesta no nariz, com coceira, prurido, coriza, e a asma, que pode se manifestar com tosse persistente, falta de ar, chiado no peito.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1810 - 01/06/2026 - Asma e Bronquite

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

O que é a asma?

DRA. ANA LEA:

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que têm períodos de melhora e piora conforme o clima, conforme os agentes ambientais, como presença de poeira, vírus, maior circulação de vírus, fumaça. Existe um fator genético envolvido, mas não é obrigatório. A asma pode gerar falta de ar, chiado no peito, tosse persistente, aperto no peito, quadros de tosse que nunca melhoram, crianças que quando ficam doentes demoram para sarar. Essas crianças a gente tem que suspeitar que podem ter asma.

Quais são os sintomas da asma?

DRA. ANA LEA:

Os principais sintomas da asma são tosse persistente, falta de ar, aperto no peito, chiado no peito. Por exemplo, uma criança que tem uma tosse que nunca melhora. Às vezes já usou antibiótico várias vezes, mas continua tossindo. Em períodos como inverno e primavera, ela piora desse quadro. Ela piora durante a noite e pela manhã e após atividade física. Aí você precisa suspeitar que ela pode ter asma.

Existe tratamento para a asma? E no SUS?

DRA. ANA LEA:

Essa é uma pergunta muito importante porque existe tratamento para asma e o SUS disponibiliza esse tratamento gratuitamente. Então, hoje, no Brasil, nós temos uma incidência de asma da ordem de 20% das crianças brasileiras, sendo que nas áreas vulneráveis quase 50% apresentam sintomas de asma sem diagnóstico. E nós temos o tratamento no Sistema Único de Saúde gratuitamente. Por isso, é muito importante que as famílias estejam bem orientadas com relação a isso e que os líderes da Pastoral da Criança também saibam que esses sintomas podem ser devido à asma e que o tratamento está disponível na rede pública para encaminharem as suas famílias para fazer um tratamento adequado.

Quais são os danos de uma asma não tratada na infância?

DRA. ANA LEA:

A asma não tratada na infância pode levar a algo que a gente chama de remodelamento brônquico, que é uma reconfiguração do sistema respiratório. É como se o sistema respiratório formasse várias cicatrizes que não vão melhorar ao longo do tempo. O indivíduo pode ter perda de função pulmonar ao longo da vida por não tratar a asma na infância. Então, é preciso lembrar que a asma não é simplesmente uma doença, uma doença comum, ela é uma doença social, porque quanto mais carente a família, quanto mais carente essa criança, maior o risco dela não fazer o tratamento adequadamente e sofrer com as consequências futuras de uma asma não tratada. É preciso lembrar que o líder da Pastoral da Criança tem uma função e uma atuação muito importante dentro das famílias orientando a necessidade de se tratar e encaminhar essas famílias para fazer o tratamento quando houver a suspeita. Uma criança que tosse permanentemente ou constantemente e vive doente, é necessário que a gente suspeite e encaminhe para tratamento e diagnóstico.

(TESTEMUNHO) Maria Regina Braga Magalhães, líder da Pastoral da Criança de Nova Andradina, Diocese de Naviraí, Mato Grosso do Sul.

Maria Regina, quais são as orientações que vocês dão para as famílias sobre a prevenção das infecções respiratórias?

MARIA REGINA:

A nossa orientação às famílias é para que cuidem da higiene, lavando sempre as mãos com água e sabão, especialmente antes de comer, após tossir ou espirrar. Nós precisamos também manter a nossa casa sempre limpa e bem ventilada. Mesmo o tempo de frio, evitando assim o acúmulo de poeira nos tapetes, nas cortinas, nos bichinhos de pelúcia, manter o calendário vacinal sempre atualizado contra a gripe e outros, não fumar e evitar ambientes com fumaça, poluição, odores fortes e dar bastante água ou suco natural para as crianças.

Leia a entrevista na íntegra

1810 - 01/06/2026 - Asma e Bronquite

 

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A saúde não pode ser um luxo para poucos, mas sim uma condição essencial para a paz social. A cobertura universal de saúde não é apenas um objetivo técnico a ser alcançado; é, antes de tudo, um imperativo moral para as sociedades que desejam se definir justas. O acesso à saúde e à proteção deve ser garantido aos mais vulneráveis, pois isso é necessário para a sua dignidade e também para evitar que a injustiça se torne semente de conflito.”