1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistaFotos: Freepik

A pele do bebê costuma ser lembrada pelo toque macio e pelo “cheirinho de recém-nascido”, mas vai muito além da estética. Ela é um órgão de proteção, sensível e ainda imaturo, que exige cuidados desde os primeiros dias de vida.

Por desconhecimento, muitos problemas de pele acabam deixando de ganhar a devida atenção por parte da família, ou são tratados com soluções caseiras ou produtos inadequados para a idade da criança. A orientação correta faz diferença para prevenir complicações e garantir mais conforto e saúde.

Para ajudar as famílias, o Programa Viva a Vida conversou com a pediatra Dra. Ana Lea Clementino, que explica as alterações de pele mais comuns nos bebês, como prevenir assaduras e alergias, quando procurar a unidade de saúde e quais cuidados simples realmente funcionam. Acompanhe a entrevista abaixo.

Entrevista com Ana Lea Clementino, médica pediatra, integrante da equipe técnica e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

Dra Ana Lea, o que é a dermatite da fralda, também conhecida como assadura, e como lidar com isso?

DRA. ANA LEA:

A assadura pode acontecer por dois mecanismos: irritação direta da pele pelo tempo de contato com urina e fezes ou pela proliferação de fungos na região genital.

No caso da irritação direta, é possível prevenir com a troca frequente de fraldas, limpeza com algodão e água morna, evitando lenços umedecidos no dia a dia, e usando cremes de barreira, como pomadas à base de zinco, vitamina A ou até vaselina pura, que protege a pele e tem baixo custo. Sempre que possível, também é indicado deixar o bebê alguns minutos sem fralda.

Quando a assadura não melhora ou surgem alterações na pele, como pápulas, bolinhas vermelhas ou descamação, pode haver proliferação de fungos. Nesses casos, é necessário procurar a unidade de saúde para o tratamento adequado, que normalmente não é complicado.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1798 - 09/03/2026 - Cuidados com a pele e higiene do bebê

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

O que é a dermatite atópica? Como cuidar?

DRA. ANA LEA:

A dermatite atópica é uma alergia que se manifesta na pele, principalmente em crianças com histórico familiar de alergias, como rinite e asma. A pele fica seca, áspera, com bastante coceira e pode se tornar mais grossa. Não é contagiosa e apresenta períodos de melhora e piora ao longo do ano.

Os cuidados estão diretamente ligados à hidratação da pele. Quanto mais hidratada, menor a chance de piora. Recomenda-se banho rápido, com água fria ou morna, uso de sabonete suave e em pouca quantidade, e aplicação de hidratante várias vezes ao dia, especialmente nos três primeiros minutos após o banho. Deve-se evitar roupas sintéticas. Quando a família não puder adquirir hidratante específico, a vaselina pode ser usada nas áreas mais secas. Se a pele abrir, infeccionar ou piorar, é importante procurar a UBS.

Em relação à sarna e piolho, o que as famílias podem fazer?

DRA. ANA LEA:

Sarna e piolho são ectoparasitas, ou seja, parasitas que vivem na parte externa do corpo. Não há tratamento caseiro recomendado pelo Ministério da Saúde nem pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Os cuidados incluem manter unhas cortadas, trocar lençóis e toalhas durante o tratamento, ferver roupas íntimas e de cama e evitar compartilhar bonés e toalhas.

Existem medicações tópicas, aplicadas na pele ou no couro cabeludo, e também medicamentos de uso oral. Para isso, é necessário levar a criança à unidade de saúde para receber a medicação correta.

Quando se preocupar com lesões de pele nas crianças? E quando levá-las à Unidade Básica de Saúde?

DRA. ANA LEA:

A família deve procurar atendimento quando houver feridas com pus, manchas que se espalham rapidamente, alergias que não melhoram, assaduras intensas ou disseminadas, com sangramento ou descamação, ou que pioram após três dias mesmo com pomadas preventivas. Também é sinal de alerta febre associada a manchas na pele e coceira intensa que atrapalha o sono e não melhora. A avaliação médica evita complicações e orienta o tratamento correto.

A família precisa gastar muito para cuidar da pele do bebê e das crianças?

 DRA. ANA LEA:

Não. Os cuidados essenciais são simples e funcionam bem. O banho deve ser rápido, com água morna e pouco sabonete. Para evitar assaduras, é importante manter a região limpa e seca, usar algodão com água morna e aplicar fina camada de creme de barreira ou vaselina. Roupas leves no calor ajudam a prevenir brotoejas.

O cuidado com o umbigo também é simples: manter limpo, seco e para fora da fralda, com limpeza apenas com água e sabão. Em muitas comunidades, o Ministério da Saúde ainda orienta o uso de álcool 70% incolor até a queda do coto, pois reduz o risco de infecção. Não devem ser usados talco, maizena, ervas, pasta de dente, óleos de cozinha, perfumes fortes ou faixas no umbigo.

(TESTEMUNHO) Regina dos Santos Santana, coordenadora da Pastoral da Criança, Riacho Fundo Dois, Brasília, Distrito Federal.

Regina, que orientações os líderes dão para as famílias sobre os cuidados com a pele das crianças em geral?

REGINA:

Orientamos as famílias a cuidarem da pele das crianças com atenção e carinho, porque ela é mais sensível e precisa de proteção. Reforçamos a importância de manter a pele sempre limpa e seca, especialmente nas dobrinhas, para evitar assaduras e irritações..

Indicamos o uso de sabonetes hidratantes suaves, próprios para bebês, e lembramos que produtos com perfume ou substâncias fortes podem causar alergias. Também orientamos sobre a proteção contra o sol, com uso de chapéu e evitando os horários de maior calor.

Quando aparece qualquer vermelhidão persistente ou alteração na pele, orientamos a família a procurar o serviço de saúde. Nosso objetivo é ajudar cada criança a crescer com mais conforto e bem-estar.

Leia a entrevista na íntegra

1798 - 09/03/2026 - Cuidados com a pele e higiene do bebê

 

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