Crianças brincando em uma Celebração da Vida da Pastoral da Criança Foto: Acervo
Brincar sempre foi uma forma importante da criança se expressar, aprender e se desenvolver. Por meio das brincadeiras, ela aprende a lidar com as emoções, desenvolve o corpo, a atenção, a memória e outras habilidades importantes para a sua formação. Quando a criança tem garantido o direito de brincar, sua autoestima é fortalecida e a forma como socializa é moldada, contribuindo para o crescimento da empatia e para o seu desenvolvimento pessoal.
Diversos estudos mostram que brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. Segundo o Unicef, as brincadeiras estimulam habilidades cognitivas, emocionais, sociais e motoras, além de fortalecer vínculos familiares e comunitários.
No Brasil, o direito ao brincar é assegurado pela Constituição, no artigo 227, que determina ser dever do Estado, da família e da sociedade garantir à criança, com absoluta prioridade, o direito ao desenvolvimento físico, emocional e social.
O Dia Mundial do Brincar, comemorado em 28 de maio, reforça essa importância. A data foi criada em 1999, no Japão. E atualmente é celebrada em mais de 40 países, incluindo o Brasil, reconhecendo que brincar é um dos pilares para um desenvolvimento saudável e integral.
Entretanto, surge uma reflexão importante: como incentivar a criança a brincar em um mundo cercado por telas? Especialistas alertam que o excesso de tempo em celulares, tablets e televisões pode impactar a atenção, o sono e a socialização infantil. Além disso, muitas crianças ainda não possuem espaços seguros para brincar devido às desigualdades sociais.
No conteúdo desta semana do Programa Viva a Vida, Priscila do Rocio Costa, pedagoga da equipe técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, aborda os principais aspectos da importância da brincadeira na infância e os desafios atuais para a garantia desse direito.
Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Pedagoga, Priscila do Rocio CostaEntrevista com Priscila do Rocio Costa, pedagoga da área de desenvolvimento infantil da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.
Priscila, por que o brincar é tão importante para o desenvolvimento infantil?
PRISCILA:
O brincar é o combustível do cérebro na primeira infância. O brincar livre contribui para o desenvolvimento das funções executivas, como memória, o controle emocional, corporal, raciocínio lógico, tomada de decisões, por exemplo. Além disso, ele favorece a convivência e fortalece a autoestima e a empatia. Na visão da Pastoral da Criança, o brincar também fortalece o vínculo afetivo.
Como as cidades podem se tornar mais "amigas da criança" através de espaços de lazer?
PRISCILA:
Uma cidade boa para a criança é uma cidade boa para todos. Tornar as cidades amigas da criança exige um planejamento urbano que valorize as pessoas e o contato com a natureza.
Precisamos de praças, parques seguros, iluminados, calçadas acessíveis, que não sejam apenas depósitos de brinquedos e de estruturas, mas de espaço de convivência e contato com o meio ambiente. As pesquisas mostram, inclusive, que o contato com a terra, com a planta, com água, contribui para reduzir o estresse, a ansiedade e o risco de obesidade. Além dos espaços públicos, também é importante que o brincar e o convívio também sejam incentivados no dia a dia, dentro de casa, nas escolas, em outros ambientes da comunidade, garantindo que a criança tenha oportunidades de se desenvolver de forma integral em todos os lugares onde ela vive.
As cidades também podem favorecer esse cuidado, criando caminhos seguros e acolhedores entre casa, escola e comunidade. A própria comunidade também pode se envolver organizando espaços em terrenos disponíveis, promovendo as ruas do brincar e incentivando o uso das praças. É também importante o controle social, acompanhar de perto e cobrar do poder público ações que garantam espaços adequados e seguros para as crianças. Assim como a participação de todos, nós construímos uma comunidade mais acolhedora, onde as crianças podem crescer, brincar e se desenvolver com dignidade.
Programa de rádio Viva a Vida – 1809 - 25/05/2026 - Dia Mundial do Brincar
Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Priscila, é possível notar diferenças no desenvolvimento de uma criança que brinca pouco em comparação com uma que brinca livremente?
PRISCILA:
Sim, as diferenças são visíveis e comprovadas. A criança que brinca pouco, muitas vezes confinada ou sobrecarregada de telas, pode apresentar atrasos na aprendizagem, no desenvolvimento motor, dificuldades de interação, de socialização, maior irritabilidade, dificuldade de sono, sobrepeso, obesidade. E já aquela criança que brinca livremente, que corre, que pula, ela se desenvolve com mais autonomia. Ela aprende a resolver problemas sozinha, a criar suas próprias regras e a ter iniciativa. E o brincar livre estimula a criatividade. Então, na Pastoral da Criança, nós notamos que as crianças que têm espaço para o lúdico são mais resilientes e confiantes. O brincar permite que a criança ensaie a vida adulta com segurança, com equilíbrio emocional e alegria. E esse aprendizado é uma base sólida para toda a vida.
(TESTEMUNHO) Pablo Lopes, professor de educação infantil e multiplicador da ação Brinquedos e Brincadeiras junto à Coordenação Arquidiocesana da Pastoral da Criança de Brasília, Distrito Federal.
Pablo, como vocês orientam as famílias para a inclusão no brincar, a fim de que todas as crianças possam brincar juntas?
PABLO:
O brincar é uma das bases mais importantes do desenvolvimento infantil. Ela envolve linguagem, interação social e regulação emocional e criatividade. No caso das crianças neurodivergentes, como aquelas com autismo ou TDAH, não se trata de não saber brincar, mas de brincar de formas diferentes. A inclusão, por exemplo, acontece quando essas diferenças são compreendidas e respeitadas. O papel do líder da Pastoral da Criança é orientar as famílias para validar o jeito de cada criança brincar, modelar as habilidades sociais de forma mediada, adaptar o ambiente e promover as atividades cooperativas. Também é essencial preparar as outras crianças para a diversidade, evitar forçar interações e trabalhar em parcerias com as famílias. A ideia central é sair de um modelo de normalização e caminhar para um modelo de adaptação, garantindo que todas as crianças possam participar e se desenvolver plenamente.
(TESTEMUNHO) Maria Cristina da Silva Castro, líder e coordenadora paroquial de Águas Lindas de Goiás, estado de Goiás.
Maria Cristina, por que é importante a criança brincar?
MARIA CRISTINA:
O pai e a mãe precisam tirar pelo menos 30 minutos para brincar com seus filhos, pois é brincando que a gente descobre o grau de dificuldade do desenvolvimento dos nossos filhos, como lidar, como ele está lidando com o brinquedo, com os coleguinhas, com os irmãos. E a gente consegue ver o desenvolvimento dessa criança para ver se ela não precisa de um acompanhamento especializado.
(TESTEMUNHO) Maria José Pereira de Melo, Líder da Pastoral da Criança de João Câmara, Rio Grande do Norte.
MARIA JOSÉ:
Todas as crianças têm direito de brincar, também aquelas que têm diferenças no funcionamento do cérebro. As brincadeiras favorecem o desenvolvimento infantil e promovem a inclusão e a empatia entre as crianças. Por isso, orientamos as famílias a brincarem com as crianças através de brincadeiras adaptadas. É importante identificar os interesses da criança, do que ela gosta de brincar e, a partir daí, criar jogos de interação.
Leia a entrevista na íntegra
1809 - 25/05/2026 - Dia Mundial do Brincar
3º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Saúde e Bem-Estar”
Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades
4º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável
“Educação de Qualidade”.
Garantir o acesso à educação inclusiva, de qualidade e equitativa, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Dra. Zilda
“Vamos educar nossas crianças com amor, pois esse amor se converte em gestos de fraternidade para o Brasil e o mundo”.
"Vocês são testemunhas de como as crianças nos educam enquanto as educamos e de como devemos protegê-las de uma visão desumana da informação e da educação. Todos nós, especialmente hoje, na era digital e da inteligência artificial, precisamos de uma educação permanente.”
