1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistaCréditos: Pixabay

No dia a dia, por conta da correria, é comum recorrer a um medicamento para aliviar dores da rotina, como dores musculares, de cabeça ou até desconfortos no estômago. Muitas vezes, aquela “mini farmácia” em casa parece suficiente para resolver o problema rapidamente. Em outras situações, a busca por indicações de familiares ou amigos também acaba influenciando na escolha do remédio.

Mas o uso de medicamentos sem orientação médica, inclusive aquele remédio que sobrou de um tratamento anterior pode ser mais perigoso do que muita gente imagina. E o alerta não vale apenas para crianças, mas também para a saúde dos adultos.

Dados do Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontam que mais de 77% da população brasileira admite tomar medicamentos sem orientação médica. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a automedicação só é aceitável quando ligada ao autocuidado responsável, ou seja, ao cuidado que a pessoa tem com a própria saúde de maneira consciente e segura, adotando hábitos saudáveis e seguindo orientações adequadas e, não à autoprescrição, que ocorre quando a própria pessoa decide qual medicamento usar sem orientação de um profissional de saúde.A asma infantil é uma doença respiratória crônica causada pela inflamação das vias aéreas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 339 milhões de pessoas convivem com a condição no mundo. No Brasil, a doença é considerada uma das mais comuns na infância.

No conteúdo desta semana, a médica pediatra e líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná, Ana Lea Clementino, explica o que é a automedicação, os principais riscos do uso sem orientação e como esse hábito pode afetar adultos e crianças.

Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.

1797 dia da mulher e a busca pela equidade entrevistadoDRA. ANA LEA

Entrevista com Dra. Ana Lea Clementino, médica pediatra. Ela atua também como líder da Pastoral da Criança em Londrina, Paraná.

Por que a automedicação é ainda mais grave e perigosa com crianças?

DRA. ANA LEA:

Nas crianças, o risco é maior, porque o organismo ainda está em desenvolvimento. O fígado e os rins não funcionam como os dos adultos. Então, isso aumenta o risco de intoxicação. Além disso, a dose precisa ser calculada com base no peso dessa criança e os erros são muito mais comuns quando os pais medicam por conta própria as crianças do que nos adultos. Então, a Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que até medicamentos comuns, como antitérmicos, podem causar danos se forem usados de forma inadequada. Criança não é um adulto pequeno, a gente tem que deixar isso bem claro, qualquer medicação deve ser orientada por um profissional.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1812 - 15/06/2026 - Os riscos da automedicação

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Quais são os riscos da automedicação na gravidez e durante a amamentação?

DRA. ANA LEA:

Durante a gravidez e a amamentação, a automedicação pode afetar diretamente o bebê. Então, alguns medicamentos podem causar malformações, prejudicar o desenvolvimento do bebê ou passar para o leite materno. O bebê ingere essa medicação com o leite materno e, dependendo da medicação, sofre os efeitos colaterais. Muitas vezes, a mãe acha que um remédio comum é seguro, mas nem sempre é. A gente tem que estar alerta que nem toda medicação nessa fase pode ser ingerida pela mãe e ela deve ser sempre avaliada por um profissional antes de tomar qualquer medicamento. Então, cuidar da mãe é cuidar do bebê e isso inclui o uso seguro de medicamentos.

Dra. Ana Lea, que cuidados devemos ter ao guardar remédios em casa?

DRA. ANA LEA:

Os medicamentos devem ser sempre guardados fora do alcance das crianças, de preferência em locais altos e trancados, fora da visão delas. A gente tem que evitar deixar remédios em bolsas, mesas ou gavetas acessíveis. Também é importante manter a embalagem original com identificação e nunca dizer à criança que remédio é balinha, porque isso aumenta o risco de ingestão acidental, porque você desperta a curiosidade e a vontade dessa criança. É preciso lembrar que as intoxicações por medicamentos estão entre os principais acidentes domésticos na infância.

O que é mais importante numa criança com febre? É necessário levá-la imediatamente ao pronto-socorro? Como a família deve agir?

DRA. ANA LEA:

Nem sempre. A febre é um mecanismo de defesa do corpo. O mais importante não é o número que está marcando no termômetro, mas como essa criança está se apresentando, se ela está ativa, se ela está hidratada, mamando ou brincando. Geralmente, essas crianças podem ser acompanhadas em casa nos primeiros dias de febre. Desde que elas estejam em bom estado geral. Você deve procurar atendimento se houver sinais de alerta, como, por exemplo: prostração (estado de cansaço excessivo e falta de disposição), dificuldade para respirar, vômitos que persistem ou febre em bebês menores de dois meses. Mas, tirando esses casos, na maioria das vezes é possível observar um pouco essa criança em casa, mesmo que ela esteja febril. A febre assusta, mas, na verdade, o comportamento da criança é que deve ser o principal guia.

(TESTEMUNHO) Marinalda Ferreira Augusto, Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral da Criança de João Pessoa, estado da Paraíba.

Irmã Marinalda, que orientações vocês dão para as famílias sobre os perigos da automedicação, especialmente com as crianças?

IR. MARINALDA:

A Pastoral da Criança, que busca sempre cuidar da vida, nos orienta que, dar remédio por conta própria para uma criança é um risco sério. Medicamentos sem prescrição médica podem causar intoxicações, reações alérgicas e até mesmo mascarar doenças. Lembre-se sempre, o remédio que você toma ou aquele que o filho da vizinha usa pode ser prejudicial para o seu filho. A regra é clara, remédio só com orientação médica. E atenção, mantenha sempre os medicamentos fora do alcance das crianças. Em caso de dúvidas, procure o serviço de saúde mais próximo e se informe. Pastoral da Criança, cuidando da vida com amor, responsabilidade e esperança.

Leia a entrevista na íntegra

1812 - 15/06/2026 - Os riscos da automedicação

 

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