pai com bebeQuando vamos comemorar o Dia dos Pais, é sempre bom lembrar a função  fundamental que todo pai teve e tem no desenvolvimento de seu filho ou filha, desde seu nascimento. A sua forma de participar dos cuidados e da educação de seus filhos é que vem mudando e precisa mesmo mudar. O principal fator para isso é a inserção maior das mulheres no mercado de trabalho, o que acarreta dupla jornada de trabalho para as mães e faz com que o pai precise também mudar seu papel em casa, junto à mulher e aos filhos. E isso começa desde a gestação.

O bebê humano é o mamífero mais dependente dos adultos para viver. Ele não tem seu desenvolvimento completado na gestação, pois ficaria muito grande e não caberia na barriga da mãe. Sendo assim, depois que nasce, precisa da mãe até para ser levado ao peito para mamar. Vocês já viram que outros animais mamíferos que conhecemos, como gatinhos, cachorrinhos e bezerrinhos vão, por conta própria, até as tetas da mãe, não é?

Pai e mãe, cada um com sua importância

Bem pequeno, o bebê precisa muito da mãe para sobreviver, pois ela tem que continuar sua função de mãe, que já começou no ventre, dando alimento, calor, proteção, cuidados e amor ao bebê. Mas e o pai? Ele também, desde a gestação, atendendo e compreendendo as necessidades da sua mulher gestante, está contribuindo para o desenvolvimento do bebê. Quando o bebê nasce, o pai não vai poder amamentá-lo, mas pode estreitar mais sua relação com o bebê dando calor, proteção, cuidados e amor a ele. Nisso, está também auxiliando a mãe a se recompor para dar o alimento e a atenção que o bebê solicita.

Mas o pai tem outra função muito importante, que é ajudar a mãe a dar “asas” ao filho, ou seja, atender às necessidades do bebê e da criança na medida, sem super proteger. Muitas de nós, mulheres, temos o instinto de “chocadeira”, protegendo nossos filhotes até mais do que eles necessitam e assim, pelo excesso de amor ou por insegurança, não favorecemos a construção da segurança e autonomia de nossos filhos e filhas. Ter autonomia significa saber pensar, escolher, decidir, fazer as coisas por conta própria, pois não podemos depender de mãe e pai a vida toda, nem os pais querem isso. Como, mais ou menos, disse o médico e psicanalista Francisco Daudt, em um artigo do jornal Folha de São Paulo: “(...) no melhor dos mundos, as funções de mãe, no atendimento às necessidades do bebê, iriam diminuindo, na medida em que as capacidades do bebê, da criança, fossem aumentando, apoiadas pela função do pai que vai mostrando – filho que aprende a andar, não precisa de colo, filha que já consegue segurar o garfo não precisa receber alimento na boca – entre outros exemplos de ‘dar asas’ aos filhos, o que geralmente os pais fazem melhor que as mães”. 

Mais do que vínculo biológico, ser pai é um papel que envolve afeto

E no caso das crianças que não têm pai, seja por orfandade ou por eles não assumirem a paternidade? Elas não vão encontrar uma ambiente que favoreça seu desenvolvimento? Ter o pai presente e cumprindo sua função é uma condição que, a princípio, traz melhores condições para o desenvolvimento de uma criança. Apesar disso, na falta dele, se ela encontrar uma pessoa que cumpra com amor e empenho a função de pai, poderá ter o ambiente que necessita. E será preciso também mostrar à criança que, mesmo ela não sendo filho ou filha biológico(a) do homem que assumiu a função de pai, ele a ama, cuida e educa. Conversar, explicar as coisas para a criança, de acordo com seu nível de compreensão, é muito importante para que ela se sinta amada, cuidada, ganhe segurança e autonomia. 

E uma mensagem às mães e avós: ajudem os pais a cumprirem seu papel, abram espaço e confiem que eles vão saber cuidar e educar também suas crianças. O psicólogo Jerome Brunner, grande estudioso do desenvolvimento, diz que: “Fazer é saber”. Portanto, vamos incentivar e apoiar os pais, para que participem da prática, das atividades do dia a dia junto a seus filhos e filhas, o que seguramente será melhor para todos.

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Márcia Mamede - Assistente Técnica da Pastoral da Criança