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Foto: Daviles | Freepik

O câncer é uma doença multifatorial, o que significa que diversos são os aspectos que podem favorecer o seu desenvolvimento. Embora a doença apareça com maior incidência em pessoas com idade avançada, algumas formas de câncer podem ocorrer entre crianças, jovens e adultos.

A descoberta da doença é um momento estressante e até mesmo traumático, tanto para os adultos quanto para as crianças. Isto se deve às consequências físicas, psicológicas e até mesmo sociais, relacionadas ao estigma do câncer.

Para falar sobre a superação do câncer, a Pastoral da Criança traz uma entrevista com Iolanda de Assis Galvão, psicóloga clínica que atua na Pediatria do Hospital Erasto Gaertner, localizado na cidade de Curitiba (PR).

Como uma pessoa e sua família devem encarar um diagnóstico de câncer?

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 Iolanda de Assis Galvão

Foto: Hospital Erasto Gaertner

O ideal é que você encare como uma doença que tem tratamento e que você esteja aberto para o tratamento. No caso de uma família, em que a criança tem câncer, o diagnóstico é muito impactante, porque o câncer ainda é uma doença bastante estigmatizada. Ele está muito imbuído de preconceitos e relacionado a possibilidade de morte. O que nós vemos hoje em dia é que os cânceres detectados precocemente têm, sim, grandes possibilidades de cura, principalmente no universo infantojuvenil, porque ainda não têm formas de você prevenir o câncer infantil. Mas, quando detectado precocemente o índice de cura é altíssimo. Nós já passamos da casa dos 80%.

Que papel desenvolve a família de um paciente com câncer?

A família deveria ser a principal rede de apoio. Uma família bem estruturada, uma família de muito afeto, ela tem uma porcentagem de ajuda, que eu diria na casa dos 50%, com certeza, no procedimento de cura do paciente. Esse paciente luta pela sobrevivência, porque ele quer voltar para aquele meio afetivo. O amor cura.

Qual é a reação psicológica da criança quando é diagnosticada com câncer?

A criança sabe que existe uma parte do corpo que está sofrendo. Mas, nem sempre ela compreende tudo o que está acontecendo. Então, a criança, muitas vezes, tem uma fantasia de que a doença pode ser uma punição externa. Essa é uma questão que eu gosto de deixar clara, e até como aviso para os pais que fazem ameaças para as crianças, como: “se você não comer tudo, você vai pro hospital”, “se você bater no seu irmãozinho, você vai tomar uma injeção”. Se a criança vai para o hospital ou se vê tomando injeção, então, a culpa é dela. Outra reação que nós observamos nas crianças, que é comum na maioria delas, é o choro. É importante que ela se expresse de alguma forma, porque há um descontentamento em estar hospitalizada. O nosso trabalho, juntamente com a família, é ajudar essa criança a realmente ser criança nesse contexto hospitalar, a permanecer brincando. Por isso, nós mantemos a nossa brinquedoteca dentro do hospital, para que ela consiga passar por esse processo minimamente adoecida na questão emocional.

Como uma pessoa pode viver com câncer e com qualidade de vida?

Depende muito da forma que o indivíduo consegue ressignificar a vida dele após o câncer. Existem pessoas que se tiverem uma gripe, já vão considerar como uma reincidência da doença e vão viver com esse fantasma. Mas, é algo que depende da pessoa. Por isso, é que nós indicamos que ela faça até mais um tempo de terapia, para que ela ressignifique sua vida, que ela se reconstrua, que ela não fique presa àquele passado e fique, definitivamente, curada.

Leia a entrevista na íntegra: 1312 - Entrevista com Iolanda de Assis Galvão - Superação do câncer (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

1312 - 21/11/2016 - Superação do câncer

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