O Novembro Azul está ajudando a reforçar a importância do homem fazer os exames preventivos e cuidar mais de sua saúde. Contudo, apesar do alerta, é preciso aumentar a consciência de que os cuidados com a saúde devem ser constantes e muitos desses cuidados implicam até mesmo em mudanças de hábitos e estilo de vida. O Ministério da Saúde, através da Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH), instituída pela Portaria nº 1.944/GM, de 27 de agosto de 2009, vem fazendo a sua parte para que os homens tenham maior acesso ao Serviço de Saúde e exames preventivos.

É possível observar atualmente um crescente interesse por parte dos homens em cuidar da saúde, mas ainda há muito a ser feito, pois os números mostram que a cada três mortes de pessoas adultas, duas são de homens e a cada cinco pessoas que morrem entre 20 e 30 anos, quatro são homens.

Quando o homem cuida bem da sua saúde não só demonstra autoestima, mas também amor e respeito por todos aqueles que ama, prevenindo doenças e prolongando a qualidade de vida. Para falar sobre a saúde do homem, a Pastoral da Criança entrevistou o Dr. Rubens Bendlin, chefe da Divisão da Promoção da Saúde do Adulto e do Idoso, da Secretaria de Estado de Saúde do Paraná.

Rubens Bendlin saude do homem

 Dr. Rubens Bendlin

Foto: Venilton Küchler

Onde está a dificuldade de se cuidar da saúde do homem: no próprio homem ou nas políticas públicas?

Existe uma questão cultural muito grande. O homem cuidava-se mais anos atrás. O modelo era patriarcal. O homem era testa da família, era ele que provia os bens financeiros. E o homem parece que parou um pouco no tempo. Ele sempre encontra uma desculpa, na verdade, para não ir ao médico. Mas, o próprio serviço de saúde não está voltado ao homem.

Por que será que o homem não vai ao médico? Será que ele tem medo?

O homem foi criado para não ter medo. É uma questão que nossas mães, nossas avós cultivaram, esse hábito: homem não pode chorar, homem não pode ter medo, homem não pode sentir dor. São situações muito ruins e que vão levando, justamente, ao afastamento das questões, sobretudo, aos cuidados de saúde. Uma delas é o medo: o medo de descobrir a doença. Segundo, descoberta a doença, o não seguir o tratamento, colocando a própria saúde em risco.

Dr. Rubens, o senhor teria mais alguma orientação?

É preciso ter hábitos de vida saudáveis, ligados à questão da atividade física. Não é questão de academia. Não somos contra academia, mas você pode começar dentro da sua casa e fazendo atividades diversas: desde o trabalho doméstico até a questão das caminhadas, bicicletadas, se você jogou tênis de mesa um dia, peteca. Então, a atividade física é fundamental, alongamento também. Alimentação saudável é extremamente importante. Não fazer refeições grandes, prato muito cheio. Fracione melhor a sua refeição. Faça três, quatro frações de refeição: ao invés de comer meio quilo, coma 300 gramas; duas horas depois, mais 100 gramas e daí mais uma refeição de 300. Faça várias refeições ao dia, que é muito mais saudável. O prato deve ser extremamente equilibrado: uma pequena quantidade de proteína, que é ligada à questão da carne branca, de preferência, que é o peixe ou frango; um pouquinho de carne vermelha é possível; mas, tire a carne gorda.

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A partir daí, o seu prato deve ser variado em questão de grãos: ele deve ter cereais, o arroz e o feijão. Mas, sobretudo, muita verdura e muito colorido no prato: tomate, pimentão vermelho, amarelo. Buscar uma variedade de cores no seu prato: pode ter certeza que ali estão as vitaminas e os sais minerais adequados. A questão das hortaliças, de maneira geral, a couve; e a questão da alface: sempre presentes na sua vida. “Mas eu não gosto”. Gente, passe a gostar um pouquinho, passe a diversificar um pouquinho. O óleo deve ser um óleo mais leve. Evite as frituras, o fumo, o álcool. O álcool, em pequena dose, ele é até saudável. Mas, quando ele foge, aquele que você começa a esquecer, começa a cair, começa a trombar, é extremamente danoso. Chega uma hora, ele toma conta da sua vida e você não sai mais dele.

Leia a entrevista na íntegra: 1260 - Entrevista com Dr. Rubens Bendlin - Saúde do homem (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

1260 - 23/11/2015 - Saúde do homem

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politica nacional da saude homem

Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem

Desde 2009, o Governo Federal instituiu a Política Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem (PNAISH), que tem por objetivo promover a melhoria das condições de saúde da população masculina adulta – 20 a 59 anos – do Brasil.

Conforme explicação que consta no Portal da Saúde, a PNAISH “tem como diretriz promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade singular masculina nos seus diversos contextos socioculturais e político-econômicos, respeitando os diferentes níveis de desenvolvimento e organização dos sistemas locais de saúde e tipos de gestão de Estados e Municípios”.

Para isso, sua atuação é desenvolvida a partir de cinco eixos temáticos: acesso e acolhimento, saúde sexual e reprodutiva, paternidade e cuidado, doenças prevalentes na população masculina e prevenção de violências e acidentes.

Saiba mais: Perfil da situação de saúde do homem (pdf)

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