1381 doencas negligenciadas entrevista

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A cada dia cerca de 3 mil pessoas morrem no mundo vítima de doenças negligenciadas como a Malária, doença de Chagas, Dengue, Leishmaniose, Hanseníase (Lepra), Filariose (Elefantíase), Oncocercose (Cegueira dos Rios ou Mal do Garimpeiro), Esquistossomose (Barriga d’água), Tracoma, Helmintíases (verminoses) e outras. Juntas elas causam mais de 1 milhão de mortes e afetam 1 bilhão de pessoas por ano.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), essas doenças são associadas a precárias condições de vida e higiene. Elas também acabam recebendo pouco apoio à pesquisa por partes das indústrias farmacêuticas.

Para sabermos mais sobre as doenças negligenciadas, como prevenir e ajudar a eliminá-las, conversamos com a Regina Reinaldin, enfermeira da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

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 Regina Reinaldin - Enfermeira da Pastoral da Criança

O termo doenças negligenciadas pode soar um pouco estranho. Regina, o que são essas doenças?

As doenças negligenciadas constituem conjunto de doenças infecciosas altamente prevalentes, elas afetam profundamente a qualidade de vida e geram impactos socioeconômicos negativos para população dos países mais pobres.

Quais são as causas dessa negligência?

Essas doenças acabam sendo esquecidas porque elas perdem o interesse do mercado de venda de medicamentos, isto é, a produção das vacinas custa muito caro e não dá retorno para as indústrias farmacêuticas. Outra característica das doenças negligenciadas, é que elas normalmente atinge os mais pobres, elas são causadas pelo consumo de água não tratada, por falta de higiene, saneamento básico e também, pelas condições precárias das casas onde as pessoas moram.

A responsabilidade do combate das doenças negligenciadas não deveria ser do governo? Até que ponto o governo está trabalhando para a prevenção dessas doenças?

O combate às doenças negligenciadas é um tema complexo que deve sim ter envolvimento do governo. O contexto das doenças negligenciadas no entanto, é extremamente complexo e requer o envolvimento de todos os agentes, públicos e privados. No Brasil, a fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem contribuído de forma eficiente no estudo e no combate destas doenças.

O que a população pode fazer para ajudar a prevenir essas doenças esquecidas?

Sabemos que a desigualdade social, o baixo índice de desenvolvimento humano e o baixo grau de escolaridade são condições ideais para proliferação dessas doenças negligenciadas. Por isso, a população precisa cobrar das autoridades as condições sanitárias necessárias e o saneamento básico nas comunidades. As pessoas também podem contribuir repassando as informações necessárias para prevenção, elas podem participar dos conselhos municipais de saúde e bem estar social, cobrando mais políticas públicas e pressionando as autoridades a agirem no combate destas doenças.

Quais são as políticas públicas voltadas ao combate dessas doenças?

É preciso investimento em saneamento, em políticas preventivas que garantam acesso a tratamento adequado e também, o incentivo necessário as instituições de pesquisa voltadas para o combate das doenças negligenciadas.

Leia a entrevista na íntegra: 1381 - Entrevista com Regina Reinaldin - Doenças negligenciadas (.PDF)

Ouça o programa de 15 minutos na íntegra:
1381 - Doenças Negligenciadas - 19/03/2018 (SUL)
1381 - Doenças Negligenciadas - 19/03/2018 (NORTE)