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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

187

Seção 6

Assim fizemos

Como utilizamos Aprender a Viver Juntos e seus métodos em 
diferentes regiões e ambientes e com pessoas de culturas e 
crenças diferentes.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

188

O processo de preparação deste conjunto de recursos levou bastante tempo. É o fruto da colaboração 
entre pessoas de muitas religiões e culturas diferentes. Aprender a Viver Juntos foi testado em cinco 
regiões,  dez  países  e  em  diferentes  ambientes,  com  mais  de  300  participantes  da  Argentina, 
Azerbaijão,  Bolívia,  Canadá,  Colômbia,  Costa  Rica,  Dinamarca,  Espanha,  Equador,  El  Salvador, 
Finlândia, Gana, Guatemala, Honduras, Índia, Israel, Japão, Jordânia, Quênia, Líbano, Maldivas, 
Nepal, Panamá, Reino Unido, República Unida de Tanzânia, Sri Lanka, Suécia e Venezuela.

Representantes  das  religiões  tradicionais  da  África,  da  comunidade  Bahá’í,  do  budismo,  do 
cristianismo,  do  hinduísmo,  das  tradições  indígenas,  do  islamismo,  do  judaísmo,  membros  do 
Brahma Kumaris e pessoas laicas participaram das oficinas-piloto, que serviram como uma valiosa 
oportunidade para aprender sobre os outros. Este conjunto de recursos se enriqueceu enormemente 
graças às suas colaborações, que contribuíram para a criação de um material flexível e estruturado 
que mantém um enfoque global e ao mesmo tempo permite a implementação local.

A esta versão final foram incorporadas as experiências adquiridas em cada oficina: colaborações dos 
facilitadores;  sugestões  de  adultos  que  participaram  de  reuniões  paralelas;  a  aprendizagem  das 
crianças  e  dos  adolescentes;  as  recomendações  de  especialistas  em  educação,  ética  e  aprendizagem 
inter-religiosa,  assim  como  de  membros  da  GNRC;  e  as  descobertas  feitas  durante  o  processo  de 
realização das oficinas.

Nas próximas páginas, você encontrará uma descrição de cada oficina-piloto, com os métodos usados, 
a aprendizagem obtida pelos participantes, o impacto das oficinas e as principais colaborações que 
foram incorporadas ao conjunto de recursos. Você comprovará como cada oficina contribuiu para o 
resultado final. Também poderá visualizar o processo seguido desde a primeira oficina e como cada 
uma delas contribuiu para a preparação de um material inter-religioso e intercultural que pode ser 
utilizado em diferentes ambientes.

Esta seção lhe dará também uma melhor ideia de como o programa foi posto em prática em diferentes 
regiões e o ajudará a usá-lo para suas próprias finalidades.

Nós  o  convidamos  a  registrar  as  oficinas  que  vier  a  realizar  usando  o  conjunto  de  materiais  e  seu 
impacto sobre os participantes. Esperamos que isso se converta em um recurso útil, com base no qual 
sua  organização  poderá  documentar  seu  programa  de  educação  ética  e  examinar  o  processo  de 
aprendizagem dos participantes.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Oficina de educação 

ética

Lidingö, Suécia

18 a 20 de novembro 

de 2005

Durante  três  dias,  participantes  da  Dinamarca,  Finlândia,  Reino  Unido  e  Suécia  se  reuniram para 
discutir questões relacionadas ao respeito, à empatia e à responsabilidade. Os participantes foram dividi-
dos em três grupos, um para cada um destes valores. Cada grupo, composto por adolescentes e adultos, 
discutiu um dos valores, a maneira como é aplicado em suas sociedades e como pode ser promovido.

O primeiro grupo explorou a empatia a partir 
de  diversas  perspectivas.  Com  base  em  uma 
análise  de  fotografias  que  mostravam 
sofrimento,  falta  de  respeito,  ódio,  amor, 
compreensão  e  ajuda,  os  participantes  foram 
estimulados  a  explorar  a  importância  da 
empatia em nossa sociedade e a necessidade de 
realizar práticas que fomentem a compaixão e 
o respeito pelos outros.

Ao  se  colocarem  fisicamente  nos  sapatos  dos 
outros  e  em  exercícios  baseados  na  confiança, 
durante  os  quais  se  colocou  uma  venda  nos 

olhos  dos  participantes,  eles  descobriram  o  que  significa  ter  empatia  e  como  essa  atitude  pode 
desencadear ações concretas para ajudar os outros. Um estudo de caso sobre questões de imigração na 
Europa serviu de base para uma discussão sobre a empatia na sociedade.

O  segundo  grupo  se  concentrou  no  valor 
da responsabilidade

Os 

participantes 

analisaram, a partir de sua própria perspectiva, 
suas  funções,  posições  e  experiências  na 
sociedade. Discutiram questões que afetam os 
países  nórdicos  e  as  responsabilidades
individuais  e  coletivas  que  eles  mesmos têm 
como cidadãos. Por meio de estudos de caso e 
discussões, a atividade os ajudou a reconhecer 
sua  capacidade para responder às injustiças e 
tentar ajudar a transformar as necessidades de 
seus países.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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O último grupo examinou o tema do respeito
Depois de analisarem o que o respeito significa, 
como  se  desenvolve  e  como  é  violado,  os 
participantes  prepararam  um  filme  de 
animação  sobre  o  tema  usando  materiais 
básicos como canetas, cartões e tesouras. Esse 
método  estimulou  a  criatividade  e  o 
pensamento  crítico  dos  participantes  sobre  o 
seu próprio comportamento.

A  oficina  terminou  com  uma  oração  inter-
religiosa preparada pelos participantes, durante 

a qual cada um deles rezou, cantou ou recitou um texto de sua religião particular. Foi um momento 
para meditar sobre sua participação, sobre o que aprenderam e sobre a experiência em geral.

Aprendizagem e impacto

Os  participantes  consideraram  que  as  discussões  ampliaram  sua  compreensão  de  algumas  das 
questões sociais que os países nórdicos enfrentam hoje em dia. A interação com pessoas de religiões 
diferentes  também  questionou  seus  pontos  de  vista  e  os  ajudou  a  comprovar  como  os  três  valores 
destacados na oficina são importantes ao interagir com outras pessoas. Outros pontos de aprendizagem 
estão  relacionados  à  importância  de  se  colocar  no  lugar  dos  outros  e  questionar  seus  próprios 
preconceitos.

De que maneira essa oficina contribuiu para o desenvolvimento  
do conjunto de recursos?

Essa foi a primeira vez que se colocou à prova o rascunho do material; nesse ponto, somente a seção 
introdutória  havia  sido  redigida.  A  avaliação  da  oficina  ofereceu  muitos  pontos  de  aprendizagem 
importantes que contribuíram para a configuração do conjunto de recursos e do seu conteúdo. Estas 
foram as principais ideias incorporadas à versão final do material:

>  As metodologias ativas e participativas são fundamentais para desenvolver valores éticos.
>  Proporcionar às crianças e aos adolescentes seu próprio espaço para trocar ideias e aprender.
>  Os valores não devem ser compartimentalizados, mas interconectados.
>  O material deve ter uma abordagem mais regional e deve ter espaço para colaborações e recursos 

regionais.

>  É preciso que o material aborde questões sociais e ajude as crianças e os adolescentes a 

compreender os problemas que afetam suas sociedades.

>  Os valores podem ser reforçados, mas não ensinados.
>  É necessário dar mais espaço para que os indivíduos desenvolvam sua espiritualidade.
>  Deve-se incluir recursos como esboços de atividades, histórias e estudos de casos.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Informações sobre a oficina

Lugar

Instituto Ecumênico, Lidingö

Número de participantes/facilitadores

33/3

Número de adultos

27

Número de adolescentes (15 a 19 anos)

6

Duração

3 dias

Idioma utilizado

Inglês

Países de origem dos participantes

Chile, Dinamarca, Equador, Finlândia, Índia, 
Israel, Japão, Jordânia, Reino Unido, República 
Unida da Tanzânia, Sri Lanka e Suécia

Crenças dos participantes

Budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo e 
judaísmo. Pessoas laicas.

Técnicas pedagógicas

Arte 
Compartilhamento de experiências 
Mesas redondas

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Oficina sobre 

migração e 

deslocamento

Bogotá, Colômbia

5 a 8 de dezembro  

de 2005

Crianças, adolescentes e adultos da Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela se reuniram 
durante  quatro  dias  e  examinaram  como  o  respeito,  a  empatia,  a  reconciliação  e  a  responsabilidade 
podem  ser  aplicados  ao  contexto  de  seus  países,  e  especificamente  às  questões  relacionadas  com 
deslocamento e migração que afetam a região andina.

Essa  oficina  foi  elaborada  para  que  os  educadores  aprendessem  novas  metodologias  e  atividades 
práticas  baseadas  nos  valores  propostos,  e,  adicionalmente,  para  solicitar  sugestões  sobre  como 
melhorar o conjunto de recursos.

No  primeiro  dia,  os  participantes  exploraram 
sua  própria  identidade.  Descobriram  mais 
sobre  si  próprios  em  relação  aos  outros 
enquanto desenhavam um diagrama em forma 
de árvore que explicava suas raízes, quem eram 
e  o  que  queriam  conquistar  em  suas  vidas. 
Também foi realizada uma atividade dinâmica 
para  encontrar  diferenças  e  semelhanças 
entre os participantes, com o fim de explorar o 
tema da compreensão mútua.

A  empatia  foi  explorada  por  meio  de  uma 
atividade  de  meditação  sobre  os  sentimentos 
dos  participantes.  Esse  exercício  lhes  permitiu 
conectar-se com a Terra e com as pessoas à sua 
volta. Colocando-se fisicamente na silhueta do 
outro, os participantes puderam refletir sobre a 
importância da empatia. Depois das atividades, 
uma  discussão  revelou  como  é  difícil  sentir 
empatia  por  pessoas  que  violaram  nossos 
direitos.  Os  participantes  refletiram  sobre  a 
necessidade de reconhecer a natureza humana 
do  outro

,  inclusive  daqueles  que  cometeram 

crimes terríveis.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

193

Por  meio  da  análise  do  processo  de 
reconciliação

,  os  participantes  reconheceram 

que os conflitos fazem parte de nossa realidade 

que 

é 

necessário 

transformá-los 

pacificamente

.  Os  participantes  utilizaram 

um  estudo  de  caso  sobre  a  reconciliação  e 
enfatizaram a importância do diálogo para que 
as pessoas possam viver juntas.

No  último  dia,  os  participantes  analisaram a 
questão  do  deslocamento  na  região. Foram 
mapeadas  as  funções  e  responsabilidades de 
cada agente social. Isso levou a um plano de ação para implementar a educação ética no contexto do 
deslocamento.  A  oficina  começava  toda  manhã  com  orações  pela  paz,  nas  quais  os  participantes 
cantavam e uniam-se em momentos de silêncio.

Aprendizagem e impacto

Depois de cada atividade, o grupo se reunia para interiorizar os valores e refletir sobre a aprendizagem. 
A  maioria  dos  adultos  afirmou  que  a  oficina  lhes  serviu  de  inspiração,  expressando  interesse  em 
aprender  a  desenvolver  programas  de  educação  ética  baseados  em  metodologias  participativas. 
Enquanto refletiam sobre a dificuldade de sentir empatia e compaixão por pessoas que cometeram 
atos de violência, uma das crianças chamou a atenção dos adultos ao perguntar: “Onde está Deus em 
tudo isto?” A criança convidou os participantes a reconhecerem a natureza humana dos outros e a 
perdoarem para trazer a paz às sociedades.

De que maneira essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do 
conjunto de recursos?

Os resultados da oficina, as metodologias que foram utilizadas, as contribuições dos participantes e 
as reflexões do grupo contribuíram para a criação dos módulos que aparecem atualmente no conjunto 
de recursos didáticos. Estas são as principais contribuições que foram incorporadas à versão final do 
material:

>  Combinar crianças e adultos é benéfico para algumas atividades.
>  Introduzir atividades e exercícios dinâmicos e participativos como música, jogos, dramatização e 

filmes.

>  Os quatro valores podem ser divididos em módulos para aumentar a flexibilidade e facilitar sua 

interconexão.

>  O compartilhamento de experiências e os momentos de reflexão foram apreciados e devem ser 

priorizados. 

>  A importância de metodologias que ofereçam às crianças um espaço para descobrirem umas às 

outras e para refletirem sobre si próprias e sobre e o mundo.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Descrição da oficina

Lugar

Centro de retiro San Pedro Claver, Bogotá

Número de participantes/facilitadores

49/4

Número de adultos

35 

Número de crianças (9 a 13 anos) 

Número de adolescentes (14 a 18 anos) 

9

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Espanhol

Países de origem dos participantes 

Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, França
e Venezuela

Crenças dos participantes 

Cristianismo (anglicanos, católicos, luteranos, 
menonitas e presbiterianos)

Técnicas pedagógicas 

Compartilhamento de experiências, 
Jogos, Meditação e Mesas redondas

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

195

Construir juntos 

a Rede Global de 

Religiões pelas 

Crianças

Genebra, Suíça

13 a 15 de julho de 2006

Com  o  objetivo  de  testar  a  primeira  versão  completa  do  material,  foi  organizada  uma  oficina 
internacional  com  representantes  do  Azerbaijão,  Colômbia,  Honduras,  Índia,  Israel,  Jordânia, 
Quênia, Líbano, Reino Unido, República Unida da Tanzânia, Sri Lanka e Suécia.

Jovens de 14 a 16 anos participaram de discussões sobre sua identidade religiosa. Ao compartilhar 
suas ideias sobre religião e rituais religiosos, eles se envolveram em um intenso diálogo que os ajudou 
a se interconectarem. Foram organizadas visitas inter-religiosas que ofereceram aos participantes a 
oportunidade de se colocarem no lugar dos outros. 

Os participantes refletiram sobre suas relações 
com  os  outros  e  as  situações  que  enfrentam 
através  do  exercício  de  pintar  camisetas
Expressaram seu desejo de trazer paz ao mundo 
por  meio  da  unidade,  a  preocupação  com  os 
outros,  o  amor  e  o  respeito.  Grupos  focais 
sobre o respeito mútuo nas escolas, na família e 
nos  bairros  os  ajudaram  a  analisar  como  o 
respeito pode ser colocado em prática.

Foi  organizada  uma  noite  cultural  com  a 
participação de alguns jovens de Genebra. Os 
participantes  tiveram  a  oportunidade  de 
compartilhar  informação  sobre  sua  própria 
cultura  e  suas  crenças  religiosas.  Os 
adolescentes representantes de Israel deixaram 
uma  mensagem  de  paz  quando  falaram  sobre 
as  atividades  de  que  participam  atualmente 
para fomentar a coexistência e a compreensão 
mútua em sua comunidade em Israel.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

196

No  último  dia,  os  participantes  aprenderam 
sobre  os  diferentes tipos de conflitos e como 
estes  podem  chegar  a  se  transformar em 
situações violentas. Refletiram sobre a neces-
sidade de atitudes de reconciliação para 
serem  capazes de transformar esses conflitos. 
Um dos jovens pôs à prova os participantes do 
grupo ao lhes perguntar o que fariam se fossem 
vítimas da violência por parte de outros jovens.

Alguns 

dos 

participantes 

lembraram 

experiências  nas  quais  foi  muito  difícil 
responder  pacificamente  e  indicaram  que  às 
vezes é difícil evitar a violência. Durante as discussões, uma das participantes da Índia chamou a 
atenção sobre as alternativas não violentas e destacou como Gandhi trouxe a paz a seu país por meio 
da resistência pacífica. Ao final, os participantes refletiram sobre a necessidade de fomentar a paz 
interior para poderem responder a situações difíceis.

Ao final da oficina, os participantes se comprometeram a realizar reuniões com outros jovens em seus 
países para discutir os valores que exploraram durante a oficina.

Aprendizagem e impacto

Para a maioria dos participantes, as visitas inter-religiosas foram muito enriquecedoras e aumentaram 
seus conhecimentos sobre as crenças de outras pessoas. A noite cultural os ajudou a estabelecer uma 
relação  com  a  realidade  dos  outros  e  a  reconhecer  suas  identidades  e  culturas.  Depois  da  oficina, 
quando  voltaram  a  seus  países,  os  participantes  do  Quênia  e  da  República  Unida  da  Tanzânia 
iniciaram  Clubes  da  Paz  em  suas  escolas.  Os  participantes  do  Azerbaijão  compartilharam  sua 
aprendizagem  com  seu  grupo  juvenil  em  Baku  e  os  participantes  da  Jordânia  e  do  Líbano 
compartilharam sua aprendizagem com o Programa Fishers da Jordânia.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Pela  primeira  vez,  os  módulos  de  aprendizagem  foram  testados  em  um  ambiente  multicultural  e 
multirreligioso. Isso nos permitiu definir os pontos fundamentais e os desafios na implementação do 
pacote de recursos. Estas foram as principais colaborações incorporadas ao material:

>  Desenvolver uma transição mais fluida entre o primeiro e o segundo módulos.
>  Sessões separadas para os adultos com o fim de que eles conheçam o material.
>  Mais espaço para fomentar a espiritualidade por meio de atividades introspectivas.
>  Oferecer espaço aos participantes para que falem sobre sua própria cultura e suas crenças.
>  Necessidade de vincular as atividades ao ambiente e às realidades sociais locais.
>  Utilizar mais técnicas pedagógicas para fomentar a reflexão dos participantes.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Descrição da oficina

Lugar

Centro John Knox, Genebra

Número de participantes/facilitadores

16/4

Número de adolescentes (15 a 19 anos) 

16

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Inglês/Espanhol

Países de origem dos participantes 

Azerbaijão, Colômbia, Honduras, Índia, Israel, 
Jordânia, Quênia, Líbano, Reino Unido,Repú-
blica Unida da Tanzânia, Sri Lanka e Suécia

Crenças dos participantes 

Budismo, cristianismo (anglicanos, católicos, 
ortodoxos), hinduísmo, islamismo e judaísmo

Técnicas pedagógicas 

Arte,  Compartilhamento de experiências,
 Grupos focais, Jogos e Visitas de campo

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Oficina de educação 

ética

Coimbatore, Índia

2 a 5 de agosto de 2006

A Índia foi um lugar muito especial para essa oficina-piloto. O ambiente inter-religioso, a sociedade 
dinâmica,  as  questões  sociais  que  afetam  o  país  e  o  empreendedorismo  de  sua  gente  criaram  um 
ambiente excelente para a imersão dos participantes da oficina em uma experiência de aprendizagem 
espiritual.

Participantes do Canadá, Índia, Jordânia, Líbano, Maldivas, Nepal e Sri Lanka embarcaram em uma 
jornada  de  autodescoberta  em  relação  aos  outros  e  de  desenvolvimento  da  própria  espiritualidade. 
Todas as manhãs, os participantes se reuniam para um momento de oração e meditação. No primeiro 
dia, trabalharam em grupos para discutir a necessidade de respeito em suas sociedades e as atitudes e 
comportamentos que são necessários para viver em um ambiente de diversidade.

Foram organizadas visitas inter-religiosas e os 
participantes tiveram a oportunidade de visitar 
uma  mesquita,  um  templo  jainista,  um 
Gurudwara  sikh,  uma  igreja  e  um  templo 
hinduísta.  Em  cada  visita,  os  participantes 
fizeram  perguntas,  experimentaram  um 
momento  de  oração,  música  ou  silêncio  e 
identificaram  diferenças  e  semelhanças  entre 
diferentes religiões. 

Foi organizada uma atividadeQuestionário – 
O que sei sobre outras religiões?
, na qual os 
participantes, 

reunidos 

em 

grupos, 

responderam  a  perguntas  sobre  os  lugares 
religiosos  que  visitaram.  Os  participantes 
discutiram  a  necessidade  de  reconciliação  e 
respeito. 

Eles também registraram  m seus cadernos de 
aprendizagem
  o  que  aprenderam,  o  que 
experimentaram e o que os afetou mais durante 
a oficina.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

199

No  terceiro  dia  foi  organizada  uma  visita  aos 
povoados  locais.  As  crianças  tiveram  a 
oportunidade  de  conhecer  projetos  dirigidos 
por  membros  da  comunidade,  programas 
educativos  organizados  pelas  ONGs  locais  e 
iniciativas  realizadas  por  indivíduos  desejosos 
de  transformar  sua  comunidade.  Essa 
atividade  baseada  na  experiência

     permitiu 

aos 

participantes 

descobrir 

que 

as 

responsabilidades  individuais  e  coletivas 
podem transformar o mundo.

A  música,  a  dança  e  a  poesia  se  combinaram  em  uma  noite  cultural,  na  qual  os  participantes 
mostraram seus talentos e compartilharam aspectos de sua cultura. No último dia, os participantes 
juntaram-se ao Festival da Paz de Coimbatore e, com mais de 250 crianças, discutiram a necessidade 
de  valores  éticos  em  sua  sociedade  e  como  eles  podem  atuar  como  promotores da paz. A oficina 
terminou com apresentações musicais e com os participantes cantando uma canção para a promoção 
da fraternidade e da paz que aprenderam durante a oficina.

Aprendizagem e impacto

Durante uma sessão de compartilhamento da aprendizagem no final da oficina, os participantes 
expressaram o quanto aprenderam e como sua percepção do mundo e de outras religiões foi colocada 
à prova pela interação com pessoas de outras culturas e religiões. Um dos participantes disse: “Quando 
cheguei,  eu sabia o que era respeitar aos outros, mas agora comecei a aprender o que isso significa na 
realidade e o que é necessário em termos de atitudes e ações se, como jovens hinduístas, muçulmanos
e cristãos, queremos fazer coisas juntos para melhorar nossas comunidades.”

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Os métodos utilizados e o ambiente espiritual que rodeou a oficina nos ajudaram a definir uma série 
de elementos fundamentais que foram incluídos no conjunto de recursos didáticos:

>  Envolvimento dos participantes na realidade social e nas comunidades locais por meio de visitas 

de campo e interação com os habitantes.

>  Visitas inter-religiosas e maneiras de organizar atividades baseadas na experiência.
>  Mais tempo para as atividades de silêncio, música, orações e reflexão para desenvolver a 

espiritualidade.

>  Necessidade de descobrir a aplicação dos valores em situações reais.
>  A possibilidade de aplicar o programa de ética a questões sociais relevantes.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

200

Descrição da oficina

Lugar

Ashram Shanti, Coimbatore

Número de participantes/facilitadores

65/5

Número de adolescentes (10 a 19 anos) 

65

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Inglês/intérpretes de tamil

Países de origem dos participantes 

Canadá, Jordânia, Índia, Líbano, Maldivas,
Nepal e Sri Lanka

Crenças dos participantes 

Budismo, cristianismo, hinduísmo e islamismo

Técnicas pedagógicas 

Arte, Discussões, Compartilhamento de
experiências, Visitas de campo, Jogos,
Meditação e Narração de histórias

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

201

Oficina de educação 

ética

Salamanca, Espanha

31 de agosto a 2 de 

setembro de 2006

A  oficina  realizada  na  Espanha  reuniu  adultos  e  adolescentes  de  diferentes  partes  do  país,  que 
representavam o cristianismo, a comunidade Bahá’í e a organização Brahma Kumaris. Foi a primeira 
vez que se colocou à prova o conjunto de recursos com participantes de só um país.

Os adultos e os adolescentes foram divididos em dois grupos diferentes. Ambos trabalharam com o 
primeiro módulo do conjunto de recursos didáticos, Compreensão de si mesmo e dos outros, e tiveram a 
oportunidade de discutir seu conteúdo e oferecer suas colaborações para melhorar o material. 

No primeiro dia, os adolescentes exploraram a 
diversidade  global  por  meio  da  atividade 
Desenhar  mapas  e  analisaram  diferentes 
religiões e as regiões onde são praticadas. Eles 
expandiram seus conhecimentos sobre como a 
diversidade  religiosa  configurou  o  mundo  e 
como  os  países  que  tradicionalmente 
praticavam  apenas  uma  religião  vêm 
incorporando muitas outras.

Por  meio  de  um  jogo,  os  participantes 
discutiram a dignidade humana e descobriram 
a necessidade de respeito mútuo e compreensão. 

Em  um  momento  de  compartilhamento  de 
experiências, os participantes falaram sobre os 
preconceitos

 contra outras culturas e religiões 

e a necessidade de conhecer pessoas diferentes. 
Analisaram

 as causas dos problemas sociais na 

Espanha e como afetam a sociedade em geral. 
Discutiram  como  serem  mais  receptivos  às 
pessoas excluídas ou marginalizadas.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

202

À tarde, os adultos e os adolescentes se reuniram em um café inter-religioso, no qual analisaram os 
princípios,  o  comportamento  e  as  atitudes  necessários  para  viver  em  harmonia  com  pessoas  de 
diferentes crenças e culturas. Posteriormente foi realizada uma noite cultural, na qual os adolescentes 
participaram de atividades e danças e contaram histórias típicas de suas religiões. 

No  último  dia,  os  participantes  refletiram 
sobre a necessidade de encontrar a paz interna 
e de se colocar no lugar dos outros. Por meio 
de  uma  caminhada  de  meditação,  os 
participantes  descobriram  conexões  com  a 
natureza  e  com  os  outros  participantes  e 
refletiram  sobre  seus  sentimentos  e  sua 
responsabilidade  de  contribuir  para  a  solução 
dos problemas e de responder pacificamente às 
necessidades dos outros.

Aprendizagem e impacto

Os participantes católicos expressaram como foi importante para eles a oportunidade de conhecer 
jovens da comunidade Bahá’í e mostraram seu entusiasmo em cooperar e preparar juntos atividades 
para promover a compreensão mútua. Os participantes da comunidade Bahá’í se comprometeram a 
compartilhar o que aprenderam na oficina com outros membros de sua comunidade quando voltassem 
para suas casas e cidades, e também afirmaram sua vontade de realizar atividades inter-religiosas que 
contribuam para promover a paz e a unidade na Espanha.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

A  oficina  permitiu  testar  novas  atividades  e  metodologias  que  foram  incorporadas  ao  conjunto  de 
recursos didáticos. Também ofereceu uma boa oportunidade para revisar o conteúdo e incorporar 
novas ideias. Estas foram algumas das principais contribuições obtidas:

>  Aprender a viver juntos pode ser utilizado também com adultos. As atividades podem ser 

adaptadas para diferentes idades.

>  É preciso abordar no material discussões sobre a atualidade e a realidade social dos adolescentes.
>  Utilizar atividades baseadas na experiência ao discutir as realidades sociais para tornar a 

aprendizagem mais relevante.

>  Ideias para utilizar o conjunto de recursos didáticos em um grupo religioso homogêneo.
>  As atividades introspectivas ajudam os participantes a interiorizar a aprendizagem e a refletir 

sobre suas próprias experiências.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

203

Descrição da oficina

Lugar

Residência Tilanococo, Salamanca

Número de participantes/facilitadores

20/3

Número de adultos

12

Número de adolescentes (14 a 18 anos) 

8

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Espanhol

Países de origem dos participantes 

Espanha

Crenças dos participantes 

Comunidade Bahá’í, cristianismo (anglicanos, 
católicos) e membros da Organização Brahma 
Kumaris

Técnicas pedagógicas 

Compartilhamento de experiências, Grupos
focais, Jogos, Meditação e Mesas redondas

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

204

Oficina de educação 

 sobre a ética

Kioto, Japão

Agosto de 2006

Em Kioto foi organizada uma oficina de um dia de duração para crianças de várias regiões e diferentes 
países da Rede Global de Religiões pelas Crianças, entre eles Gana, Israel, Japão, Jordânia, República 
Unida  da  Tanzânia  e  Sri  Lanka. A oficina foi realizada em paralelo à 8

a

  Assembléia  Mundial  da 

Conferência Mundial de Religiões pela Paz (WCRP).

Seis  crianças  representando  religiões  tradicionais  africanas,  budismo,  cristianismo,  hinduísmo, 
islamismo e judaísmo se reuniram para aprender, de maneira interativa, sobre si próprios e sobre os 
outros. Por meio de metodologias introspectivas, refletiram sobre suas relações com os outros.

A oficina começou com várias atividades mediante as quais os 
participantes  se  conheceram  e  discutiram  por  que  se 
encontravam ali e quais eram suas expectativas com relação à 
oficina. A sessão introdutória contribuiu para criar um espaço 
seguro para um posterior intercâmbio de experiências.

Foi  pedido  às  crianças  que  desenhassem  uma  árvore 
representando suas raízes, suas famílias, seus interesses, aquilo 
que os fazia felizes ou tristes e as coisas de que mais gostavam. 
A atividade Minha árvore da vida possibilitou um momento 
de  silêncio  para  a  reflexão  e  a  introspecção.  Ao  final  do 
exercício, os participantes trocaram seus desenhos e exploraram 
suas diferenças e semelhanças.

Por  meio  da  atividade  Ilhas  minguantes,  as  crianças 
descobriram a necessidade de compartilhar e ajudar as pessoas 
com  necessidades.  Discutiram  como  fazem  parte  de  uma 

mesma natureza humana e a importância de respeitar os outros e colocar-se no lugar deles.

As  crianças  exploraram  os  conflitos  e  como  as  pessoas  respondem  a  eles  em  diferentes  situações. 
Aprenderam sobre alternativas não violentas e realizaram vários exercícios para descobrir diferentes 
maneiras de ajudar a transformar o mundo agora e no futuro.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

205

Em um momento de compartilhamento e de 
reflexão coletiva

, foi apresentada às crianças a 

História  de  Sadako

,  uma  menina  japonesa 

que  morreu  de leucemia devido aos efeitos do 
desastre  nuclear  de  Hiroshima.  Durante o 
último ano de sua vida, Sadako fez mais de 
1.000 grous de papel com a esperança de que
se cumprisse  um  desejo. As crianças escuta-
ram atentamente a história e depois aprende-
ram a fazer grous de papel

.

As crianças refletiram sobre como os grous de 
papel  se  transformaram  em  um  símbolo  de 
oração pela paz em todo o mundo. Gastaram algum tempo escrevendo sua própria oração pela paz no 
papel utilizado para confeccionar os grous. Isso lhes proporcionou um espaço para a reflexão e fez da 
elaboração  dos  grous  um  momento  espiritual,  no  qual  os  participantes  puderam pensar sobre a 
história de Sadako e os efeitos do desastre nuclear ocorrido em Hiroshima.

Aprendizagem e impacto

As  crianças  falaram  sobre  a  ideia  de  que  muitos  dos  problemas  do  mundo  se  devem à falta de 
compreensão.  Reconheceram  a  necessidade  de  buscar  vias  pacíficas  para transformar os conflitos, 
tanto pessoais quanto sociais. Comprometeram-se a ter mais compaixão pelos outros e a respeitar as 
pessoas que são diferentes delas.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Foi  a  primeira  vez  que  o  material  foi  testado  com  um  grupo  reduzido  de  crianças  de  caráter 
multicultural. Foi uma oficina de curta duração que trouxe ideias muito interessantes ao programa:

>  A importância de utilizar histórias reais para propiciar a reflexão.
>  Flexibilidade para adaptar as metodologias à faixa etária dos participantes.
>  Inclusão de metodologias que fomentem a criatividade e a sensibilidade artística dos 

participantes.

>  Necessidade de estabelecer um espaço seguro para que as crianças falem com outras crianças da 

mesma idade sem interrupções ou distrações.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

206

Descrição da oficina

Lugar

Centro Internacional de Conferências, Kioto

Número de participantes/facilitadores

6/2

Número de crianças (9 a 13 anos) 

6

Duração 

1 dia

Idioma utilizado

Inglês

Países de origem dos participantes 

Gana, Israel, Japão, Jordânia, República Unida 
da Tanzânia e Sri Lanka

Crenças dos participantes 

Budismo, cristianismo, hinduísmo, islamismo, 
judaísmo e religiões tradicionais africanas

Técnicas pedagógicas 

Arte, Compartilhamento de experiências,
 Discussões e Jogos

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

207

Jornada Coletiva  

pela Paz

Dar Es Salaam, República 

Unida da Tanzânia

7 a 10 de dezembro  

de 2006

Jornada Coletiva pela Paz foi o nome da oficina realizada em Dar es Salaam, onde participantes do 
Quênia,  República  Unida  da  Tanzânia  e  Uganda  se  reuniram  para  descobrir  como  podem  se 
transformar em promotores da paz e fomentar a compreensão mútua em seus países.

A oficina foi adaptada ao ambiente e à cultura regionais e vinculada às atividades locais e às questões 
sociais no contexto da África oriental. Representantes de diferentes religiões, que também participam 
do  diálogo  inter-religioso  na  região,  se  dirigiram  aos  participantes  e  os  exortaram  a  acolher  a 
diversidade e a serem abertos e compassivos com os outros.

A jornada se iniciou com uma sessão de autoconhecimento em relação aos outros. Foram realizadas 
atividades que enfatizaram a identidade dos participantes e suas diferenças e semelhanças com os 
outros.  As  discussões  sobre  suas  diferenças  fizeram com que os participantes refletissem sobre os 
problemas que surgem em suas sociedades devido à falta de respeito mútuo. Por meio de uma atividade 
de solução de problemas, o Banco da ética, os participantes identificaram problemas sociais, como a 
corrupção e a violência contra as crianças, e refletiram sobre como esses problemas ameaçam a nature-
za humana. Também discutiram métodos criativos para ajudar a transformar essas situações.

Os participantes prepararam dramatizações para mostrar como é possível transformar pacificamente 
situações difíceis. Discutiram a intimidação nas escolas, a exclusão social e a discriminação, entre outras
questões, e refletiram sobre seus próprios 
comportamentos e atitudes. Destacaram a 
necessidade de mostrar empatia e, por meio
de jogos

 e simulações, aprenderam a se colocar 

no  lugar  das  pessoas  de  outras  culturas, a 
questionar  seus  próprios  preconceitos e a 
aprender com a riqueza da diversidade.

Os  participantes  tiveram  a  oportunidade de 
visitar  diferentes  lugares  religiosos e refletir 
sobre suas próprias  percepções e ideias. Eles 
indicaram que as visitas inter-religiosas os 
levaram  a  descobrir  como a Presença Divina 
pode  se  manifestar  de  várias  formas  e ser 
entendida  de  maneiras  diferentes  por outras 
pessoas. 

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

208

No último dia, os participantes aprenderam sobre a transformação de conflitos e como é necessário 
compreendê-los e analisá-los. A atividade Ilhas minguantes testou os participantes e os fez examinar 
como às vezes excluímos inconscientemente outras pessoas para conseguirmos o que necessitamos ou 
queremos.  Eles  refletiram  sobre  a  importância  de  compartilhar  com  os  outros  e  aceitá-los.  Foi 
concedido algum tempo para que compartilhassem suas experiências e conversassem com o fundador 
dos Clubes de Paz da GNRC na República Unida da Tanzânia. Esse jovem participante, cuja vida foi 
marcada  por  muitas  situações  difíceis  e  problemáticas,  compartilhou  suas  experiências  e  explicou 
como sua determinação o levou a promover os direitos da infância e iniciativas de paz entre outros 
jovens da República Unida da Tanzânia.

A oficina terminou com uma sessão em torno 
da  fogueira

,  na  qual  os  adolescentes  e  os 

adultos  se  reuniram  em  torno  de  uma 
tradicional 

fogueira 

africana, 

usando 

instrumentos  de  percussão  como  forma  de 
comunicação  e  entretenimento.  O  ambiente 
criado  foi  uma  memória  da  herança  africana, 
na  qual  os  mais  velhos  criavam  um  espaço 
espiritual  para  transmitir  valores  éticos 
importantes  e  atemporais  e  reconciliar  as 
partes em conflito. 

Aprendizagem e impacto

Os  adolescentes,  em  sua  maioria,  afirmaram  que  haviam  ampliado  sua  compreensão  de  outras 
culturas e religiões. Alguns se comprometeram a criar Clubes da Paz em suas escolas; desde então, os 
participantes estabeleceram um novo Clube da Paz em Dar es Salaam. Todos se comprometeram a 
compartilhar o que haviam aprendido com seus amigos e sua família e expressaram sua firme vontade 
de participar de atividades futuras.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Os diversos tipos de atividades que foram realizadas na oficina ofereceram muitas contribuições ao 
conjunto de recursos didáticos. As seguintes ideias foram de especial ajuda:

>  Proporcionar aos participantes oportunidades de interação com pessoas que possam servir como 

modelos de conduta e inspirá-los a realizar mudanças.

>  Inclusão de atividades que fomentem o sentido de comunidade, como fogueiras e círculos de 

percussão.

>  Inclusão de metodologias que estimulem o raciocínio crítico e criativo dos participantes.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

209

Descrição da oficina

Lugar

Centro Episcopal de Conferências de Tanzânia, 
Dar Es Salaam

Número de participantes/facilitadores

24/3

Número de adolescentes (15 a 19 anos) 

24

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Inglês

Países de origem dos participantes 

Quênia,República Unida da Tanzânia e Uganda

Crenças dos participantes 

Fé Bahá’í, cristianismo, hinduísmo, islamismo e 
budismo

Técnicas pedagógicas 

Compartilhamento de experiências, 
Dramatização, Jogos, Solução de problemas
e Visitas de campo

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

210

Oficina sobre 

Deslocamento e 

Migração

San Lorenzo, Equador

23 a 25 de janeiro de 2007

Essa  oficina  sobre  o  tema  do  deslocamento  e  migração  reuniu  pais  e  mães,  jovens  e  crianças  da 
Colômbia  e  Equador.  O  material  foi  adaptado  ao  tema  da  oficina;  os  participantes,  de  diferentes 
denominações cristãs e da Fé Bahá’í, discutiram os problemas éticos enfrentados pelas pessoas que 
vivem na volátil região fronteiriça entre Colômbia e Equador.

Todas  as  manhãs,  antes  de  começarem  as 
atividades, os participantes se juntavam em um 
momento de silêncio, meditação e oração pela 
paz  em  sua  região.  Algumas  sessões  foram 
realizadas  conjuntamente  com  crianças  e 
adultos,  enquanto  outras,  que  exigiam  mais 
exploração  e  tempo  de  compartilhamento, 
foram realizadas separadamente. 

A  oficina  foi  iniciada  com  uma  sessão  sobre 
identidade

  cultural.  Os  participantes  foram 

divididos  em  grupos  e  foi-lhes  solicitado  que 
desenhassem  um  mapa  da  Colômbia  ou  do 
Equador,  identificando  os  itens,  atividades, 
alimentos  e  imagens  mais  representativos  do 
país.  Os  participantes  embarcaram  em  uma 
discussão sobre as raízes de ambos os países e 
suas diferenças e semelhanças. Essa ativi-
dade contribuiu para estabelecer um ambiente
de conexão e compartilhamento.

À tarde, os participantes realizaram atividades 
sobre a diversidade. Refletiram sobre questões relacionadas ao deslocamento e à migração com base 
em suas próprias experiências, opiniões religiosas e antecedentes étnicos e sociais. A diversidade foi 
afirmada como uma realidade que enriquece a todos e que é preciso apreciar e aceitar.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

211

Foi organizada uma noite cultural e, ao ritmo da música do Equador e da Colômbia, os participantes 
dançaram, cantaram e narraram histórias. Foi uma oportunidade única de troca e de estabelecimento 
de  laços  de  amizade  entre  os  participantes  em  uma  festa  tipicamente  latina.  No  dia  seguinte,  os 
participantes  visitaram  uma  das  comunidades  locais  perto  de  San  Lorenzo.  Isso  aumentou  sua 
conscientização  sobre  a  situação  enfrentada  pelos  habitantes  colombianos  e  equatorianos.  Eles 
tiveram  uma  oportunidade  de  interagir  com  a  população  local,  discutir  questões  sociais  com  os 
líderes comunitários e conhecer suas iniciativas e projetos.

No  último  dia,  os  participantes  mapearam  os 
diferentes  conflitos  que  surgem  entre  os 
colombianos  e  os  equatorianos  da  região.  Por 
meio  de  estudos  de  casos  e  dramatizações
analisaram as possíveis causas e consequências 
e  conheceram  alternativas  não  violentas  de 
transformação  desses  conflitos.  As  crianças 
compartilharam  situações  violentas  que 
enfrentam  diariamente  nas  escolas  e  na 
comunidade.  Discutiram  possíveis  soluções  e 
refletiram sobre suas próprias responsabilidades.

Aprendizagem e impacto

Os efeitos do violento conflito que afeta a Colômbia estão, infelizmente, enraizados no comportamento 
e  nas  atitudes  de  algumas  das  crianças  diretamente  afetadas  pela  situação.  Isso  pode  torná-las 
rancorosas e intolerantes. Durante a oficina, as crianças compartilharam suas experiências e temores 
e  propuseram  meios  de  mostrar  maior  respeito  pelos  outros, aceitar as diferenças e responder de 
maneira não violenta mesmo quando seus direitos são violados. Elas descobriram que podem fazer 
parte da solução e não do problema.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Foi a primeira vez que o material foi aplicado a um tema social específico. Esse enfoque contribuiu 
para  aumentar  a  flexibilidade  dos  recursos  didáticos  e  explorar  outras  maneiras  de  usá-los. Estas 
foram as contribuições mais importantes incorporadas ao conjunto de recursos didáticos:

>  Diretrizes para preparar visitas de campo.
>  Como usar o material para um tema específico, como o deslocamento.
>  Como usar o material para promover a cooperação inter-religiosa em torno de um tema social 

específico.

>  Inclusão de mais metodologias que promovam a participação e a integração.
>  Importância de preparar os adultos, os professores e os facilitadores para o uso do conjunto de 

recursos didáticos em diferentes situações.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

212

Descrição da oficina

Lugar

Hotel San Lorenzo, San Lorenzo

Número de participantes/facilitadores

37/4

Número de adultos 

25 

Número de adolescentes (14 a 18 anos) 

12

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Espanhol

Países de origem dos participantes 

Colômbia e Equador

Crenças dos participantes 

Fé Bahá’í e cristianismo (luteranos, menonitas, 
católicos, presbiterianos e evangélicos)

Técnicas pedagógicas 

Arte, Compartilhamento de experiências,
Dramatização, Jogos, Solução de problemas
e Visitas de campo

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

213

Oficina sobre 

violência juvenil

San Salvador,  

El Salvador

1 a 5 de novembro  

de 2007

Um  total  de  25  adolescentes  de  El  Salvador,  representando  a  comunidade  Bahá’í,  o  budismo,  o 
cristianismo, as tradições indígenas, o islamismo e o judaísmo, se reuniram com adultos representantes 
de organizações religiosas para desenvolverem sua espiritualidade e aprenderem a se entender melhor. 
Por  meio  da  oficina,  descobriram  mecanismos  pacíficos  para  transformar  situações  violentas  e 
desenvolveram sua capacidade de trabalhar juntos para promover a paz em suas sociedades, apesar 
das diferenças.

No primeiro dia, os participantes desenharam 
suas  silhuetas  e  exploraram  quem  eram  e 
como suas experiências formam e moldam suas 
identidades.  Compartilharam  suas  reflexões. 
Foi  organizado  um  jogo  cooperativo  para 
explorarem diversas formas de trabalhar juntos 
em prol de objetivos comuns e refletirem sobre 
o  caráter  único  de  cada  indivíduo.  Os 
participantes  chegaram  à  conclusão  de  que  é 
possível trabalhar juntos quando se aprende a 
respeitar aos outros e a apreciar sua alteridade 
com a mente e o coração abertos

Depois  dessa  atividade,  os  participantes  se  dividiram  em 
grupos e pediu-se que elaborassem um escudo de armas para 
indicar as diferenças e semelhanças entre os membros de
grupo. Essa atividade os ajudou a se conhecerem melhor e a 
cada olhar além das aparências físicas. Ao final, os partici-
pantes discutiram a importância da diversidade no mundo e
em sua sociedade.

As discussões sobre a realidade social e as dificuldades que 
enfrentam  tornaram  os  participantes  mais  receptivos e 
dispostos  a  compartilhar  suas  experiências  pessoais. Os 
participantes discutiram seus problemas familiares, os casos
de irmãos que pertencem a Maras (gangues), e refletiram
sobre situações violentas que os afetam.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

214

Foram  realizadas  várias  sessões  para  discutir  os  conflitos 
violentos  que  ocorrem  em  El  Salvador  e  as  alternativas  não 
violentas

  para  transformá-los.  Essas  sessões  estimularam  o 

raciocínio  criativo  e  crítico  dos  participantes  para  resolverem 
suas  diferenças  com  os  outros  e  os  levaram  a  questionar  seus 
próprios  preconceitos  e  estereótipos.  Por  meio  de  estudos  de 
casos

dramatizações e discussões, eles mapearam os conflitos 

que os afetam e identificaram possíveis maneiras de transformá-
los pacificamente.

Por  meio  de  uma  jornada  silenciosa,  os  participantes 
percorreram  as  diferentes  zonas  do  lugar,  cada  uma 
representada  por  uma  cor  diferente.  Cada  cor  os  fez  refletir 
sobre suas vidas, suas relações com os outros e a natureza e as 
atitudes  de  reconciliação  necessárias  para  trazer  paz  às  suas 
sociedades. Aromas, sons e música os ajudaram no processo de 
introspecção e permitiram que os participantes se distanciassem 
da rotina complexa de suas vidas cotidianas.

As orações de diferentes tradições espirituais e 
os  momentos  de  silêncio  contribuíram para 
criar um ambiente propício ao desenvolvimento 
da espiritualidade e à descoberta da necessi-
dade de  encontrar  a  paz interior para poder
levá-la às suas sociedades.

Aprendizagem e impacto

Foi feita uma proposta de visita a lugares religiosos como compromisso para continuar essa jornada 
inter-religiosa e seguir explorando diversas maneiras de trabalhar juntos em questões que afetam as 
crianças e os adolescentes. Os participantes sugeriram a inclusão de mais jogos e de mais tempo para 
orações nas próximas oficinas e os adultos sugeriram a realização de reuniões sobre educação ética 
destinadas aos pais e mães. Depois da oficina, os jovens participantes criaram um blog (http://www.
gnrcelsalvador.blogspot.com/) para compartilhar experiências e se manterem em contato.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Estas foram as principais contribuições incorporadas ao conjunto de recursos didáticos:

>  Práticas silenciosas para promover a introspecção e motivar as crianças e adolescentes a refletirem 

sobre suas atitudes e relações com os outros.

>  A importância de oferecer um espaço para orações como meio de compreender as crenças dos 

outros.

>  Inclusão de metodologias de dramatização como maneira de descobrir alternativas não violentas 

para transformar os conflitos.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

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Descrição da oficina

Lugar

Templo do Sol, comunidade budista,  
San Salvador

Número de participantes/facilitadores

43/5

Número de adultos 

18

Número de adolescentes (14 a 18 anos) 

25

Duração 

3 dias

Idioma utilizado

Espanhol

Países de origem dos participantes 

El Salvador, Guatemala e Honduras

Crenças dos participantes 

Fé Bahá’í, tradições indígenas, cristianismo 
(católicos, evangélicos, luteranos, menonitas e 
presbiterianos), islamismo e judaísmo

Técnicas pedagógicas 

Arte, Compartilhamento de experiências,
 Dramatização, Jogos, Meditação e
Solução de problemas

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

216

Oficina sobre 

violência juvenil

Capira, Panamá

21 a 23 de janeiro  

de 2008

Um  total  de  38  adultos  e  adolescentes,  representantes  da  comunidade  Bahá’í,  de  diferentes 
denominações  cristãs,  do  movimento  Hare  Krishna  e  do  judaísmo,  reuniram-se  durante  três  dias 
para analisar e refletir sobre o tema da violência juvenil no Panamá. 

No primeiro dia foi organizada uma fogueira 
para dar as boas-vindas aos jovens participantes. 
Músicas,  violões,  címbalos,  risadas,  orações, 
poemas  e  cantos  se  combinaram  para 
estabelecer  uma  atmosfera  de  conexão  e 
respeito mútuo.

Os  participantes  discutiram  a  necessidade  de 
respeitar as opiniões e as ideias dos outros por 
meio de uma atividade denominada As ideias 
que defendo

. Eles expressaram seus diferentes 

pontos  de  vista  sobre  temas  que  os  afetam  e 

defenderam  aquilo  em  que  acreditam.  Isso  os  levou  a  questionar  suas  opiniões  e  os  estimulou  a 
respeitar as opiniões dos outros, mesmo quando não concordam com elas.

Os participantes discutiram também diferentes 
dilemas éticos

 e refletiram sobre como tomar 

decisões éticas. Por meio do compartilhamento 
de experiências, refletiram sobre a necessidade 
da  empatia  e  das  atitudes  respeitosas  para 
poder tomar decisões bem fundamentadas.

Mapearam  os  tipos  de  violência  que  os 
adolescentes  experimentam,  infligem  ou 
sofrem em seus próprios ambientes. Analisaram 
as  causas,  consequências e possibilidades de 
transformar  estas  situações. Indicaram que as 
famílias disfuncionais, os pais e mães violentos e as influências negativas são as principais causas da 
violência juvenil. Por meio de dramatizações, os participantes analisaram alternativas não violentas 
para responder a situações violentas e reduzir o nível de violência que os afeta na vida cotidiana.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

217

Foi organizada uma noite cultural na qual os participantes apresentaram os costumes da Colômbia, 
Costa  Rica,  Panamá  e  Uruguai.  Os  jovens  participantes  cantaram  e  dançaram  danças  típicas  do 
Panamá e aprenderam com as diferentes tradições culturais presentes.

No  último  dia  da  oficina,  foi  realizada  uma 
atividade  introspectiva

  para  permitir  que  os 

participantes  meditassem  e  refletissem  sobre 
suas vidas, suas relações com os outros e suas 
atitudes. Os participantes compartilharam suas 
reflexões  e,  ao  concluir,  ressaltaram  a 
importância  de  ter  consciência  da  própria 
identidade e da forma como se relacionam com 
os outros.

Aprendizagem e impacto

Durante  uma  das  sessões  de  troca  de  experiências,  uma  jovem  participante  relatou  a  história  do 
Cavaleiro  da  armadura  enferrujada  para  explicar  os  tipos  de  armaduras  que  utilizamos  para  nos 
proteger uns dos outros e que nos impedem de mostrar quem verdadeiramente somos. Ela exortou os 
participantes a se mostrarem sinceros com os outros e a descobrirem sua verdadeira identidade e o 
significado que tem a vida para eles. Foi uma boa oportunidade para que os adolescentes refletissem 
sobre sua própria identidade e suas interações com outras pessoas.

Os adultos pediram que fossem desenvolvidos programas de educação ética para as famílias e que os 
pais  fossem  incluídos  nas  discussões  sobre  ética  com  as  crianças.  Representantes  do  Ministério  de 
Assuntos Sociais e Saúde do Panamá demonstraram interesse em cooperar com a GNRC na promoção 
da educação ética para prevenir a violência juvenil no Panamá.

Como essa oficina contribuiu para o desenvolvimento do material?

Essa  foi  a  última  oficina  realizada  para  testar  o  conjunto  de  recursos  didáticos.  Ela  ofereceu  uma 
oportunidade única para ensaiar o material melhorado e utilizar novas atividades e técnicas. Foram 
incluídas as seguintes ideias no conjunto de recursos didáticos:

>  A utilização da investigação apreciativa para analisar problemas e conflitos.
>  A utilização de mandalas para ajudar os adolescentes a refletirem sobre suas vidas e seus 

objetivos.

>  A utilização de dilemas morais para promover o pensamento crítico e colocar à prova os pontos 

de vista dos adolescentes sobre o que significa uma decisão ética.

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Aprender a Viver Juntos

Seção 6

218

Descrição da oficina

Lugar

Hogar Javier, Capira

Número de participantes/facilitadores

38/3

Número de adultos 

18

Número de adolescentes (14 a 18 anos) 

20

Duração 

2 dias

Idioma utilizado

Espanhol

Países de origem dos participantes 

Costa Rica e Panamá

Crenças dos participantes 

Fé Bahá’í, cristianismo (católicos, Igreja União 
Balboa e menonitas),judaísmo e movimentoHare 
Krishna

Técnicas pedagógicas 

Compartilhamento de experiências, 
Dramatização, Investigação apreciativa,
Jogos, Meditação e
Solução de problemas