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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

167

Orações pela paz

“Afirmamos, nos opomos e nos comprometemos…”

Durante  uma  reunião  inter-religiosa  organizada  pelo  Conselho  Mundial  de  Igrejas  em  2005,  um 
grupo de representantes de diversas religiões se reuniu com uma profunda preocupação sobre o tipo 
de mundo que deixaremos para nossos jovens e crianças. Estavam profundamente perturbados pela 
violência  generalizada  e  a  cultura  da  exclusão  e  a  cobiça  que  predominam  no  mundo.  “Nós, 
consequentemente”,  declararam,  “reconhecemos  a  importância  crucial  que  reveste  a  educação 
religiosa  orientada  para  transmitir  os  tesouros  de  nosso  patrimônio  às  gerações  seguintes.  É 
imprescindível  que  cada  comunidade  religiosa  entenda  a  necessidade  de  facultar  aos  jovens  a 
participação na transformação permanente de sua herança…”

“Buscamos  também  um  processo  de  aprendizagem  que  crie  uma  atitude  de  inclusão,  abertura  e 
compaixão para com os outros, conforme a fé de cada um. Além disso, a nosso ver, é indispensável 
contar com um entendimento informado das outras tradições religiosas com o objetivo de evitar as 
concepções deformadas e carregadas de preconceitos que os meios de comunicação divulgam.”

Reconhecendo  que  a  relação  entre  a  religião  e  a  violência é um dos temas contemporâneos mais 
urgentes,  o  grupo  afirmou:  “Estamos  convencidos  de  que  nenhuma  tradição religiosa considera a 
violência como virtude ou valor religioso, e sabemos que a violência não é a essência de nenhuma 
religião.  Pelo  contrário,  o  amor,  a  compaixão e a coexistência pacífica são os valores que todas as 
nossas tradições convidam a respeitar. Em consequência, nos opomos a que se atribua a violência às 
religiões e velamos para que se atualize o potencial da paz e não-violência, que consideramos valores 
básicos de nossas tradições”.

Compromissos comuns

“Reconhecemos  que  os  desafios  mundiais que encaramos são tão grandes que nenhuma de nossas 
tradições  poderá  enfrentá-los  sozinha,  e  que,  dado  nosso  empenho  por  fazer  esta  luta,  nos 
necessitamos mutuamente. Logo, não façamos separadamente o que podemos fazer juntos. Mediante 
o discernimento e a atuação conjunta, conseguiremos de verdade descobrir uns aos outros e, através 
dos compromissos que tenhamos em comum, poderemos crescer juntos. Assim, fazemos as seguintes 
afirmações e compromissos:

Afirmamos

  que  a  natureza  humana, constituída de muitos povos, nações, raças, cores, culturas e 

tradições religiosas, é uma só família humana.

Portanto, nos opomos a toda tentativa de imobilizar as tradições religiosas apresentando-as como 
comunidades mutuamente excludentes.

Comprometemo-nos

 a aprender mais sobre o outro, a aprender uns dos outros e a nos descobrir e 

redescobrir em relação ao outro.

Afirmamos

 que, no centro de nossas tradições religiosas, estão o amor, a compaixão, a abnegação e 

os valores que sustentam a vida e a vida comunitária.

Portanto, nos opomos a todas as interpretações de ensinos religiosos que promovam a inimizade, o 
ódio ou a exclusão.

Comprometemo-nos

 a exaltar os ensinos e práticas de nossas tradições religiosas que alimentam a 

vida e promovem a comunidade.

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Seção 5

168

Afirmamos

 que a violência e a guerra são incompatíveis com nossos ensinamentos religiosos e que 

nenhuma de nossas tradições religiosas apoia a solução de diferenças por meios violentos.

Portanto, nos opomos a toda violência utilizada em nome da religião, a toda interpretação religiosa 
que  apoie  a  guerra,  assim  como  a  toda  tentativa  de  interpretar  nossas  escrituras  para  o  apoio  dos 
conflitos.

Comprometemo-nos

 a interpretar, ensinar e praticar nossas tradições religiosas para a promoção da 

paz e da harmonia.

Afirmamos

  que  a  discriminação  baseada  na  raça,  casta,  condição  social,  capacidades  físicas  e 

mentais, etnia, gênero, etc., contradiz nossos ensinamentos religiosos. Portanto, nos opomos a todas 
as formas de discriminação e exclusão.

Comprometemo-nos

 a trabalhar em prol de uma comunidade de caráter inclusivo e a lutar contra as 

interpretações de nossa fé e escrituras que justifiquem a discriminação.

Afirmamos

 que a justiça e a equidade são o eixo da vida religiosa; que a pobreza, a privação, a fome 

e a doença são forças que sufocam a dignidade e o potencial humano.

Portanto,  nos  opomos  à  organização  de  uma  vida  política  e  econômica  que  fomente  injustiças, 
desigualdades e a exploração desmedida da terra em nome da cobiça humana.

Comprometemo-nos

 a defender juntos a dignidade, os direitos humanos, sociais e econômicos de 

todos os povos e a integridade da terra.

Afirmamos

 os direitos dos jovens e crianças, assim como os dons que eles trazem ao entendimento e 

a prática da vida religiosa.

Portanto,  nos  opomos  a  toda  tentativa  de  excluir  a  infância  da  linha  de  ação  principal  da  vida 
religiosa.

Comprometemo-nos

 a promover comunidades de caráter inclusivo que integrem jovens e crianças 

com o objetivo de habilitá-los plenamente a colaborar com seus dons à nossa vida em comum.

Diz-se que uma viagem de mil quilômetros só começa dando o primeiro passo. Os compromissos 
citados são passos que damos vislumbrando um mundo que viva em justiça e paz. Pedimos a todas as 
comunidades religiosas que realizem seus próprios atos de compromisso e promovam a visão de uma 
espiritualidade que trará cura e plenitude a nosso mundo que sofre e pede ajuda.”

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É eloquente o fato de que pessoas de diferentes tradições religiosas ratifiquem estas afirmações de 
forma  urgente,  dada  a  necessidade  de  se  expressar  e  agir  conjuntamente  em  torno  de  temas  que 
afetam suas vidas comuns. Entretanto, as comunidades religiosas não são as únicas que experimentam 
essa urgência, já que também a sentem as pessoas inspiradas em valores e espiritualidades humanos 
não interpretados em termos religiosos.

Do documento Religious Life: A Commitment and Calling, desenvolvido mediante um processo inter-religioso coordenado pelo Conselho 
Mundial das Igrejas. Genebra, Suíça. 2005

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Seção 5

169

Oração inter-religiosa pela paz

Oh Deus, tu és a fonte da vida e da paz.
Louvado seja para sempre teu nome.
Sabemos que é o Senhor que planta a paz em nosso pensamento.
Ouve nossa oração neste tempo de tribulação.
Transforma com teu poder os corações.

Muçulmanos, cristãos e judeus se manifestam convencidos
como seguidores do único Deus,
como descendentes de Abraão, como irmãos e irmãs;
os inimigos começam a dialogar um com o outro;
aqueles que estavam separados unem suas mãos em sinal de amizade;
as nações buscam juntas o caminho para a paz.

Fortalece nossa determinação para que testemunhemos
essas verdades por meio do nosso modo de viver.
Concede-nos o entendimento que ponha fim ao conflito,
a piedade que sufoque o ódio
e o perdão que derrote a vingança.
Que todos possamos viver conforme tua lei do amor,
Amém.

(Pax Christi)

Oh Senhor, sabedoria eterna

Oh Senhor, sabedoria eterna
A quem em parte conhecemos
E em parte não;
Oh Senhor, justiça eterna
A quem em parte reconhecemos
Mas nunca obedecemos por completo;
Oh Senhor, amor eterno
A quem amamos um pouco
Mas tememos amar demais;
Abre nossas mentes
Para que compreendamos;
Opera em nossa vontade
Para que obedeçamos;
Ilumina nossos corações
Para que te amemos.

(Oração pela celebração inter-religiosa 70ºaniversário do Bispo Emérito Krister Stendahl, 21/04/1991)

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Seção 5

170

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. 
Onde houver ódio, que eu leve o amor, 
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão, 
Onde houver discórdia, que eu leve a união, 
Onde houver dúvida, que eu leve a fé, 
Onde houver erro, que eu leve a verdade, 
Onde houver desespero, que eu leve a esperança, 
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria, 
Onde houver trevas, que eu leve a luz. 

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado; 
compreender que ser compreendido, 
amar, que ser amado. 

Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado 
e é morrendo que se nasce para a vida eterna.

(São Francisco de Assis)

Que eu seja em todo momento

Que eu seja em todo momento,
Agora e para sempre,
o protetor dos indefesos,
o guia dos que estão perdidos,
o navio dos que sulcam o oceano,
e a ponte dos que atravessam o rio;
o santuário dos que estão em perigo,
a luz dos que vivem na escuridão,
o refúgio dos que precisam de proteção,
e o servidor de todos os necessitados.

(Dalai Lama)

Sejam generosos

Sejam  generosos  na  prosperidade  e  gratos  na  adversidade.  Sejam  justos  em  seus  julgamentos  e 
cuidadosos com suas palavras. Sejam a tocha dos que caminham na escuridão e o lar do estrangeiro. 
Sejam os olhos para o cego e a luz que guie os passos do errante. Sejam um sopro de vida para o 
corpo  da  natureza  humana,  o  orvalho  na  terra  do  coração  humano,  e  um  fruto  na  árvore  da 
humildade.

(Bahá’u’ lláh)

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Seção 5

171

Paz no mundo

Para que haja paz no mundo,
Deve haver paz nas nações.

Para que haja paz nas nações,
Deve haver paz nas cidades.

Para que haja paz nas cidades,
Deve haver paz entre os vizinhos.

Para que haja paz entre os vizinhos,
Deve haver paz no lar.

Para que haja paz no lar,
Deve haver paz no coração de cada um.

(Lao-Tsé)

O caminho à divindade

Se alguém falar mal de ti,
Fala sempre bem dele.
Se alguém te faz sofrer,
Serve-o com amabilidade.
Se alguém te perseguir,
Ajuda-o de todas as formas possíveis.
Isto te dará
Uma força imensa.
Dominarás a ira e o orgulho.
Gozarás da paz, do equilíbrio e da serenidade.
Alcançarás a divindade.

(Swami Sivananda)

A oração universal pela paz

Leve-me da morte à vida;
Da falsidade à verdade.
Leve-me da desesperança à esperança;
Do medo à confiança.
Leve-me do ódio ao amor;
Da guerra à paz.
Que a paz inunde nosso coração,
Nosso mundo, nosso universo.

(Semana de Oração pela Paz Mundial, adaptação de um antigo cântico jainista)

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Seção 5

172

Concede-nos a paz verdadeira

Oh Deus! Oh nosso mestre! Tu, em virtude de tua essência e tuas qualidades, és a vida eterna e a paz 
perpétua. A paz eterna nos vem de Ti, e a Ti regressa. Tu és nosso sustento! Concede-nos uma vida de 
paz verdadeira e conduze-nos à morada da paz. Oh Ser Glorioso e Bondoso! Bendito e sublime és.

Allahumma  ya  mowlana  antas-salaam,  wa  minkas-salaam,  wa  ilaika  yarjaus-salaam,  haiyyina 
rabbana  bis-salaam,  wa  adkhilna  daras-salaam,  tabarakta  rabbana  wa-ta’  laita,  ya  zal  jalali  wal 
ikram

Oração pela paz

E se os outros se inclinam pela paz, faça-o você também, e confie em Deus, pois Ele é quem tudo 
conhece e tudo ouve.

Surat 8, al-Anfal (O botim da guerra), verso 61.

Tradução para o inglês de A. Yusuf Ali.

Os ensinamentos de Buda sobre a bondade

Isso é o que deve fazer
Quem pratica a bondade,
E quem conhece o caminho para a paz...

Que ninguém engane outro ser,
Nem o deprecie de modo algum.
Que não deseje o sofrimento do outro
Com cólera ou inimizade.
Assim como uma mãe protege com sua vida
Seu filho, seu único filho,
Com o mesmo sentimento ilimitado
Devemos amar todos os seres vivos:
Que nossos pensamentos de amor levem a todo o mundo,
Acima, ao céu,
Abaixo, ao abismo;
E por toda à nossa volta, sem limite,
Livres de malícia e de ódio.
Parados, caminhando, sentados ou deitados,
Sempre bem acordados,
Devemos cultivar a meditação amorosa.
Esta, se diz, é a conduta sublime.
Sem cair em opinião imutável,
O puro de coração, dotado de uma visão clara,
Uma vez livre do apego aos sentidos
Não haverá de regressar mais ao mundo.

(Sutta Nipata, 145)

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Seção 5

173

Os “Dias de Penitência” 

do calendário judeu são os dias próximos à festa santa de Yom Kippur, o momento para se arrepender 
dos pecados.

Oh fonte de paz, leve-nos à paz, profunda e verdadeira;
Ajude-nos a sanar e a dominar tudo aquilo que nos conduz à guerra,
dentro de nós mesmos e com os outros.
Que por nossos feitos sejamos lembrados no Livro da vida e da benção, da justiça e da paz!
Nossa fonte de tranquilidade, abençoe-nos com a paz.

(Chaim Stern, (ed.) Gates of Repentance)

Oração inter-religiosa pronunciada na Cúpula Mundial do Milênio 
para a Paz 

de líderes religiosos e espirituais, realizada na sede da Organização 

das Nações Unidas em agosto de 2000

Que enterremos nossas armas de guerra
A fim de que se convertam em flores de tranquilidade e felicidade;
Que deponhamos as armas
Liberando nossos braços para alcançar o Criador
Que nossas orações e meditações transformem este mundo
Em um jardim de eterna alegria;
E que cada um de nós propague a luz e o amor,
Trazendo a paz ao mundo inteiro.

(Sant Rajinder Singh Ji Maharaj)

Oração oferecida no lugar da explosão da bomba atômica em 
Hiroshima, Japão

A ti, Criador do homem e da natureza, rezo na verdade e na beleza:

Ouve minha voz, pois é a voz das vítimas de todas as guerras e da violência entre pessoas e nações.

Ouve minha voz, pois é a voz de todas as crianças que sofrem e que continuarão sofrendo enquanto a 
fé do homem descansar nas armas e na guerra.

Ouve minha voz quando te imploro que plantes no coração de todos os seres humanos a sabedoria da 
paz, a força da justiça e a alegria da amizade.

Ouve minha voz, pois falo em nome das multidões de todos os países e todas as épocas históricas que 
não desejam a guerra e que estão preparadas para andar pelo caminho da paz.

Ouve minha voz e concede-nos a sabedoria e a força para que possamos sempre responder ao ódio 
com amor, à injustiça com plena dedicação à paz, à necessidade com a generosidade de compartilhar, 
à guerra com a paz.

(Papa João Paulo II)

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Aprender a Viver Juntos

Seção 5

174

Que haja paz

Que haja paz, meu filho; não permitas que prevaleça a guerra.
Depõe tua lança, e a deixa como lembrança.
Para que tua posteridade a contemple.
Vai junto a teu avô, a Auruia
Para que te instrua no korero.
Que não haja guerra, porque o homem de guerra não se sacia jamais;
Antes que meu filho seja um homem sábio e culto.
O guardião das tradições em seu lar.
Que não haja guerra.
Planta no mais profundo o espírito da paz
Que teu reino seja conhecido
Como um domínio de paz onipresente.

(Canção da ilha de Rarotonga, Polinésia)

Meu coração é capaz

Meu coração é capaz de todas as formas;
É o pasto das gazelas e o claustro dos monges cristãos,
O templo dos ídolos, a Kaaba do peregrino,
As tábuas da Lei e o livro do Corão.
Amor é meu credo, e onde quer que dirija seus passos,
O Amor continua sendo meu credo e minha fé.

(Ibn Arabi, 1165-1240)