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Foto: Lorant Fulop

Lidar com a sexualidade infantil é inevitável, na infância surgem muitas perguntas que causam certo temor e receio aos pais. Não se pode considerar feio de se falar e conversar, sobre algo que é natural, como o nascimento. O melhor a se fazer é falar a verdade e responder as dúvidas de forma clara e de acordo com a idade da criança, para que possamos mostrar a seriedade do assunto.

“É preciso aprender a não julgar os atos infantis com os olhos de um adulto. A criança não faz nenhuma associação com o sexo em si”, diz a Ir. Veroni Medeiros, educadora e assistente técnica da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança.

O desenvolvimento sexual infantil inicia logo após o nascimento, e conforme a criança cresce, dúvidas e curiosidades vão surgindo. É entre os 3 e os 6 anos que as perguntas relacionadas ao nascimento e a sexualidade começam a aparecer. Os pais devem se ater a responder apenas o que é perguntado e prestar atenção no contexto, desse modo saciarão a curiosidade e a resposta será satisfatória.

O gênero é uma das primeiras diferenciações feitas pelas crianças, ela passa a perceber que algumas pessoas são homens e outras mulheres, isso se dá por meio do estudo do seu próprio corpo e da comparação com outros. A criança reconhece no pai, na mãe, nos irmãos e primos, na família em geral, anatomias diferentes.

As crianças começam a explorar o corpo e as sensações do toque, fase em que é normal e natural tocar os órgãos genitais. Não se trata de masturbação, é uma curiosidade. O prazer que ela sente ao se tocar é o mesmo em todas as regiões do corpo, traz sensações diferentes e agradáveis, tanto quanto tocar a orelha ou o dedão do pé. Nesses casos, é possível distrair a criança com outra brincadeira que ela goste muito e que também lhe dará prazer, como: caminhar, mostrar as borboletas, pássaros e formigas.

A diferenciação de gênero ocorre também quando corrigimos os pequenos sobre o uso do masculino e feminino. Ao diferenciarmos o irmão da irmã, o gato da gata e assim por diante. É comum nesse período, dúvidas sobre o motivo de haver uma mesa, mas não um meso e o porquê da companheira do cavalo não se chamar cavala. Dúvidas e curiosidades normais.

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A criança aprende a se relacionar consigo e com o mundo a partir do comportamento dos adultos, por isso a nossa atitude ao responder as perguntas é tão importante. O tom de voz, a segurança e estar à vontade ou não, são aspectos captados pelas crianças.

Para orientar os pequenos, pode-se usar livros, materiais didáticos e até mesmo bonecas, como no Museu da Vida, junto a sede da Pastoral em Curitiba, em que tema é retratado por meio de bonecas grávidas, que ajudam de forma lúdica a criança a compreender o nascimento.

Cada família tem um jeito de lidar com as perguntas, o importante é dar atenção as perguntas e respondê-las com sinceridade. As crianças são um presente de Deus em nossas famílias. Nós as educamos para que elas possam ter autonomia, voz própria, serem espontâneas e muito felizes. Uma comunicação adequada, estreita os laços familiares, deixa as crianças seguras e as permitirão crescer como adultos responsáveis.