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Foto: Asierromero

Sabe-se como é importante transportar bebês e crianças maiores com segurança. Mesmo assim, às vezes, as pessoas desrespeitam as normas obrigatórias do Código de Trânsito Brasileiro.

Infelizmente, a cada dia, o trânsito mata e fere muitas pessoas, em acidentes de carro, de moto, atropelamentos, entre outras causas evitáveis. As estatísticas assustam. De acordo com os dados mais recentes da ONG Criança Segura, com base nas informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, os acidentes de trânsito são a principal causa de morte acidental (40%) de crianças e adolescentes com idade entre 1 e 14 anos. Desse total, 30% ocorreu quando a criança estava na condição de ocupante do veículo e 30% devido a atropelamentos.

Grande parte dessas tragédias poderiam ser evitadas, se os pais ou responsáveis tomassem os devidos cuidados na hora de transportar os bebês e as crianças. Os dispositivos de retenção veicular (bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação), item obrigatório para transportar crianças menores de 10 anos, quando instalados e usados corretamente, reduzem em até 71% a chance de morte de uma criança em caso de acidente de trânsito.

Para divulgar mais orientações sobre esse assunto, a Pastoral da Criança entrevistou Gabriela Guida Freitas, coordenadora nacional da ONG “Criança Segura”.

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 Gabriela Guida Freitas

Como está a realidade do trânsito no Brasil em relação à criança?

Hoje, o trânsito é a principal causa de mortalidade infantil acidental. Corresponde a 40% das mortes. E isso é muito preocupante, principalmente, porque a gente sabe que 90% das causas são evitáveis. A gente não precisa perder uma criança para o trânsito. Então, é bem importante que a gente tome atitudes mais preventivas, em caráter urgente.

Quais dispositivos de retenção veicular são indicados para as crianças?

Uma das principais medidas de segurança que a gente pode tomar hoje é o uso de um dispositivo de retenção, mas com a atenção no uso da cadeirinha. Esse é o único jeito de levar a criança segura no carro. Para isso, a gente precisa saber qual é a cadeirinha correta, qual é o banquinho correto para usar em cada faixa etária. Hoje, a nossa lei de trânsito aqui no Brasil dita sobre a cadeirinha por idade. Então, tem o bebê-conforto até um ano, a cadeirinha de um a quatro anos e o assento de elevação de quatro a sete anos e meio. Porém, a gente recomenda que os pais sempre estejam bastante atentos na questão de peso e altura. Então, é muito importante ler o manual. Às vezes, a criança não tem a idade que ali está dizendo, mas tem a razão peso/altura que o manual traz, que o fabricante indica. É importante que os pais se informem para conseguir conciliar todos esses aspectos.

Como as crianças devem ser transportadas nas motocicletas?

De preferência, as criança não devem ser transportada na motocicleta. Essa é a primeira recomendação. A gente sabe que fica muito vulnerável na moto e, para a criança que é mais frágil, mais intolerante a impacto, é bem perigoso. Hoje, a nossa lei permite que crianças a partir de sete anos já andem na garupa de uma moto. E aí se você não tiver outra forma de levar a criança, ela a partir dos sete anos, já poderia ir pela lei. Mas, é muito importante que os pais ou os responsáveis busquem um capacete adequado para o tamanho da cabeça daquela criança. Não é o mesmo capacete que o adulto usa.

Como fazer para transportar uma criança numa bicicleta?

A criança, quando estiver andando de bicicleta, tem que estar sempre de capacete. Isso é fundamental. Em hipótese alguma andar sem o capacete. A cabeça é uma parte vital e qualquer queda ou lesão pode ser bem grave. Então, é essencial usar o capacete e outros equipamentos de proteção, como joelheira e cotoveleira. Além de estar acompanhada de um adulto responsável.

Quando os pais utilizam o transporte público para levar a criança no ônibus, por exemplo, a que eles devem ficar atentos?

Procurar estar sempre sentado, de uma forma que tenha firmeza, segurança e atenção na criança. Mas, a gente não tem no Brasil o modelo de cadeirinha no transporte público. Então, o jeito é se certificar que está mais firme, mais seguro.

Há regiões do país em que muitas crianças são transportadas em barcos e canoas. Que cuidados são necessários nesses casos?

Têm dois cuidados bem importantes: um é o colete salva-vidas, ele é indispensável, e o outro é cuidar com a questão do motor. O motor tem que ter uma tampa protetora. Em muitos acidentes no Brasil, o que acontece é que o motor pega o cabelo da criança e puxa, levando ao escalpelamento.

Leia a entrevista na íntegra: 1345 - Entrevista com Gabriela Guida Freitas - Segurança ao transportar a criança (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança. Ouça o programa de 15 minutos na íntegra
Programa de Rádio 1345 - 10/07/2017 - Segurança ao transportar a criança

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