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Foto: Jader Rocha

A trajetória de vida da Dra. Zilda Arns foi marcada pela fé profunda trazida por seus pais, Gabriel e Helena, dos quais ela sempre gostou de recordar. Dizia o célebre escritor português, Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Foi assim que aconteceu com a Pastoral da Criança: Dra. Zilda sonhou esta obra e a Pastoral da Criança nasceu.

Começou como uma pequenina semente. Mas, como diz a parábola do Evangelho, desabrochou e cresceu. Atravessou fronteiras e, hoje, está presente em 17 países. Para lembrar do exemplo da saudosa Dra. Zilda Arns Neumann, que neste mês de agosto de 2016 completaria 82 anos, confira a entrevista com a Ir. Veneranda Alencar, coordenadora nacional da Pastoral da Criança.

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Dra. Zilda: o exemplo que continua


Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

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Que herança nos deixou a Dra. Zilda Arns Neumann?

Ela nos deixou muitos ensinamentos, podemos dizer, um legado. Um dos ensinamentos que ela nos deixou serve de inspiração até hoje na Pastoral da Criança: a Dra. Zilda tinha a consciência clara de que a transformação da sociedade vem da base, da pequena comunidade, que se organiza, sem deixar, porém, de exigir do governo os seus direitos. A ação da Dra. Zilda partia da prática de Jesus, da multiplicação dos pães e dos peixes. Ela dizia que somente com cinco pães e dois peixinhos e com a multiplicação feita por Jesus todos puderam comer. E hoje, não só multiplicamos pães e peixe, mas multiplicamos o saber, a solidariedade e os esforços comuns.

A Dra. Zilda sempre sublinhava estas três expressões: multiplicar o saber, multiplicar a solidariedade, multiplicar os esforços comuns. O que ela entendia por multiplicar o saber?

Multiplicar o saber significa transmitir às pessoas as ações básicas de higiene e saúde: a atenção à água potável, o controle do peso e da altura através de uma alimentação saudável e adequada às crianças e gestantes, o aleitamento materno exclusivo, a atenção ao pré-natal, ao parto e ao pós-parto, a preparação do soro caseiro, a campanha da paz nas famílias, o respeito aos direitos do cidadão, e tantas outras ações. Tudo isso, dizia ela, reforça a autoestima das pessoas e lhes confere a dignidade.

O trabalho da Pastoral da Criança tem no voluntariado seu maior valor. Como as pessoas podem se sentir motivadas a ajudar para continuar essa missão iniciada pela a Dra. Zilda?

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Irmã Veneranda Alencar - Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança

Em primeiro lugar, eu penso que as pessoas para participarem ativamente da Pastoral da Criança e também de outras pastorais, precisam ter fé. Precisam ser pessoas de oração, que tenham fé. Quando eu visito as comunidades, as pessoas perguntam: “Irmã, o que é preciso para entrar na Pastoral da Criança? Precisa de muitos diplomas?”. Eu respondo: “Os diplomas são bons. Eles ajudam. Mas, antes de tudo precisamos ter fé.” E as pessoas até se assustam: “Fé parece uma coisa tão simples”. Mas, nesse mundo de hoje não é tão simples assim. Precisamos ter fé e com isso a gente vence os desafios. Então, partindo da Dra. Zilda, de todo seu exemplo e toda sua experiência, em primeiro lugar, a gente vê que ela é uma mulher de fé, uma pessoa de oração que estava sempre em sintonia com Deus, e é isso que chamava a atenção sobre ela e é o que nos motiva. Fazer parte da família Pastoral da Criança é procurar viver o Evangelho no seu dia a dia, com os seus desafios. O nosso maior exemplo é Jesus Cristo, que conseguiu fazer toda essa caminhada e Ele é o grande mestre motivador para a missão evangelizadora, que nós, como Igreja evangelizadora, fazemos até hoje.

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Leia a entrevista na íntegra: 1299 - Entrevista com Irmã Veneranda Alencar - Dra. Zilda: o exemplo que continua (.PDF)

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