1278 autismo CPF

Rick e Rhiana

Ao levantar de manhã, Márcia Regina Orcelino se prepara para a rotina diária: encaminhar os filhos para a escola, Julia e Leonardo, adolescentes de 14 e 15 anos respectivamente, e Rick e Rhiana, de oito e seis anos. São os mais novos que demandam um pouco mais de dedicação de Márcia. De manhã, ambos vão para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) para ter um acompanhamento de especialistas, já que eles tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo.

O que poderia ser uma adversidade a mais na vida dela – a rotina de cuidados, estímulos e remédios – transformou-se em ânimo. “A Rhiana sempre levanta com um sorriso lindo, isso supera qualquer uma das minhas dificuldades”, afirma a mãe. 

Márcia mora com os quatro filhos e o marido, José Maria dos Santos, em Nova Odessa, município paulista. Foi lá que ela conheceu Francisca Torelli, atual coordenadora da Pastoral da Criança na Paróquia Santa Josefina Bakhita. Francisca foi a líder que acompanhou as duas crianças. “Eles já receberam o certificado de acompanhamento da Pastoral (pois já têm mais de seis anos), mas sempre os visito, pois eles ficam muito felizes”, conta a líder.

Dra. Zilda

“A construção de um mundo justo e fraterno nasce no coração de cada pessoa e das atitudes positivas que vão ao encontro do próximo, principalmente da criança”.

Papa Francisco

“Somos capazes de superar tudo. Precisamos somente de tempo para procurar e encontrar o caminho”.

“Deus, você me deu um filho que eu não sei cuidar”

Quando Rick nasceu, os filhos mais velhos de Márcia tinham sete e seis anos. Ela diz que ele nasceu saudável e apenas quando o menino fez um ano, a mãe começou a estranhar o fato dele não engatinhar e não balbucear palavras, como seus irmãos quando tinham a mesma idade. Francisca conta que incentivou a mãe a questionar o pediatra, da próxima vez que levasse o menino, sobre o porquê dele ainda não falar. Foi quando o médico encaminhou o caso a um neurologista, e depois de vários exames, o menino foi encaminhado à APAE para que tivesse um acompanhamento especializado.

Pouco depois do início do tratamento de Rick na APAE, a mãe se descobriu grávida novamente. Rhiana chegou saudável, mas, assim como o irmão, começou a apresentar um comportamento diferente do esperado, só que ainda mais cedo: aos nove meses Márcia percebia as semelhanças. “Eu não queria aceitar, chorava muito”, recorda. Dessa vez foi ela quem teve que ter acompanhamento psicológico para aceitar o que a vida tinha preparado. “Eu falava: 'Deus, você me deu um filho que eu não sei cuidar', mas hoje são eles que dão força pra eu viver”, revela.

Para a mãe, o acompanhamento da Pastoral da Criança foi vital para aprender a lidar com a situação e ajudar os filhos a socializarem. “Eu não conseguia sair de casa. Era um constrangimento porque eles não conseguiam interagir com outras crianças”, lembra a mãe. Ela acredita que a participação nas atividades da entidade, em especial, a Celebração da Vida, colaboraram para integrar as crianças. Segundo ela, a Rhiana se exaltava quando via muita gente reunida: ela gritava, e a mãe pensava em desistir. “A Francisca me ajudou muito. Hoje ela [a Rhiana] vai, brinca com outras crianças, ela aprendeu até a gostar de boneca”, revela a mãe.

Diagnóstico

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é fácil. Ele precisa de vários especialistas analisando caso a caso. Isso é importante para ter um diagnóstico correto e poder administrar a situação. A psicóloga Paola Borges, que atende crianças com TEA, afirma que “o prognóstico da criança com autismo depende principalmente do diagnóstico precoce e do tratamento especializado e adequado as necessidades daquela criança, já que dentro do espectro os sinais e sintomas são diversos. Uma família comprometida com o tratamento também será um fator muito importante, pois não há um tratamento sem a participação ativa da família, eles serão os grandes terapeutas da vida dessa criança”.

Foi o caso de Rick. Depois de seis anos tendo acompanhamento de especialistas e tendo o estímulo correto para seu desenvolvimento dentro e fora de casa, Rick iniciou os estudos na escola regular, no período da tarde. Ele ainda fala pouco, mas escreve muito, segundo a mãe. Uma prova que quando qualquer criança é bem cuidada, ela pode muito mais do que a maioria dos adultos espera dela.

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