Hanseníase2 CPF 1269

Foto: Pedro, um ano após o tratamento, com a mãe, Marinalva

Apesar de muito antiga – há vários relatos na bíblia dobre a doença – a hanseníase ainda é tabu para muita gente. Talvez até mesmo por ser tratada tanto tempo como uma doença que causasse tanta aversão - há alguns anos, quem tinha a doença era isolado -, há quem esconda quando está doente e não busque tratamento. O problema é exatamente esse: essa vergonha faz com que a pessoa sofra sozinha e ainda facilita a transmissão para outros, já que esta não acontece quando o paciente começa o tratamento.

Apesar do tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil ainda é o segundo país com maior número de casos, perdendo apenas para a Índia. “As pessoas têm vergonha de mostrar. Quando [as manchas] aparecem nos braços é que a gente vê”, relata Marinalva Maria de Jesus, agente de saúde que é líder da Pastoral da Criança desde 2005, em Salgueiro, Pernambuco.

Desde o ano 2000, a Pastoral da Criança integra a Rede Global de Eliminação da Hanseníase e desenvolve atividades de orientação com seus líderes. E o Nordeste é uma das regiões da país onde a doença tem o maior número índice de doentes. “Infelizmente só cresce, especialmente no interior”, destaca a coordenadora da Pastoral da Criança na diocese de Salgueiro, Maria Lúcia Viana. Ela lembra que, por conta desse preconceito com a doença, as líderes têm um cuidado ao falar com as famílias quando suspeitam de algum caso, porque ainda hoje há muitas pessoas que não querem confirmar as suspeitas.

Dra. Zilda

“Levando informação sobre a hanseníase para as comunidades, você pode ajudar muitas pessoas a se livrarem desse grande sofrimento, alcançando a cura da doença. Colaborar para acabar com o preconceito contra os doentes de hanseníase depende de cada um de nós”.

Papa Francisco

“Não só devemos olhar para trás. Devemos, antes, olhar para o futuro, fortalecidos com a certeza de que Deus sempre multiplicará os nossos esforços”.

Adolescentes e crianças

Na região de Salgueiro, as voluntárias da Pastoral da Criança afirmam que há um crescimento da doença especialmente entre adolescentes e crianças. Marinalva, que também é coordenadora da Pastoral da Criança na paróquia Santa Cruz, viveu essa situação dentro de casa. O filho, Pedro Igor de Jesus Gomes, na época com 13 anos, foi afetado pela doença. Por ser agente de saúde e acompanhar de perto as ações da Pastoral da Criança relacionadas à doença, quando ela percebeu os primeiros sintomas tratou logo de levar o menino ao médico. Com a confirmação da doença, restava fazer o tratamento corretamente, o que não foi nenhuma dificuldade. “O tratamento foi tranquilo porque ele mesmo se interessava em tomar a medicação, não precisava nem eu lembrar dos horários”, conta.

A recuperação foi conforme o esperado. Com o fim do tratamento, o filho curado e a confirmação de que ninguém mais da família tinha a doença, Marinalva agora informa com ainda mais propriedade sobre a hanseníase. Para a Maria Lúcia, o importante é desmistificar o problema. “É uma doença como qualquer outra, só que tem que fazer o tratamento”, lembra.

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