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Foto: Campo Largo

Já estamos no período do Advento, que para os cristãos representa a preparação para o Natal. Neste fim de ano, a Pastoral da Criança se inspira no exemplo dos Três Reis Magos para despertar uma reflexão e uma ação diferente, trazendo para o Brasil uma campanha que mobiliza crianças e suas comunidades em prol de outras crianças que estão em situação de pobreza - assim como estava Jesus quando nasceu.

Para saber mais sobre a solidariedade dos Três Reis Magos, confira a entrevista com o padre Ângelo Carlesso.

“Nós vimos a estrela do Oriente e viemos adorá-lo”, narra o Evangelho de São Mateus sobre os Três Reis Magos. Quem eram esses Três Reis Magos?

Pe Angelo Carlesso

 Padre Ângelo Carlesso

Os magos eram sábios que vieram do Oriente, de uma terra distante, guiados por uma estrela para encontrar o Deus Menino. “Onde está o Rei dos Judeus que acaba de nascer?”, foi a pergunta que os magos fizeram na cidade de Jerusalém, porque queriam encontrar o menino e a sua família para ofertar presentes a ele, num coração generoso, num gesto de bondade. 

O que nos ensinam, hoje em dia, os Três Reis Magos?

Sem dúvida, há muitas lições que nós podemos colher desse relato do Evangelho de Mateus. Mateus está fazendo uma página de catequese e quer realmente transmitir alguns ensinamentos. Um deles é que o caminho para encontrar a salvação, o Salvador, é um caminho que precisa ser percorrido com intensidade, com persistência. Caminhar para ir ao encontro do outro. Há um outro recado muito importante no episódio dos magos: o Evangelista Mateus nos conta que, depois que encontraram o menino, adoraram e ofereceram os seus presentes, os Magos voltaram para a sua terra por um outro caminho e foram avisados em sonhos para não voltarem pelo caminho de Herodes. Quem descobre no menino de Belém o Salvador da Humanidade, faz outro caminho: é o caminho da solidariedade. Os magos se apresentaram diante do menino não de mãos vazias. Aqui está outro recado importante pra nós: nós, às vezes, temos as mãos estendidas pra receber e, poucas vezes, abrimos a mão para doar. E nisso, o evangelista Mateus é muito preciso. Ele diz que, primeiro, eles se prostraram e adoraram. E, depois abriram os seus cofres e ofereceram presentes. Então, nós temos que, primeiro, nos prostrar e adorar. E depois, dar de nós mesmos. Ofereceram ouro, incenso e mirra. Então, reconhecem que o menino é Rei, é Deus; mas, que ele é humano. E é pela sua morte que chega a salvação pra toda a humanidade. 

Anna Moser entrevista Reis Magos

Anna Moser - Representante da Kindermissionswerk

Uma tradição de mais de 160 anos

E como você reagiria se um grupo de crianças, vestidas de Reis Magos, batesse em sua porta, trazendo mensagens de paz e de comprometimento com outras crianças do mundo? Na Alemanha, esta cena é bem antiga e se repete todos os anos. Anna Moser, representante da Kindermissionswerk - Pontifícia Obra da Infância Missionária da Alemanha, explica como acontece esta tradição por lá. 

Como começou essa tradição, qual  o seu objetivo e significado?

A tradição dos Reis Magos começou há muitos séculos atrás, com crianças que foram de casa em casa, cantando para as pessoas e trazendo também a benção, que nem os Reis Magos; mas, não era sempre uma tradição de solidariedade. Isso foi só no século XIX, quando tinha uma menina de 15 anos, chamada Auguste von Sartorius, que começou essa tradição de ir de casa em casa e pedir, não para si mesmo, como era antigamente, quando as crianças pobres pediam uma maçã ou uma pera. Mas, começou nesse momento, a tradição das crianças pedirem para outras crianças. Então, as crianças, vestidas como os Reis Magos, vão de casa em casa e celebram a chegada de uma nova vida: a chegada do Menino Jesus. Também colocam uma estrela nas casas. Essa estrela é símbolo daquela que guiou os Reis Magos para chegarem até o Menino Jesus. Também colocam três cruzes, que significam o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A ação tem vários objetivos. Um objetivo é que as crianças que participam desenvolvem um conhecimento sobre outras realidades de crianças que moram no mundo inteiro. Outro objetivo da ação é conseguir recursos. Esses recursos conseguidos por crianças na Alemanha são espalhados no mundo inteiro para crianças em situação de necessidade.

Como as crianças abordam as famílias?

São grupos de quatro crianças, uma criança que leva a estrela e três que se vestem como os Reis Magos. Geralmente, um adulto acompanha esse grupo para ir de casa em casa. Os materiais que eles precisam são: as vestimentas – para vestir-se como os Três Reis Magos; as coroas; a estrela-guia; uma caixinha para as doações que recebem e um pedaço de giz para deixar a benção nas casas. Quando chegam nas famílias, recebem doces que partilham entre eles, comem juntos, e as doações em dinheiro que são guardados na caixinha e encaminhadas para Kindermissionswerk. E, de lá, acontece o repasse para os diversos projetos no mundo inteiro.

Que dicas você daria para implantar esse projeto, com sucesso, também no Brasil, com a Pastoral da Criança?

A minha dica mais importante é que essa ação tem que acontecer de maneira voluntária da parte das crianças. Eles querem ter a sensação que, com a sua ação, com a sua participação, eles podem mudar uma coisa, têm esse poder de ajudar no mundo e fazer, realmente, uma diferença.

Leia a entrevista na íntegra: 1262 - Entrevista - Despertando uma atitude missionária nas crianças (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Programa de Rádio 1262 - 07/12/2015 - Despertando uma atitude missionária nas crianças

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