CPF consciencia negra

Foto: Ariene Rodrigues

Suelen Rayane Santos tem 12 anos. Foi acompanhada pela Pastoral da Criança até completar os 6 anos. Mas isso não significa que ela saiu da entidade. Desde que atingiu a idade limite do acompanhamento, Suelen tornou-se apoio da Pastoral da Criança, ou, como ela prefere chamar, tornou-se “líder mirim”. Ela é uma entre as outras sete adolescentes que compõem o grupo. Todas da comunidade Escondidinho, em Floresta, Pernambuco.

Escondidinho é um bairro onde se concentra um grande número de remanescentes quilombolas. Foi no local, que Suelen passou a participar do Instituto Cultural Raízes, onde faz parte do grupo de danças Dandara. Antes disso, ela fez parte dos dois grupos percussivos do Instituto: o Maracatu Afrobatuque e o Afoxé Filhos de N’Zambi. A intenção da organização é “resgatar a auto-estima das crianças a partir de suas raízes históricas”, explica o arte-educador Libânio da Paixão Neto.

Escondidinho é uma entre as 53 comunidades de origem quilombola onde a Pastoral da Criança está presente. Segundo dados do Sistema de Informação da Pastoral da Criança, do segundo trimestre de 2015, 1.555 crianças e 103 gestantes dessas comunidades são acompanhadas.

Vestida com a camiseta do grupo de maracatu, segurando um instrumento musical e ostentando seus cachos em uma amarração, Suelen mostra quem é, e de onde veio, em uma rede social. Para ela, além da questão cultural, “de dar valor” a quem se é, estar em um grupo que mostra o que há de bom na cultura afrobrasileira “é um aprendizado”. Para Neto, trabalhar essa cultura afirmativa desde cedo nas crianças “é um ganho para a vida. Eles se tornam jovens com mais segurança de quem são”, afirma. Segundo ele, quando as atividades começaram a ser realizadas pela organização, logo percebeu-se que as crianças eram os mais interessados e envolvidos nas atividades.

Dra. Zilda

“Tem uma luz que vem de dentro. Essa luz ilumina o caminho e faz com que, aos poucos, todas as pessoas enxerguem bem longe, e avistem como se fosse bem perto, um mundo onde todos se dão bem, sem violência, onde todos são respeitados e a paz para todos ocupa o primeiro lugar”.

Papa Francisco

“Não é o exterior que salva, roupas, crucifixos, véus, etc. E sim a bondade do coração, o amor. Quando se aprende a fazer o bem, Deus perdoa generosamente todo pecado. O que não perdoa é a hipocrisia, o fingimento de santidade”.

Parceria

Assim como Suelen, outras líderes mirins de Escondidinho também participam das atividades culturais promovidas pelo Instituto. E além delas, crianças acompanhadas pela Pastoral da Criança e suas mães estão envolvidas com as ações. Para o arte-educador, apesar de não ser formal, existe uma parceria entre a Pastoral da Criança e o Instituto Cultural nas atividades da comunidade. “A Pastoral está sempre presente com a gente”, destaca. Quem mais ganha com isso são as crianças. “Há uma modificação da visão deles em relação ao preconceito e a discriminação”, conta Neto.

Respeito. Para a líder da Pastoral da Criança, Rosilene Souza, esse é o ponto principal das atividades promovidas em Floresta. “Para que a criança já cresça em um ambiente de respeito, com os valores do negro. E não só o respeito em relação à cor da pele”, explica. Segundo ela, é possível perceber como as crianças que participam de ambas as ações levam o que aprendem para a vida. A participação no Instituto, por exemplo, fez com que as crianças levassem às ações da Pastoral da Criança a discussão sobre o brincar. “Antes era brincadeira para menino separado da menina. Hoje eles buscam uma união”, conta.

Há seis anos em Floresta, o Instituto Cultural Raízes tem promovido o debate acerca da questão identitária e envolvido outras organizações em suas atividades, como a Pastoral da Criança. A prova que, quando se pensa em comunidade, os resultados tendem a ser melhores que o esperado. Especialmente quando se trata das crianças.

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