Guatemala1No caminho até a comunidade Tacaná, na Guatemala, é possível visualizar a mais alta montanha da América Central: o vulcão inativo Tajumulco, com mais de 4220 metros acima do nível do mar. Para chegar ao local, caminhonetes avançam pelas estradas de terra até o alto das montanhas, onde estão as comunidades (carros pequenos não conseguem vencer os obstáculos do trajeto). As dificuldades locais – delimitadas especialmente pela pobreza – e o alto número de analfabetos, não impediu que o trabalho promovido pela Pastoral da Criança na comunidade impressionasse o coordenador da Pastoral da Criança Internacional, Dr. Nelson Arns Neumann.

Lá, ele encontrou mães extremamente envolvidas com as ações da instituição. O Acompanhamento Nutricional, que chegou no país em março de 2014, é levado muito a sério pelas famílias acompanhadas, apesar do alto número de mulheres analfabetas. “O que mais me chamou a atenção neste lugar, em que um terço das mães são analfabetas, é a exatidão nas medidas de peso e altura, e a organização”, conta.

E mesmo com as dificuldades encontradas, os líderes da Pastoral da Criança se adaptam e não deixam de atender às crianças. Na comunidade visitada, uma banheira é um dos meios utilizados para pesar os bebês. As crianças maiores utilizam uma cadeira suspensa. Na Celebração da Vida, as mães participam ativamente: no dia da visita do coordenador, a mestre de cerimônias do encontro foi uma mãe. “É costume aqui, para qualquer reunião comunitária, de programar e relatar no início da reunião o que será feito – apresentação dos participantes e de quem fará uso da palavra, momentos de canto, leitura de um texto, reunião em pequenos grupos para reflexão e dúvidas, agradecimento e avaliação de como foi o encontro. Foi uma aula, em comunidade rural da Guatemala, de organização e leveza na condução do encontro”, avalia Dr. Nelson.

Números

A Pastoral da Criança realizou uma primeira experiência na Guatemala em 2003. De lá para cá, as ações têm crescido ano a ano. Dados do relatório do ano de 2014 indicam que mais de 6.500 crianças até os seis anos foram acompanhadas; em 2010, esse número era de cerca de 2.500 crianças. Em 2014, a média de líderes atuantes ultrapassou os 600, e foram mais de 4.600 famílias acompanhadas. Os dados são captados da mesma forma que acontece no Brasil: o sistema de informação é abastecido a partir das FABS preenchidas pelos líderes.

A experiência dos mais de 30 anos de atuação no Brasil, aliada a um acompanhamento da equipe de coordenação da Pastoral Internacional, tem ajudado a transformar os números da Guatemala de forma positiva. “É claro que temos alguma experiência no Brasil. Isso pode ajudá-los a evitar percorrer os mesmos erros e ir direto para os acertos, acelerando o processo de alcançar a vida plena logo”, analisa Dr. Nelson.

A viagem à Guatemala durou uma semana. Logo em seguida, o coordenador da Pastoral da Criança Internacional partiu para o país vizinho, El Salvador, para verificar a realidade local. “Talvez a maior importância de estarmos nestes países seja reavaliar as nossas práticas do dia a dia, aprendendo com as diversas culturas, com a diversidade e especialmente a criatividade em superar as imensas dificuldades de vida”.

 

 

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