Continuando a falar sobre os brincadores, tenho recebido telefonemas e e-mails de coordenadores me perguntando sobre a idade mínima para ser brincador. Para responder a isso, vou começar colocando o que está escrito nos dois livros da Ação Brinquedos e Brincadeiras, que foram revisados, e também nos textos e nas apresentações que fazemos:
"Os brincadores podem ser adolescentes, jovens, idosos; mães, pais e familiares das crianças; os apoios dos líderes e outras pessoas que gostem de brincadeira de criança".

Quando falamos em adolescente estamos seguindo o que está no Estatuto da Criança e do Adolescente/ECA: "IDADES- divide os menores de 18 anos em crianças (0 a 12 anos incompletos) e adolescentes (12 a 18 anos incompletos)".

Na Pastoral da Criança, temos no Guia do Líder, na página 139, a visão de desenvolvimento que dá a base para o trabalho que vocês, líderes, brinquedistas e todos nós fazemos: "Quando falamos em desenvolvimento, estamos falando de mudanças. Cada criança se desenvolve a sua maneira, isto é, cada criança tem o seu jeito próprio de responder às condições e oportunidades que recebe".

Sendo assim, seja em relação à criança até os seis anos ou ao adolescente o que vemos na realidade é que não existem duas crianças ou adolescentes iguais. Sendo todos seres humanos, apresentam semelhanças e também variações de características, comportamentos, habilidades, etc. devido à época e ao lugar em que vivem.

Falei tudo isso para ressaltar que, apesar dos adolescentes apresentarem comportamentos bem parecidos, pois eles adoram se identificar com o grupo, vemos também meninas e meninos a partir de 12, 13 anos com atitudes ainda infantis e outros agindo já como mais maduros.

Nossa experiência mostra que crianças menores, com nove, dez anos, ainda são pequenas para fazer o que se espera de um brincador, como: organizar e criar oportunidades para as brincadeiras, ter cuidado em arrumar os brinquedos no início e término da Celebração da Vida, cuidar da segurança das crianças enquanto brincam. Mas também não podemos garantir que um adolescente, só por ter mais alguns anos, vai ter atitudes e comportamentos necessários para respeitar a visão do brincar e os cuidados com as crianças que temos na Pastoral.

Sendo assim, contamos com o bom senso de brinquedistas, líderes, coordenadores de comunidade e de ramo para resolverem as exceções que podem aparecer, pois quem está vivendo a realidade, e refletindo sobre ela, tem mais condições de resolver as questões que se apresentam. Crianças maiores de seis anos, que vemos no Dia de Celebração da Vida, que adoram também a oportunidade de brincar livremente e animam, muitas vezes, as brincadeiras dos pequenos podem ajudar, informalmente, os brinquedistas ou brincadores e se tornarem brincadores depois.

Vamos nos empenhar para termos, em cada comunidade, brincadores de idades variadas: adolescentes, jovens, adultos, idosos, pois assim poderão ser mais ricas e estimulantes as oportunidades para as crianças brincarem.

Márcia Mamede
Assistente Técnica da Pastoral da Criança

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