1795 campanha da fraternidade 2026 entrevistaFoto: acervo Pastoral da Criança

Introdução:

Realizada anualmente durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade é um caminho de conversão, solidariedade e compromisso social. Em 2026, a campanha convida toda a Igreja no Brasil a refletir e agir a partir do tema “Fraternidade e Moradia”, chamando atenção para um direito essencial e, ao mesmo tempo, ainda negado a milhões de famílias: viver com dignidade em um lar seguro, adequado e humano.

O padre Jean Poul Hansen, assessor do Setor de Campanhas da CNBB, destacou que a escolha do tema foi motivada por um pedido da Pastoral da Moradia e Favela. No Brasil, segundo a pastoral, 6 milhões de famílias não têm moradia, somadas a outras 20 milhões que vivem em residências inadequadas, sem saneamento básico, com espaços superlotados ou estruturas precárias.

O lema “Ele veio morar entre nós”, segundo o padre Jean Poul, ajuda a iluminar a reflexão, a partir da encarnação: “Deus veio morar entre nós, e isso fundamenta a dimensão social da nossa fé. A Campanha da Fraternidade nos convida a construir aqui, entre nós, sinais do Reino de Deus, promovendo dignidade, especialmente nas realidades onde ela é negada”, afirmou em entrevista ao site da CNBB.

Para se aprofundar no tema, confira a entrevista completa com Frei Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela, e com a assistente social Evaniza Rodrigues, da União Nacional por Moradia Popular. As entrevistas ajudam a compreender por que a moradia digna é urgente e como essa realidade afeta famílias e crianças.

1795 campanha da fraternidade 2026 freimarceloFrei Marcelo Toyansk Guimarães

Entrevista com Frei Marcelo Toyansk Guimarães, coordenador nacional da Pastoral da Moradia e Favela.

Frei Marcelo, o que motivou a escolha do tema “Fraternidade e Moradia” para a Campanha da Fraternidade 2026?

FREI MARCELO:

Durante a VI Semana Social Brasileira (2020–2023), a Igreja do Brasil se dedicou bastante à reflexão sobre Teto, Terra e Trabalho, direitos fundamentais inspirados nos dizeres do Papa Francisco. Ao mesmo tempo, constatamos o enorme déficit habitacional, crescente na realidade brasileira.

Hoje, cerca de um terço da população mora com precariedade, em favelas, áreas de risco; enfim, em várias situações que exigem uma presença mais efetiva tanto do Estado quanto de toda a sociedade, incluindo a nossa própria Igreja. E, diante dessa necessidade, dessa urgência, vimos a importância de uma Campanha da Fraternidade com o tema Moradia, em 2026.

Frei Marcelo, quais são os impactos de uma moradia inadequada para o bem-estar da família e para o desenvolvimento integral de uma criança?

FREI MARCELO:

A moradia digna influencia fortemente a vida e a realidade das famílias. Vemos, por exemplo, pessoas que levam de duas a quatro horas em conduções, muitas vezes precárias, para ir ao trabalho. Isso impacta a vida familiar.

Podemos lembrar também daqueles que vivem em barracos de madeira, tão afetados pelas chuvas, e em espaços pequenos em que mal dá para conviver e ficar juntos. Muitas crianças passam grande parte do tempo nas ruas porque não há espaço na moradia para convivência e permanência. Há ainda os que vivem sob ameaça de despejo, em situação vulnerável.

E, quando olhamos para a realidade das crianças, um estudo recente nos cortiços de São Paulo constatou uma evasão escolar até quatro vezes maior entre crianças que moram nesses locais. Ao mesmo tempo, em moradias muito apertadas, cresce a possibilidade de situações de abuso em vários sentidos. Enfim: moradia é direito, para já.

1795 campanha da fraternidade 2026 evanizarodriguesEvaniza Rodrigues

Entrevista com Evaniza Rodrigues, assistente social, membro da União Nacional por Moradia Popular, e fez parte da equipe de redação do texto-base da Campanha da Fraternidade sobre Moradia de 2026.

Por que o preço da moradia aumentou tanto nas últimas décadas?

EVANIZA:

Quando a gente olha por que as pessoas não têm acesso à moradia, geralmente vamos falar de financiamentos habitacionais com regras extremamente excludentes, ou seja, que não permitem o acesso para quem tem baixa renda, renda instável, ou problemas cadastrais. Quando a moradia é tratada como mercadoria, como uma coisa que se compra e se vende, ela passa a ser inacessível para grande parte da população.

E como a nossa população respondeu a isso? Respondeu de várias formas: com a autoconstrução, em melhores ou piores condições; com a ocupação de terras; muitas vezes, com a ocupação em áreas inseguras, áreas de risco, porque é aquilo que sobrou para essa população. Aquilo que não teve mercado para ela, sobrou para o povo morar. E, nas piores condições, nas condições mais precárias ainda, o destino acabou sendo a rua.

Então, quando a gente fala do preço da moradia, do preço da terra e da falta de acesso, estamos falando da ausência de políticas públicas que possam garantir esse direito para todos e todas. Para que todas as famílias tenham direito a morar com dignidade.

O Artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 10 de dezembro de 1948, afirma que toda pessoa tem direito a um padrão de vida suficiente para garantir saúde e bem-estar. Evaniza, o que mudou nas últimas décadas em relação à moradia?

EVANIZA:

Um dos grandes desafios desta Campanha da Fraternidade é reforçar o conceito de que moradia é um direito.

A gente vai ter um desafio grande, grande mesmo, nesta campanha: fazer com que todo mundo entenda que moradia é uma necessidade básica, é um direito, é uma condição humana que todas as pessoas merecem ter.

Viva a Vida Programa de rádio Viva a Vida – 1795 – 16/02/2026 - Campanha da Fraternidade 2026

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Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

(TESTEMUNHO) Maria José Barbosa, líder da Pastoral da Criança na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Realengo, Rio de Janeiro.

Maria José, como a Pastoral da Criança pode ser uma rede de apoio para buscar garantir uma moradia digna às famílias?

MARIA JOSÉ:

Infelizmente, ainda existem muitas comunidades onde as pessoas não têm uma moradia digna. As líderes comunitárias conhecem de perto a realidade das famílias e, durante as visitas domiciliares e na Celebração da Vida, orientam sobre seus direitos. E, nas reuniões, definimos como continuar buscando outras instituições de apoio a essas famílias, além do poder público.

 

Leia a entrevista na íntegra

1795 – 16/02/2026 - Campanha da Fraternidade 2026

 

11º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Erradicação da pobreza"

"Erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares".

E SDG Icons NoText 0310º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Redução das desigualdades”

"Reduzir as desigualdades no interior dos países e entre países".

Ods 1111º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável

“Cidades e comunidades sustentáveis”

"Tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis".

Dra. Zilda

“A Campanha da Fraternidade é um esforço de toda a Igreja em favor da construção de uma sociedade mais justa e fraterna, a serviço da vida e da esperança, conforme aprendemos nos ensinamentos de Jesus”.

Papa Leão XIV

“Os pobres não estão ali por acaso ou por um destino cego e cruel. Tampouco, para a maioria deles, a pobreza é uma escolha. Ainda assim, há quem presuma fazer essa afirmação, revelando, assim, a própria cegueira e crueldade”.