Um ambiente favorável é aquele em que a criança encontra as condições e oportunidades que necessita para se desenvolver. Os adultos, na família e na comunidade, são responsáveis por criar esse ambiente para as crianças.

Quando falamos em desenvolvimento, estamos falando de mudanças que são possibilitadas por cuidados, atenção, relações e atividades que são oferecidas desde a concepção da criança e continuam por toda a vida de uma pessoa.

Cada criança se desenvolve à sua maneira, isto é, cada criança tem o seu jeito próprio de responder às condições e oportunidades que recebe.

Mesmo a criança que nasce com diferença no funcionamento do seu organismo — por exemplo, uma criança surda — tem seu modo próprio de se desenvolver. O líder pode ajudar a família a aceitar e compreender que o desenvolvimento dessa criança vai ser diferente, mas ela tem direito, como toda criança, às oportunidades para aprender e se desenvolver.

Indicadores de acompanhamento da criança

Para apoiar a criação e organização de um ambiente favorável, a Pastoral da Criança tem indicadores sobre Saúde e outros que são chamados de Indicadores de Oportunidades e Conquistas (IOCs).

Os indicadores de saúde se referem à amamentação, peso e altura, diarreia, vacinação e acesso aos serviços de saúde.

Os Indicadores de Oportunidades e Conquistas procuram mostrar se a criança encontra situações que promovem seu desenvolvimento na família e na comunidade. As oportunidades permitirão que a criança realize conquistas, ou seja, aprenda novas habilidades e se desenvolva.

Isso porque o que faz uma criança crescer e se desenvolver são os cuidados com sua saúde, o amor, a atenção, as brincadeiras e a participação nas atividades com sua família e em sua comunidade. Sendo assim, se queremos acompanhar e promover o desenvolvimento da criança, é importante observar como está sua situação de vida.


O bebê tem Certidão (Cédula) de Nascimento?

Líder, comece a observar e acompanhar a situação de vida do bebê perguntando à família se já foi tirada a Certidão de Nascimento, que é o primeiro documento da criança como cidadã. Se ainda não foi, oriente o pai, a mãe ou outra pessoa da família maior de idade a registrar logo o bebê. É necessário levar a Declaração de Nascido Vivo e um documento pessoal. Se for outra pessoa da família (que não o pai ou a mãe), é necessário levar também o documento de identificação dos pais do bebê. Mas, para que a criança se torne cidadã, precisa também que a família, a comunidade onde mora e toda sociedade garantam seus direitos.

Está no Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 4º: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária”.

Agora que a mãe e o bebê estão em casa, a família pode precisar muito de sua ajuda. Sua presença é importante, pois é na visita domiciliar que você percebe se a mãe e o bebê estão bem. E você faz isso conversando, apoiando e identificando situações em que pode ajudar.

Nos primeiros sete dias de vida do bebê, é bom que você visite a família mais vezes, principalmente se o casal não tem parentes próximos. Esse período é o mais delicado, pois doenças podem aparecer rapidamente e essas costumam ser graves. Além disso, a mãe ainda está se recuperando do parto.

Quando o bebê é o primeiro filho, os pais podem ficar inseguros, pois estão começando a aprender o que é ser pai e mãe. O casal que já tem outros filhos também precisa ser apoiado.

O bebê prematuro precisa de mais cuidados. É importante seguir as orientações dos profissionais de saúde.


Alguém ajuda em casa para que a mãe possa cuidar bem do bebê? 

A mãe está mais sensível e precisa ficar à disposição do bebê o tempo todo. Seu humor e seus sentimentos variam: ora está calma, ora está nervosa; sente alegria, sente tristeza. Pode ficar preocupada por achar que não sabe cuidar do bebê ou inquieta pelos outros filhos, quando já os tem.

Ela precisa de ajuda e compreensão do companheiro e de outras pessoas para que não se canse e possa cuidar bem do bebê. Se as pessoas ajudam no serviço da casa e no cuidado com os outros filhos, ela se cansa menos. Se ela tem com quem conversar sobre o que está sentindo, fica mais calma e segura. Mulheres sem companheiro precisam ainda mais do apoio de outras pessoas.

Líder, nesses primeiros dias preste atenção na relação entre a mãe e o bebê. Ao observar como a mãe cuida do bebê, na troca de fralda, na hora do banho e da mamada, você poderá saber como eles se relacionam.

As mães que cuidam do bebê com vontade e alegria, acariciando e sorrindo para ele, demonstram que a relação está começando bem.

Nos primeiros dias após o parto, algumas mães podem ficar muito tristes e sem vontade de cuidar do bebê por algum tempo.

É importante animar a mãe, com jeito e carinho, para que ela cuide do bebê. Converse também com o companheiro e com a família e incentive-os a observar a relação mãe e filho. Quando a tristeza da mãe não diminui, ou piora, é preciso que ela vá ao serviço de saúde, para que o médico avalie e indique o tratamento adequado para a mãe.

O pai do bebê também pode ficar mais sensível, ansioso e se sentir abandonado. É que agora as atenções são todas para o bebê e para a mãe. E ele também pode ter medo de não saber como ajudar a cuidar do bebê.

Líder, converse com o pai e mostre que ele é importante, animando-o para que ajude nos cuidados com o bebê. É bom incentivar que o pai e a mãe falem um com o outro sobre suas dúvidas e preocupações.

O apoio do líder, da família, dos amigos e da comunidade fortalece a solidariedade e ajuda os pais a criarem um ambiente de segurança, amor e saúde para o bebê.

De vossa boca não saia nenhuma palavra maliciosa, mas somente palavras boas, capazes de edificar e de fazer bem aos ouvintes. (Ef 4,29)



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