A Igreja segue o mandato do Senhor Jesus: “Ide, pois, fazei discípulos todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-os a observar tudo o que vos mandei. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28,19-20).
Vamos atendendo ao chamado, respondendo naquilo que nos é possível, para que, de repente, o impossível aconteça, pois esta é a certeza: vivemos com o Deus do impossível. Ele nos guiará, e faremos com que todas as coisas se realizem num caminho de caminheiros e caminheiras da esperança, que tudo realiza.
Atendemos ao “VEM E SEGUE-ME”. Pegue cada um a sua ferramenta de trabalho e prossiga sem duvidar do caminho traçado, para que todas as crianças tenham vida e a tenham em abundância.
Uma das pastorais com maior destaque nos últimos 40 anos é a Pastoral da Criança. Sua eficácia foi além das fronteiras nacionais e chegou a outros continentes, como a América Central e a África.
A inspiração da médica pediatra Dra. Zilda Arns, de Dom Geraldo Majella Agnelo e de Dom Paulo Evaristo Arns foi rapidamente assumida pelos bispos do Brasil e pelas dioceses locais, onde milhares de crianças foram salvas de enfermidades, da escassez de alimentação, da fragilidade no cuidado e da falta de ternura e de amor familiar.
O caminho está aberto; ele foi feito numa construção de alavancas que se uniram para abrir espaço para a prosperidade, trazendo a criança para ressignificar o espaço e se fazer sujeito de sua própria história. E eis que se fizeram novas todas as coisas. Do ventre materno aos seis anos, um ser se fez defendido por seu nascimento; um ventre gerou, um sonho se realizou; a plantinha encontrou, no celeiro da mãe, um lugar de geração com certeza do nascer, crescer e se desenvolver amparada por cristãos defensores da vida em plenitude.
A fragilidade do cuidado e da ternura gesta uma geração diferenciada, carente da sensibilidade humana, pobreza da espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo, forma cidadãos individualistas, centralizados no “eu”, com poucas perspectivas de desenvolver o caráter do enfrentamento, do sacrifício, da criatividade, da paixão pelo cuidado em defesa da vida digna e justa. A vida está em nossas mãos – ardentes do desejo da construção em rocha firme, homens e mulheres se unem na busca do alcance de resultados promissores.
Atentos aos sinais dos tempos e à fragilidade com que tantas gestantes enfrentam os dias da gestação, bem como ao desprezo pelo cuidado e pela educação na primeira infância, somos desafiados a entrar no mundo das famílias para que as gestantes se sintam amparadas. A Igreja, como mãe, é convocada a ter um novo olhar pastoral para a realidade de tantas mulheres que colaboram com a obra de Deus na criação de novos seres feitos à imagem e semelhança de Deus.
Propomos, aqui, uma série de reflexões para colaborar no fomento e alimento da espiritualidade e da pastoralidade na Pastoral da Criança. Não serão reflexões técnicas nem estratégia de gestão e administração, mas reflexões do coração, da alma, da sensibilidade e da ternura do Evangelho.
Este material será mais um instrumento de uma caminhada pastoral realizada em muitas mãos. Ele não se esgota nestes textos, mas entra no dinamismo criativo de líderes que não se cansam de abrir espaços saudáveis de defesa da vida, com práticas vividas no dia a dia de sua missão pastoral.
As bem-aventuranças são a fonte de inspiração de toda a mística da Pastoral da Criança. Jesus aponta o caminho da felicidade. O coração puro e humilde é capaz de entender a missão neste mundo e formar vidas segundo o coração de Jesus.
Bem-aventurados e bem-aventuradas líderes, coordenadores, coordenadoras, apoiadores e apoiadoras desta caminhada! Seus nomes estão escritos no céu! Sua missão encontra, no chão desta Igreja, alimento para a alma. Por isso, vocês animam, do ventre aos seis anos de vida, o alicerce da esperança que está sendo construída: a criança.
Na figura de Maria, mãe de Jesus, desde a Anunciação até a Ascensão do Filho, encontramos inspiração para caminhar e fortalecer a mística da Pastoral da Criança. A família de Nazaré acompanha, inspira e entusiasma líderes a fazer o mesmo: ir, estar junto, ouvir, servir, cuidar, curar.
Bem aventuradas famílias, celeiros da vida plena! Sua recepção encoraja uma multidão de agentes da defesa da vida a continuarem no caminho certo.
Abramos o coração para a ternura que sensibiliza, aproxima, confia e olha nos olhos de tantas mulheres, aproximando os genitores da vida humana com a graça e a proteção divina.
Bem aventurada a Igreja que une, que liberta, que faz crescer o ardor da missão que está em todo lugar!
A humanidade fragilizada pela dureza de de homens rudes nos impulsiona a sensibilizar a liderança da Pastoral da Criança para que reconheça sua nobre e decisiva missão de fortalecer o cuidado, a proximidade e o olhar compassivo, levando a paz aos lares onde a vida começa a ser formada, na primeira infância.
A plantinha bem cuidada em sua origem terá vigor para enfrentar ventos e contratempos no futuro, porque recebeu os nutrientes necessários. A vida humana não é diferente. Na primeira infância, o cuidado atento e o zelo pelo crescimento e desenvolvimento são decisivos. Quando os vínculos são fortalecidos e a criança recebe o que precisa, ela se firma com segurança e cresce com o desejo de viver plenamente.
O diálogo com as pastorais e os movimentos eclesiais deve ser parte de nossa ação evangelizadora. Quando cuidamos bem das gestantes e da primeira infância, toda a sociedade colhe os frutos: formam-se cidadãos mais conscientes, mais humanos e comprometidos com a vida. A própria Igreja, que caminha dentro dessa sociedade, também se fortalece, encontrando famílias mais estruturadas, comunidades mais solidárias e bases mais firmes para sua missão.
Levemos a estes lares a certeza de que Deus está presente. Deus deve ser percebido. Deus é a fonte de inspiração que nos conduz à missão e à recompensa de uma vida feliz, já neste mundo. Visitemos com ardor missionário, entrando casa a casa; celebremos a vida neste momento místico que fortalece as relações familiares e encaminha, com fé e esperança, para a vida de Igreja; reunamo-nos sempre na partilha do que somos e temos, num ritmo próprio de apostolado firmado nas experiências em comum.
A dignidade da vida é o prêmio que nos faz caminhar rumo ao Reino dos Céus — o Reino da alegria, da justiça, da felicidade, do amor. As bem-aventuranças apontam o caminho da felicidade, razão de ser da Pastoral da Criança.
Vamos juntos? Sabíamos que seu “SIM” estaria em prontidão! Então, para começarmos a pensar e agir no sentido de favorecer a dignidade coletiva e de alcance promissor, como há tanto tempo perseguimos, contamos com você. Sigamos firmes e sejamos verdadeiros discípulos e discípulas do Deus que é vida e não nos quer acomodados nem acomodadas, mas em caminhada!
- e-Capacitação
- >
- Mística da Pastoral da Criança
- >
- Mística da Pastoral da Criança
- >
- Introdução