menino com medo do escuro

Sentir medo é algo real em todos os seres humanos e em qualquer cultura. Na infância, certos medos podem ser exagerados e se tornar um verdadeiro trauma para a vida toda. Como os adultos lidam com o medo das crianças? Será pura imaginação ou realidade? Os adultos, diante dos medos infantis, não devem pensar que é tudo besteira, ilusão e não dar importância. Ao contrário. Se a criança está vivenciando uma situação de medo, é melhor ouvi-la, acalmá-la, passar segurança, para que ela tenha condições de superar a situação. Cada família, em seu contexto e realidade, deve descobrir o jeito mais carinhoso e tranquilo de conversar com a criança e apoiá-la nesses momentos em que ela demonstra medo. Contudo, não é possível dizer para a criança que monstros não existem se, em um momento em que os pais queiram disciplina em casa, ameaçarem dizendo: "Se você não ficar quieto, o monstro vai te pegar". É preciso ter coerência!

Como a Pastoral da Criança faz

Criatividade para enfrentar o medo

Outro ponto importante que contribui para o aumento do medo nas crianças é que elas observam a reação dos adultos frente às adversidades do mundo moderno. Os adultos vivem muitas vezes apavorados diante da violência, da insegurança, das notícias... E a criança, ao presenciar esse medo dos adultos, passa a sentir que de fato ela está em um lugar muito perigoso de se viver e, como é muito impressionável, acaba aumentando seu desconforto emocional, a insegurança e os episódios de medo e terror. 

Bom senso, paciência e muito carinho são fundamentais para lidar com os medos infantis, mas, sobretudo, os adultos devem lembrar que ameaçar, repreender e buscar resultados positivos através do medo só ajudará a criar pessoas ansiosas e inseguras no futuro. Pessoas que atuarão e farão suas opções de vida fundamentadas no medo e não na tranquilidade, força e coragem de quem vive em harmonia consigo, com os outros e com a natureza.

Marcia Mamede

 Marcia Mamede

“O medo é um sentimento que está presente em todas as culturas”, afirma Marcia.

Um problema que aflige muitos pais é o medo exagerado que algumas crianças apresentam diante de situações aparentemente inofensivas ou sem importância. Algum desses medos podem tomar proporções realmente exageradas e evoluir para um quadro denominado fobia. No entanto, a maioria dos medos infantis permanece em níveis controláveis e tendem a desaparecer com a idade.

A dúvida da maioria dos pais se refere a como esses medos aparecem e o que se pode fazer para ajudar a criança a superá-los. Para esclarecer esse assunto, a entrevistada dessa semana é a educadora e assistente técnica da coordenação nacional da Pastoral da Criança, Marcia Mamede.

Marcia, você poderia explicar o que é o medo e quais são os principais medos infantis?

O medo é uma sensação emocional, tal como alegria, a raiva. É uma resposta do nosso organismo a tudo o que nos põe em risco ou que possa parecer um risco.Os medos que vemos ser mais comuns nas nossas crianças de até seis anos, hoje em dia, podem começar ainda quando bebezinho, quando ele se assusta com um estímulo tenso, por exemplo, ou um barulho forte. Ele também se assusta com um lugar novo, que não conhece. O medo de escuro também começa a aparecer por volta de três anos. Eles dizem ver nesse escuro monstros, bruxas, fantasmas. E o bebê, como ainda não tem uma noção concreta, acha que a mãe, quando desaparece, vai sumir, tem medo de perder a mãe, aquela pessoa que cuida sempre dele. Outro medo que os psicólogos dizem ser comum em crianças, e que se manifesta por volta de dois, três anos, é o medo de animais.

Quais são as consequências de se usar o medo para controlar as crianças?

A criança educada pelo medo, para obedecer, geralmente se torna muito insegura. Ou ela pode ficar totalmente responsável, aquela criança que não identifica perigo. Essa criança nem sabe se proteger quando precisa, ela sempre está correndo risco, sempre querendo enfrentar perigo. Então, os pais não devem criar temores, assim, de origem da fantasia para convencer o filho, como, por exemplo: “Olha, o bicho papão vai pegar você”, “Ó, o saci vai aparecer e vai levar você”. Essas ameaças podem criar uma ansiedade desnecessária nas crianças.

Marcia, quais são as orientações da Pastoral da Criança sobre esse tema do medo infantil?

A criança necessita do acolhimento dos pais, com compreensão e amor nos momentos de medo e dificuldade. Mas ela necessita também dos limites necessários para a sua segurança. Agora, esses limites são colocados como? Por meio de atitudes firmes, mas amorosas, que façam com que a criança sinta o amor e o cuidado dos pais.

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Veja a entrevista na íntegra: 1194 - Entrevista com Marcia Mamede - Medos infantis (.PDF)

Esta entrevista é parte do Programa de Rádio Viva a Vida da Pastoral da Criança.
Ouça o programa de 15 minutos na íntegra

Programa de Rádio 1194 - 18/08/2014 - Medos infantis

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