JORNAL HOJE (SP) • REPORTAGEM • 13/1/2010 • 13:15:00 • GLOBO

 

 

Amigos de dona Zilda Arns se reuniram no prédio da Pastoral da Criança. A repórter Dulcinéia Novaes conversou com uma grande amiga e parceira de dona Zilda, a voluntária Maria Ceiça.

“Além de simplicidade ela me ensinou que ser Pastoral da Criança é amar, é acolher, é fazer o outro crescer. Ninguém pode dizer que é pastoral se não tiver muito amor para poder colher todo este amor. Ela me ensinou esta lição e esta lição eu farei hoje e sempre na construção de um mundo melhor”, diz Maria Ceiça.

A generosidade de Zilda Arns e o trabalho que ela promoveu no Brasil e em todo mundo vão deixar saudades.

Amigos de dona Zilda Arns se reuniram no prédio da Pastoral da Criança. A repórter Dulcinéia Novaes conversou com uma grande amiga e parceira de dona Zilda, a voluntária Maria Ceiça. “Além de simplicidade ela me ensinou que ser Pastoral da Criança é amar, é acolher, é fazer o outro crescer. Ninguém pode dizer que é pastoral se não tiver muito amor para poder colher todo este amor. Ela me ensinou esta lição e esta lição eu farei hoje e sempre na construção de um mundo melhor”, diz Maria Ceiça.

 

Zilda Arns criou a Pastoral da Criança 

Foi com o carinho pela criançada e a disposição de combater a desnutrição e a mortalidade infantil que a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns criou há 27 anos a Pastoral da Criança. 

O trabalho se tornou referência mundial no combate à desnutrição infantil. Hoje a Pastoral da Criança reúne mais de 250 mil voluntários e ajudou quase dois milhões de gestantes e crianças em todo o país. 

Em 2004, Zilda Arns fundou a Pastoral da Pessoa Idosa, que atende a mais de 129 mil pessoas em todo o país. Pelo trabalho na área social, Zilda Arns recebeu chegou a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz. 

Dona Zilda tinha 75 anos. Nasceu em Forquilhinha, em Santa Catarina. Foi de lá que a sobrinha dela Lilian Arns comentou, por telefone, a morte de dona Zilda. 

“Com certeza é uma perda não só para a família, mas o mundo todo está perdendo uma pessoa iluminada e todos têm a lamentar com isso”, diz ela. 

Ela era viúva e mãe de cinco filhos e estava no Haiti, onde daria uma palestra na Conferência Nacional dos Religiosos do Caribe. Ainda não há previsão de quando o corpo será trazido ao Brasil. 

A morte de Zilda Arns foi confirmada pela Pastoral da Criança e pelo sobrinho dela, o senador Flávio Arns, do PSDB paranaense. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o presidente Lula ficou chocado, e que chamou Zilda de pessoa extraordinária. O estado do Paraná decretou luto oficial por três dias. 

Dona Zilda era irmã de dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo, que deu a seguinte declaração pelo telefone: 

“Acabo de ouvir emocionado a notícia de que minha caríssima irmã, Zilda Arns Neumann sofreu com o bom povo do Haiti o efeito trágico do terremoto. Que o nosso Deus, em sua misericórdia, acolha no céu, aqueles que na terra, lutaram pelas crianças e desamparados. Não é hora de perder a esperança. D. Paulo”.

Repórter: Dulcinéia Novaes / José Roberto Burnier