dra zilda arns neumann pastoral da crianca

BOM DIA BRASIL (RJ) • REPORTAGEM • 15/1/2010 • 07:15:00 • GLOBO

 

Freira que estava com a fundadora da Pastoral da Criança conta como foi o desabamento que matou a médica.

 


O corpo de Zilda Arns chegou a Brasília. O avião da FAB vindo do Haiti pousou de madrugada. O presidente Lula irá ao enterro de Zilda Arns. Eram 3h30 quando o avião da FAB pousou na Base Aérea de Brasília. Trouxe o corpo de Zilda Arns, médica e fundadora da Pastoral da Criança.

Ao desembarcar, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, contou que os corpos dos militares mortos devem chegar ao Brasil neste sábado. Depende apenas da liberação da ONU, já que eles faziam parte da missão de paz. Jobim contou também que ficou impressionado com a situação em que se encontra a capital do Haiti, Porto Príncipe.

“No momento em que começarem a sentir sede e fome e não conseguirem resolver o problema de habitação, pode haver distúrbios. Por isso, estamos preocupados com a violência. Hospital não tem. O hospital argentino caiu em pedaços. É o único que está funcionando. Há dois hospitais privados que caíram. O problema básico dos corpos é exatamente a questão de uma epidemia. É importante a solução que sugerimos ao presidente Préval e ele acabou aceitando, de abrir covas coletivas. O que impressiona é a capacidade de resistência à dor daquela população”, disse o ministro da Defesa Nelson Jobim.

O sobrinho de Zilda Arns, o senador Flavio Arns, também voltou do Haiti no avião da FAB: “Foi uma viagem difícil. Perdemos uma das maiores lideranças do Brasil e do mundo nessa área social. Ela usou uma frase que me relataram lá. Ela disse: ‘Eu sabia que a pobreza era muito grande no Haiti, mas não podia imaginar que fosse tão agressiva em relação ao ser humano’”.

Quem também desembarcou em Brasília durante a madrugada foi a irmã Rosangela Altoé, secretária da Pastoral da Criança. Ela trabalhava com Zilda Arns. As duas estavam juntas, no mesmo salão na hora que o terremoto destruiu a cidade de Porto Príncipe.

Abatida e com um ferimento na mão, ela contou os momentos de pavor: “Estávamos na parte de cima de um prédio de três andares. Fui buscar o material que usamos na palestra, a bolsa dela, as anotações que fizemos na viagem. Foi nesse momento que o prédio começou a balançar de um lado para o outro. O chão começou a ruir, perdemos o equilíbrio eu eu vi mais nada. Do lado desse centro, tinha uma escola. As crianças estavam lá. A escola também ruiu. À medida que saíamos, escutávamos os gritos das crianças. É algo muito forte. Não tem como esquecer”, avisa Rosangela Altoé.