A Organização Mundial de Saúde recomenda o aleitamento materno já na primeira hora de vida do bebê, de modo exclusivo e em livre demanda até o 6º mês, e estendido até os dois anos ou mais. Essa é também a orientação do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Mesmo assim, ainda há muitas dúvidas sobre o aleitamento materno, principalmente, quando aparecem as dificuldades. 

Para saber mais sobre os benefícios e as novidades dos estudos mais recentes, confira a entrevista com Regina Reinaldin, enfermeira da coordenação nacional da Pastoral da Criança e integrante do Comitê do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável (COAMACS), em Curitiba.  

Por que a Pastoral da Criança sempre fala que o aleitamento materno é muito importante para a saúde da mãe e do bebê? 

Porque o leite materno é um alimento completo para o bebê. É o único alimento que ele precisa até os seis meses de idade. Protege o bebê contra doenças, como alergia, diarreia, resfriados, infecções urinárias e respiratórias. E, quando o bebê mama no seio, ele fortalece e desenvolve a musculatura da boca, melhorando a mastigação e a fala. Para a mãe, o ato de dar de mamar ajuda a diminuir o sangramento após o parto, fazendo com que o útero e o volume dos seios voltem ao tamanho normal. Além disso, o aleitamento materno aumenta o vínculo afetivo entre a mãe e o bebê. 

O leite materno também ajuda na formação da flora intestinal do bebê? 

Isso mesmo. Dentro do útero, o intestino do bebê ainda não está completamente desenvolvido. Quando o bebê nasce, vai criando sua flora bacteriana, de acordo com os contatos com o mundo exterior, através, principalmente, do leite materno. Uma boa flora bacteriana, além de ser importante para uma boa digestão, favorece o desenvolvimento e a imunidade do bebê. 

O aleitamento materno ajuda também no desenvolvimento da linguagem, não é mesmo? 

Sim. Estudos demonstram a importância do aleitamento materno no desenvolvimento e na construção da linguagem, do vocabulário, habilidades motoras e visuais. 

Os médicos dizem que o aleitamento materno previne também o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. 

Provavelmente sim. Um estudo internacional apontou que o aleitamento materno pode ter um efeito protetor contra o problema, mas ainda precisam mais estudos para confirmar a evidência.

Além de todos esses benefícios que você falou, o leite materno ainda ajuda no controle do colesterol. Como é isso? 

Do colesterol que temos em nosso organismo, 70% é produzido no próprio organismo e só 30% vem do que comemos. Se formos medir o colesterol do bebê, ele é alto. Assim, o leite materno é fundamental para regular a futura produção de colesterol alto. 

Um estudo brasileiro associa a amamentação ao aumento da inteligência quando a criança ficar adulta. O que podemos destacar desta pesquisa? 

Uma pesquisa feita no Brasil, com 3.500 recém-nascidos, revelou que aqueles bebês que foram amamentados por mais de um ano têm maior coeficiente de inteligência e, consequentemente, mais escolaridade e renda aos 30 anos, em relação àqueles que mamaram menos tempo. 

Além dos benefícios já citados, quais são as outras vantagens do aleitamento materno para o bebê? 

Vantagens pra saúde física, social, cultural e o vínculo entre a mãe e o bebê. O leite materno evita até 70% das infecções na infância, reduz casos de sinusite, infecções de garganta e ouvido. E as mães que amamentam também obtêm benefícios, como a redução da probabilidade de desenvolver o câncer de mama e o de ovário.

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