"Ao brincar, a criança assume papéis e aceita as regras próprias da brincadeira, executando, imaginariamente, arefas para as quais ainda não está apta ou não sente como agradáveis na realidade" (Vygotsky).

Brincar faz parte da infância e, embora pareça só diversão, é o momento em que a criança está se desenvolvendo. Sabemos que criança sempre procura um jeito de brincar. A criança que brinca eleva a autoestima e desenvolve sua autonomia. Alguns estudiosos do assunto dizem que a criança já nasce sabendo brincar e outros dizem que a criança aprende a brincar. Na Pastoral da Criança, aceitamos as duas opiniões: há um instinto que nasce com a pessoa para o brincar e também aprendemos as brincadeiras da cultura em que vivemos.

Para o bebê o primeiro “brinquedo” é o próprio corpo e o da mãe. Através da brincadeira, a criança ultrapassa a realidade, transformando­ através da imaginação. A brincadeira é uma das formas encontradas para expressar sentimentos e desejos. Os adultos podem estimular a imaginação das crianças, despertando ideias, questionando-­as e incentivando para que elas mesmas encontrem as soluções para os problemas que possam surgir.

Brincar com a criança reforça os laços afetivos e eleva o nível de interesse da criança pela brincadeira, estimulando ainda mais sua imaginação. Momentos para que as crianças possam brincar juntas, em liberdade vigiada e ao ar livre. É preciso que as comunidades se mobilizem e juntas consigam espaços apropriados para que nossas crianças possam brincar e aprender desde cedo a importância da organização, mobilização e sociabilização comunitária (Marcia Mamede).

O Marco Legal da Primeira Infância

Agora, a Lei 13.257, de 8 de março de de 2016, propõe a criação de espaços lúdicos, o que está previsto no artigo 17, como direito da criança.

Art. 17: "A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão organizar e estimular a criação de espaços lúdicos que propiciem o bem­-estar, o brincar e o exercício da criatividade em locais públicos e privados onde haja circulação de crianças, bem como a fruição de ambientes livres e seguros em suas comunidades".

A autoestima pode ser desenvolvida e aperfeiçoada ao longo da vida. Naturalmente, seu grau pode ser ainda mais elevado se for estimulada desde cedo, ainda na infância. A criança que brinca muito e livremente, com outras crianças, é uma criança alegre, feliz, sorridente e aceita melhor os limites dados pelos adultos.

Ela convive também melhor com as outras crianças, porque nas brincadeiras elas vão aprendendo a ganhar, perder, a trocar, a dar a vez, a ajudar, e isso vai criando um sentimento de solidariedade, de paz, de interação afetiva e de superação dos limites através das diferentes brincadeiras. A criança que brinca muito com outras crianças é mais sociável, têm autoestima elevada, demonstra bom convívio, luta pelo que é seu, aprende a compartilhar, supera a timidez, enfrenta obstáculos, supera os desafios com mais naturalidade. A boa convivência famíliar estimula a autoestima e trabalha o sentido de pertença. A criança sente­-se valorizada na sua cultura e identidade.

Brincar ao ar livre, em família, é tudo de bom para o desenvolvimento integral da criança. No brincar, a criança é protagonista, ela tem liberdade para brincar correr, saltar, pular, cantar. Isso é demonstração de saúde e indicador de autoestima elevada.


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