- Este texto faz parte da série Mística da Pastoral da Criança.
- Leia com calma. O conteúdo é extenso e foi preparado para ser lido aos poucos.
- Se quiser, partilhe esta reflexão com outros líderes.
- Ao final, reserve um tempo para refletir sobre a sua missão.
O encontro entre Maria e Isabel revela a beleza do cuidado com a vida que nasce e da presença que acolhe, escuta e fortalece. Inspirados por esse encontro, os líderes da Pastoral da Criança são chamados a sair ao encontro das gestantes, levando esperança, orientação e amor. Cada visita, cada gesto de cuidado, atualiza essa mística do encontro e fortalece a missão de proteger a vida desde o ventre materno.
3. Encontro entre Maria e Isabel
A emoção do encontro é imensurável, muito mais quando se trata de algo divino, surpreendente além do humano. As entranhas não se contêm; exaltam-se em uma explosão de encantamento, de satisfação, de imensa alegria.
Assim, imaginemos a emoção do grande encontro de duas gestantes e de duas crianças sendo gestadas no ventre materno, espaço sagrado para acolher, em primeiro momento, as vidas. E que vida!!!
Fortalecer a mística da Pastoral da Criança gera um dinamismo sagrado que mobiliza a ordem estabelecida em um lar e busca algo e alguém de muita confiança. Se uma vida a ser gestada já traz encantamento e emoção, imaginemos uma vida especial, gerada pela ação do Espírito Santo.
“O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é santo e será chamado Filho de Deus” (Lc 1,35).
Queridos líderes, queridas líderes!
Este anúncio foi bem acolhido. Foi, de fato, iniciativa de Deus a esta grande mulher: Maria. Agora, ela sai de sua casa e, às pressas, vai ao encontro de sua prima Isabel. O mutirão de pensamentos, em uma só mulher, transforma-se em anúncio de cuidado, de zelo pelas outras mulheres. Maria vai ao encontro da gestante Isabel.
E vocês? Que maravilha! Saem em busca de gestantes, em mutirão, numa unidade que fortalece vínculos e atualiza o mistério da vida que pulsa em cada lar.
Gerar fé é um processo de esclarecimento, de convencimento, de silenciar a alma e deixar Deus agir em nós.
A vida é um mistério, uma grandeza tamanha que não sabemos tudo sobre ela, mas podemos viver, experimentar, conhecer seus caminhos. Ela deve ser cuidada, protegida e amparada em todas as suas situações.
Queridos líderes, queridas líderes!
Descubram a grandeza dessa iniciativa que, por vezes, realiza a mesma missão de Maria e Isabel: encontrar-se, louvar a Deus pela vida que está sendo gestada, fomentar a esperança do que será essa criança que está por vir à luz do mundo. Somos colaboradores, por excelência, da vida como o maior dom de Deus. Nada é superior a cuidar e gerar vida para a graça de Deus.
Na nossa ocupação silenciosa, gratuita, voluntária, emprestamos a Deus o dom recebido d’Ele mesmo e nos colocamos a serviço ao visitar gestantes e famílias na Pastoral da Criança.
A mística na celebração da vida é a experiência do encontro entre Maria e Isabel, João Batista e o Menino Jesus, a divindade com a humanidade. Na grandeza desse encontro, quem traz a vida por excelência não se cala, canta a grandeza de Deus, porque está repleto de Deus.
Criar um clima favorável na comunidade de fé sobre os primeiros cuidados com a vida, desde a sua origem, é ação pastoral necessária no projeto de Deus; a vida é conduzida para a alegria que leva ao Reino de Deus.
As pastorais da comunidade de fé deveriam iniciar pelo cuidado com a vida em primeira instância. A Pastoral Familiar deve ser uma grande parceira da Pastoral da Criança, em vista das relações humanas, afetivas, espirituais e sociais de uma vida que começa a ser tecida no ventre materno.
A Pastoral da Criança é um serviço de cuidado pela vida. A exemplo de Maria, ao saber que estava grávida, partiu apressadamente para a região montanhosa, a uma cidade de Judá (Lc 1,39). A vida surge para despertar serviço, gratuidade, louvor, encantamento e alegria. Ao se encontrar com sua prima Isabel, Maria canta o Magnificat, o canto de louvor. A alma não se contém diante da grandeza do mistério de Deus agindo nela mesma. O ser humano, em sua pequenez, engrandece-se ao deixar o Senhor agir em seu coração.
A atitude de quem é visitada é exultar de alegria e exclamar: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Como me acontece que a mãe do meu Senhor venha a mim!?” (Lc 1,42-43). A disponibilidade da visitante é o encantamento da visitada.
Líderes!
Ao visitar uma gestante, a nossa missão se repete ao exemplo de Maria: ir com alegria, fé e esperança. Acreditar que Deus faz maravilhas na pessoa que gera uma nova vida. Ser entusiasta da vida, acreditar na vida, amar a vida.
Vocês fazem essa dinâmica acontecer todos os meses: partem para regiões montanhosas, entram nas casas de tantas “Isabéis”, saúdam, escutam, acolhem. Crianças estremecem, estremecendo vidas...
Vocês permanecem por alguns instantes – escuta e informação que se traduzem em realidades vividas.
Vocês voltam para casa com a certeza de que anunciaram e propagaram a vida. Esta visita serve também para vocês como confirmação de que “fomos visitar e saímos visitados”.
Ao cantar o Magnificat, Maria não se contém; sua alma se enche de alegria e canta os louvores de Deus, que olhou para a sua pequenez e fez grandes coisas em sua vida. Ela, sendo uma pessoa íntegra, deixou-se conduzir pela força do Espírito Santo e acreditou que Deus faz maravilhas em uma mulher que se coloca a gerar vida, dom precioso de Deus.
A vida deve ser fruto da alegria, da paz humana, da harmonia entre casais que amam a vida e descobrem que o amor é gratuidade, compromisso, serviço, entrega, respeito e fé.
Despertar líderes da Pastoral da Criança nas comunidades é compromisso do Evangelho para com as gestantes e famílias com crianças, sobretudo na primeira infância. A Igreja não pode pular essa etapa em sua ação evangelizadora. A primeira infância é a raiz do amor que tudo pode, tudo suporta, tudo realiza.
A Pastoral da Criança deve estar presente em todas as instâncias pastorais da Igreja, em vista do primeiro e decisivo cuidado com a vida. A vida, quando é gerada, desde a sua concepção, pode trazer desconforto, insegurança e medo, principalmente para a mulher.
A presença consoladora dos líderes nesses ambientes supera o desconforto, e a Igreja se torna a mãe que cuida, dá segurança, conforta e sustenta a vida como dom da graça divina para o bem de uma comunidade de fé.
O diálogo com as pastorais, sobretudo em sua dimensão sacramental e social, é âncora para que a vida seja bem preservada desde a sua origem.
A fé cristã garante a proteção e a cultura do cuidado. Quando desprezamos a sensibilidade humana, perdemos a maior riqueza, que é o respeito pela dignidade da pessoa, e a religião se torna hipocrisia, contrária às atitudes de Jesus, que olhou para a fragilidade das pessoas, curava, expulsava demônios e anunciava a Boa Nova do Reino de Deus.
Que, nos momentos da Celebração da Vida, saibamos envolver crianças da catequese, adolescentes, jovens e adultos para rezar, brincar e ser presença na vida dos preferidos de Deus.
Que a Pastoral da Criança encontre espaço para dialogar nas escolas, conversar sobre as carências e alegrias da vida que chega ao mundo da educação, já mais fortalecida desde a gestação até a primeira infância.
Os problemas de hoje podem ser diferentes, mas são tão graves quanto os do passado. A resposta do Evangelho continua sendo caminho para superar a má formação de uma criança desde o ventre materno. A Pastoral tem a sensibilidade da fé que contribui decisivamente para a formação e educação da vida.
Saibamos sair de nossas estruturas acomodadas e ir ao encontro das famílias, abrindo os olhos para perceber as lacunas nos lares, sendo anunciadores da alegria da vida, essência do Evangelho na Pastoral da Criança em nossas paróquias.
Que o veneno da autossuficiência não desfigure a formação, a identidade religiosa e humana das novas gerações.
Convidamos você a refletir sobre estas perguntas a partir da sua vivência como líder. Se possível, partilhe com outros líderes e veja como esses pontos podem iluminar suas visitas e ações na comunidade.
1. Tenho ido ao encontro das gestantes como Maria foi ao encontro de Isabel?
A missão começa com o primeiro passo: sair, ir ao encontro, aproximar-se com amor.
2. Existem gestantes na minha comunidade que ainda não conhecem a Pastoral da Criança?
Muitas vezes, elas estão perto de nós, esperando um gesto de cuidado e acolhida.
3. Tenho ajudado a gestante a se sentir acolhida e amparada desde o início?
Um gesto simples pode fazer com que ela não se sinta sozinha nesse momento tão importante.
4. Tenho participado do mutirão em busca das gestantes?
Ir de porta em porta é um gesto concreto de amor, que cria vínculos e abre caminhos para o acompanhamento.
5. Tenho vivido a missão em comunhão ou deixado o individualismo enfraquecer o cuidado com a vida?
A missão é feita juntos. Quando saímos de nós mesmos e nos abrimos ao outro, ajudamos a construir uma comunidade que acolhe, cuida e protege a vida.
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- 3. Encontro entre Maria e Isabel